Vorcaro teria pagado “amiga que ficou com Kássio” Nunes Marques e viagem a Viena, revelam mensagens

Vorcaro teria pagado “amiga que ficou com Kássio” Nunes Marques e viagem a Viena, revelam mensagens
- Kássio Nunes Marques e André Mendonça na posse no comando do TSE (Alejandro Zambrana/Secom/TSE)

Mensagens encontradas no celular de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, indicam que o banqueiro teria feito um pagamento relacionado a um suposto encontro de uma mulher com o ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal, e sido consultado sobre o custeio de uma viagem internacional solicitada pelo próprio magistrado.
As conversas foram publicadas inicialmente pelo UOL e confirmadas pela Jovem Pan nesta terça-feira (15), exatamente no dia em que o STF realiza sessão extraordinária para analisar desdobramentos da investigação sobre o Banco Master, processo que coloca o próprio Vorcaro no centro da disputa.
Mensagens de Vorcaro expõem Kassio Nunes Marques
As mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro revelam dois episódios distintos que envolvem o nome do ministro Kassio Nunes Marques.
No primeiro, uma mulher identificada na agenda do banqueiro como Rayanna menciona diretamente “Kassio” ao cobrar Vorcaro por um suposto encontro. No segundo, um agente de viagens chamado Leo Serrano encaminha ao banqueiro uma mensagem atribuída ao ministro pedindo ajuda para organizar uma viagem de dez dias para cinco pessoas e questiona se as despesas deveriam ser cobradas do próprio Vorcaro.
As revelações vieram a público na mesma terça-feira (15) em que o STF realiza sessão extraordinária dedicada a desdobramentos da investigação sobre o Banco Master. O celular de Vorcaro é justamente o aparelho do qual foram extraídos os dados que alimentaram um relatório da Polícia Federal sobre o caso, tornando-se peça central de uma disputa interna na Corte. Que mensagens desse mesmo dispositivo impliquem um ministro do Supremo no dia em que seus colegas julgam o processo é um dado que o próprio contexto carrega.
O suposto encontro e o pagamento
Em 28 de fevereiro de 2025, Rayanna enviou uma mensagem a Vorcaro informando que “as meninas estão prontas” e pedindo um endereço. O banqueiro forneceu o dado. Semanas depois, já em março, ela voltou ao contato com uma mensagem direta.
“Boa tarde, Dani. Tudo bem? A minha amiga lá aquele dia! Deu certo, né? Ela disse que ficou com Kassio! Ela tá me cobrando aqui.” Vorcaro respondeu pedindo “dados e valor”. Rayanna indicou “10, né?” e encaminhou um endereço de e-mail para o pagamento, possivelmente via Pix.
As mensagens não detalham a natureza do encontro mencionado por Rayanna nem esclarecem a que exatamente correspondia o valor cobrado, de acordo com a Jovem Pan. A ambiguidade das conversas impede afirmar com precisão o que ocorreu, mas o encadeamento das trocas, com a menção ao nome “Kassio”, o relato de que “deu certo” e a cobrança subsequente direcionada a Vorcaro, compõe um quadro que levanta questões sérias sobre a relação entre o banqueiro e o ministro do Supremo.
A viagem para Viena e a ‘bomba’
Em 5 de dezembro de 2024, contato identificado como Leo Serrano, que seria um agente de viagens, encaminhou a Vorcaro o print de uma mensagem enviada por um número atribuído ao ministro Nunes Marques.
O texto era direto: “Bom dia, Leo. Ministro Kassio. Preciso da sua ajuda para formatar uma viagens de uns dez dias, entre 8 e 18 de janeiro, para cinco pessoas. De preferência com guias e motoristas de vans que falem português ou espanhol. Inicialmente, imaginei Viena, com bate e volta nas cidades próximas, como Bratislava, Budapeste, Graz ou Salzburgo”.
Serrano então perguntou a Vorcaro se deveria atender ao pedido de forma independente ou “faturar pra vc”. Vorcaro respondeu: “Sim. Atende. Tudo”.
“Beleza. E ele paga ou eu jogo procê essa bomba?”, questionou Serrano. Vorcaro respondeu: “Me liga depois.”
Em 15 de dezembro, Serrano voltou ao assunto para informar que “aquele Kassio que pediu a viagem pra aquele grupo em janeiro sumiu”. As mensagens não indicam se a viagem chegou a ser realizada ou quem eventualmente arcou com os custos, segundo a Jovem Pan.
Julgamento do Banco Master no STF
O STF analisa nesta terça-feira (15) a Petição 16.662, processo que concentra discussões sobre a validade de um relatório produzido pela Polícia Federal a partir de dados extraídos do celular de Vorcaro. O relatório revelou conversas entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro, gerando uma crise interna na Corte. A Petição discute se esse relatório foi produzido de forma regular e se o Plenário deve abrir apuração sobre a conduta do próprio Moraes.
O celular de Vorcaro tornou-se objeto de disputa entre integrantes do Supremo antes mesmo do julgamento. A crise já havia provocado decisões conflitantes dentro da Corte, com o ministro Edson Fachin assumindo a relatoria da Petição 16.662 e levando a controvérsia ao Plenário.
É desse mesmo aparelho que emergem agora as mensagens envolvendo Kassio Nunes Marques, ampliando o alcance do escândalo para além do eixo Moraes-Vorcaro. O que estava circunscrito a uma disputa sobre um relatório policial passa a envolver indícios de uma relação mais ampla entre o ex-controlador do Banco Master e ao menos um segundo ministro do Supremo.

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