Dino pede investigação de Mendonça após revelações da Fórum sobre Instituto Iter

Dino pede investigação de Mendonça após revelações da Fórum sobre Instituto Iter
- Flávio Dino e André Mendonça (Gustavo Moreno/STF)

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), enviou ao presidente da Corte, ministro Edson Fachin, um pedido de investigação da conduta de André Mendonça diante das revelações de conexões e encontros entre o relator do caso Master e o ex-banqueiro preso Daniel Vorcaro. No pedido, Dino aponta relações entre o Instituto Iter, de Mendonça, o Master, de Vorcaro, e a Prefeitura de São Paulo, como mostrou a Fórum em reportagem. 
O pedido de Dino ocorre no âmbito de uma ação que investiga possíveis irregularidades na concessão de serviços cemiteriais – apontadas pelo Ministério Público de São Paulo – e vínculos entre a Cortel, empresa concessionária, e o Banco Master. O ministro destaca que  Mendonça integra Agência Reguladora de Serviços Públicos do Município de São Paulo (SP Regula), atuando na área funerária e cemiterial e, durante julgamento, votou contra  à manutenção de uma decisão individual de Dino que afetava os cemitérios privados.  
No documento, o ministro ainda aponta o encontro entre Vorcaro em Mendonça em 14 de março de 2025 enquanto o Instituto Iter passava a ter relações contratuais com a Prefeitura de São Paulo sob gestão de Ricardo Nunes (MDB). No começo deste mês, a Fórum mostrou que o instituto firmou um contrato sem licitação no valor de R$ 380 mil para desenvolver dois cursos de aperfeiçoamento aos servidores municipais no prazo de 3 meses. 
Para Dino, os fatos expostos pedem uma apuração da conduta de Mendonça. “A natureza e a convergência temporal desses pontos de contato constituem, em tese, quadro indiciário suficientemente relevante para que a existência — ou inexistência — dessas conexões seja esclarecida mediante apuração pelas autoridades competentes”, diz o ministro na decisão. 
Instituto foi contratado sem licitação por Gestão Nunes
No dia 2 de setembro, a Fórum revelou que o Instituto Iter, fundado por André Mendonça em 2023, quase dois anos após o ex-ministro de Jair Bolsonaro assumir uma cadeira no Supremo Tribunal Federal (STF), firmou um contrato sem licitação com a gestão Ricardo Nunes (MDB), na Prefeitura de São Paulo, no valor de R$ 380 mil para desenvolver dois cursos de aperfeiçoamento aos servidores municipais no prazo de 3 meses. Os dados são públicos e foram levantados pelo Fórum Investiga, núcleo de jornalismo investigativo da Fórum. 
O contrato foi assinado em 24 de setembro de 2025 por Victor Godoy Veiga, que assumiu como CEO do Instituto Iter após atuar como ministro da Educação de Jair Bolsonaro. Pela prefeitura paulistana, o documento foi assinado digitalmente pela secretária Municipal de Gestão, a advogada Marcela Cristina Arruda Nunes – leia a íntegra do contrato entre a Prefeitura de São Paulo e o Instituto Iter. 
O valor total, já empenhado no documento, foi de R$ 380 mil para “prestação de serviços especializados de treinamento e aperfeiçoamento de agentes públicos municipais, por meio da oferta dos cursos “Governança e Gestão Estratégica em Contratações Públicas” e “Excelência na Gestão e Fiscalização Contratual”, realizados no âmbito das ações formativas de competência da Escola Municipal de Administração Pública de São Paulo – EMASP”. 
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