O procurador-geral da República, Paulo Gonet, negou nesta terça-feira (15) ter mantido relação de proximidade com Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, e destacou que o próprio ministro André Mendonça reconheceu que o material reunido até agora não aponta prática de ilícito de sua parte.
A manifestação ocorreu durante sessão do Supremo Tribunal Federal que analisa desdobramentos do relatório da Polícia Federal com mensagens extraídas do celular de Vorcaro.
“Não existe nem tive relacionamento de proximidade com o senhor Vorcaro”, afirmou Gonet.
Segundo o procurador-geral, o único encontro entre os dois ocorreu em abril de 2024, durante um evento com a presença de várias autoridades. Gonet também mencionou uma ligação intermediada por advogado, que classificou como “breve e banal”.
Ao falar no plenário, o chefe da PGR fez questão de registrar que Mendonça também não identificou nos elementos colhidos qualquer indício de prática ilícita atribuível ao procurador-geral.
“Eu fico feliz que o ministro André Mendonça tenha reconhecido que não havia nada do que foi colhido que pudesse induzir alguma prática de ilícito por parte do procurador-geral da República”, declarou.
Gonet afirmou ainda que o resultado das apurações aponta apenas mensagens “sem nenhuma relevância jurídica” em relação a ele.
O procurador-geral agradeceu novamente a Mendonça pela referência e defendeu a atuação do Ministério Público Federal durante as investigações.
“Quem analisa os fatos sem viés verá que o Ministério Público, no exercício do papel de titular da ação penal, foi preciso e foi correto”, afirmou.
Julgamento interno marcado no MPF
A fala ocorre em meio a um procedimento aberto no Conselho Superior do Ministério Público Federal.
O colegiado deve analisar em 25 de setembro se Gonet permanece à frente das investigações sobre as fraudes envolvendo o Banco Master.
O procedimento foi instaurado depois que a Polícia Federal identificou mensagens em que Vorcaro cita “Paulo” e “Andrei”, referências que a corporação associa a Paulo Gonet e ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues.
Em uma delas, Vorcaro pergunta se seria possível “reverter isso com Paulo e Andrei”.
As referências provocaram incômodo dentro da cúpula do Ministério Público Federal, embora também haja integrantes da instituição que defendam Gonet e afirmem que o material não aponta cometimento de crime.
O relator do procedimento é o subprocurador-geral Francisco de Assis Sanseverino.
No início de setembro, Gonet pediu a anulação dos atos de André Mendonça que embasaram pedidos de investigação envolvendo Alexandre de Moraes e, por consequência, o próprio procurador-geral e Andrei Rodrigues.
Para Gonet, Mendonça teria ultrapassado os limites da atuação judicial ao impulsionar diligências sem manifestação prévia da Procuradoria-Geral da República.
Gonet nega elo com Vorcaro e diz que Mendonça também não viu indícios de crime
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