A ex-ministra de Bolsonaro Flávia Arruda aparece na origem dos primeiros contatos entre o BRB e o Banco Master reconstruídos pela investigação independente de uma auditoria contratada pelo banco público de Brasília.
Segundo entrevistas reunidas pelos investigadores, foi ela quem apresentou um funcionário do BRB a Augusto Lima, então sócio do Master.
O funcionário é Alisson Vinícius Freitas Silva, lotado na Gerência de Operações Estruturadas (GEOPE) do BRB.
O relatório afirma que ele atuou como intermediário dos contatos iniciais entre as duas instituições e continuou exercendo papel central na relação quando as compras de carteiras do Master pelo BRB começaram a ser formalizadas, meses depois.
O documento foi produzido pelo escritório Machado Meyer Advogados, com assistência técnica da Kroll, dentro da investigação independente aberta para apurar fatos relacionados à Operação Compliance Zero envolvendo o BRB. Em abril, o próprio banco informou ao mercado que o relatório final havia sido concluído e encaminhado à Polícia Federal.
Flávia Arruda aparece no início da relação BRB-Master
O primeiro contato documentado localizado pela auditoria ocorreu em 8 de janeiro de 2024. Naquele dia, Alisson encaminhou pelo Teams uma tabela com uma oferta de carteiras de crédito do Banco Master. Um funcionário chamado Robério Mangueira perguntou do que se tratava e recebeu a informação de que era o Master oferecendo uma carteira de crédito ativa.
Em 1º de fevereiro, Marcelo Maia Souza Marques, representante do Master, enviou diretamente a Alisson um e-mail sobre a oferta de uma carteira analítica ligada aos convênios do INSS e do Siape (Sistema Integrado de Administração de Recursos Humanos, do governo federal).
Em conversa de julho de 2024, Alisson compartilhou uma tabela com aparentes interações e prospecções entre Master e BRB que remontavam a 28 de outubro de 2023. O nome registrado pelo lado do Master era justamente o de Augusto Lima.
A conclusão dos investigadores é a de que as mensagens confirmavam que o contato inicial do Master com o BRB havia sido intermediado por Alisson, informação que também apareceu nas entrevistas realizadas durante a investigação.
Segundo o relatório, entrevistados afirmaram que Alisson teria conhecido Augusto Lima “por intermédio de Flávia Carolina Péres, conhecida como Flávia Arruda”.
Os mesmos relatos apontam que a ex-ministra seria amiga do funcionário do BRB.
A ligação política e familiar em torno de Flávia e Augusto já havia sido mostrada pela Fórum. Em março de 2025, Plínio Teodoro revelou as conexões entre a tentativa de compra do Master pelo BRB, o governo Ibaneis Rocha, Augusto Lima e Flávia Arruda.
Na ocasião, a reportagem mostrou que Lima, então sócio de Daniel Vorcaro, havia se casado com Flávia em janeiro de 2024.
O novo documento acrescenta um elemento até então desconhecido a essa relação: segundo as entrevistas colhidas pela auditoria, Flávia teria sido a pessoa que colocou Augusto Lima em contato com o funcionário apontado posteriormente como intermediário dos primeiros contatos entre Master e BRB.
O relatório não afirma, porém, que Flávia tenha participado das negociações comerciais, das compras de carteiras ou das decisões internas do BRB. A informação atribuída a ela se refere especificamente à apresentação de Alisson a Augusto Lima.
Alisson virou ponto focal nas compras de carteiras
A relevância do contato ganha dimensão quando a auditoria avança para julho de 2024.
Segundo o relatório, naquele mês as operações de aquisição de carteiras entre BRB e Master foram formalizadas. Alisson, que já havia aparecido na intermediação inicial em janeiro, “continuou exercendo papel central na relação entre as instituições”.
Em 8 de julho, ele e Robério Mangueira conversaram pelo Teams sobre as atividades de compra de carteiras. Robério cobrava a liberação de um parecer referente à cessão de uma carteira do Banco Master.
Uma semana depois, em 15 de julho, mensagens internas tratavam de uma alçada de até R$ 750 milhões para o desembolso nas operações.
No dia 17 de julho de 2024, BRB e Master celebraram o chamado “Contrato Mãe”, que estabeleceu as regras gerais para as cessões. O relatório cita Alisson entre os funcionários envolvidos, ao lado de dirigentes e integrantes das áreas responsáveis pelas operações.
Na mesma data, o BRB adquiriu do Master sua primeira carteira de crédito de varejo: eram 81.776 Cédulas de Crédito Bancário do Credcesta, por R$ 673.096.628.
A cronologia traçada pelos investigadores, portanto, coloca o funcionário que teria sido apresentado a Augusto Lima por Flávia Arruda no início da aproximação entre as instituições e, posteriormente, dentro da estrutura que operacionalizou as compras milionárias de carteiras.
Flávia Arruda aparece na origem dos contatos entre BRB e Banco Master, aponta auditoria
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