Avalanche, vice de Marçal suspeito de ligação com PCC, assume candidatura

Avalanche, vice de Marçal suspeito de ligação com PCC, assume candidatura
Avalanche

Com a impugnação do registro do coach Pablo Marçal pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o Partido Renovador Trabalhista Brasileiro (PRTB) oficializou uma mudança estrutural em sua chapa: Leonardo Avalanche, presidente nacional da sigla e até então candidato a vice, assume a titularidade da disputa à Presidência da República. A vaga de vice passa a ser ocupada por Silvia Hellen Pereira.
A decisão do TSE que barrou Marçal baseou-se em irregularidades no prazo de sua filiação partidária e nos reflexos de uma condenação por abuso dos meios de comunicação durante o pleito municipal de 2024. Diante do impedimento do cabeça de chapa, o PRTB optou por uma solução caseira, alçando ao topo o homem que, até poucos meses atrás, atuava estritamente nos bastidores e na articulação partidária.
Das Urnas Locais ao Comando Nacional
Nascido em Anápolis (GO) em 1977, Leonardo Alves de Araújo adotou o codinome “Avalanche” no ambiente político. Com passagens pelo setor privado e pelo funcionalismo do Poder Judiciário, ele tentou o ingresso na vida pública tradicional sem sucesso imediato. Em 2016, disputou uma vaga na Câmara Municipal de Goiânia pelo extinto PTN; dois anos depois, concorreu a deputado federal por Goiás pelo Podemos. Em ambos os pleitos, não se elegeu e terminou como suplente.
A virada em sua trajetória ocorreu em fevereiro de 2024. Após o falecimento do fundador histórico do PRTB, Levy Fidelix, e um longo período de disputas internas pelo espólio político da legenda, Avalanche conseguiu se cacifar e assumir a presidência nacional do partido. Meses depois, ganhou projeção ao coordenar a barulhenta campanha de Pablo Marçal à prefeitura de São Paulo, pavimentando a aliança que, mais tarde, seria projetada para a disputa federal.
Patrimônio Bilionário e Foco em Cripto
Ao registrar sua candidatura na Justiça Eleitoral, Avalanche chamou a atenção por sua declaração de bens. O político declarou um patrimônio total avaliado em R$ 495 milhões. O dado que mais impressionou analistas e autoridades foi a composição dessa fortuna: cerca de R$ 491 milhões estão integralmente alocados em criptomoedas, tornando-o um dos candidatos com maior liquidez em ativos digitais da história eleitoral do país.
O Peso das Controvérsias no Judiciário
Apesar da rápida ascensão, a campanha de Leonardo Avalanche inicia sob o peso de um denso histórico de investigações e processos judiciais que devem se tornar o principal alvo de seus oponentes nos debates.

Fraude Partidária: O Ministério Público acusa o dirigente de liderar um esquema de fraude na eleição interna que o levou ao comando do PRTB em 2024. A denúncia aponta o uso de documentos e assinaturas adulteradas para inflar o número de filiados e garantir sua vitória na convenção. Avalanche é réu no caso por associação criminosa e inserção de dados falsos.
Áudios Polêmicos: Durante as eleições de 2024, gravações vazadas atribuídas a Avalanche sugeriam que ele possuía canais de interlocução com membros da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) e que teria atuado nos bastidores para a soltura do traficante André do Rap. O candidato nega veementemente as acusações e sustenta a tese de que os áudios são falsificações digitais geradas por ferramentas de Inteligência Artificial.
Violência de Gênero: Na esfera criminal em São Paulo, Avalanche responde como réu por violência política de gênero. A denúncia baseia-se em supostas ameaças e ofensas de cunho misógino proferidas contra Rachel de Carvalho, então vice-presidente da legenda, durante o ápice da disputa pelo controle do partido.

Com pouco menos de um mês até o primeiro turno, o PRTB aposta na transferência de votos do eleitorado de Marçal para manter a viabilidade da chapa. A partir de agora, Avalanche deixa de ser o articulador de bastidores para testar seu próprio capital político diante do eleitorado nacional.

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