Democracia avança no Brasil com Lula enquanto EUA registram pior nível em 50 anos sob governo Trump

Democracia avança no Brasil com Lula enquanto EUA registram pior nível em 50 anos sob governo Trump
Lula em discurso no Planalto - Lula em discurso no Planalto (Ricardo Stuckert / Divulgação)

O Brasil foi um dos poucos países que registraram avanço no nível de democracia devido à saída do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e ao novo mandato do presidente Lula (PT). Isso é o que mostra o relatório anual do Instituto Internacional para a Democracia e Assistência Eleitoral (International IDEA), que mede o desempenho democrático de 174 países desde 1975. 
O relatório aponta que, em todo mundo, a democracia tem sido enfraquecida com ataques à credibilidade das eleições, à liberdade de expressão, à liberdade de imprensa e à independência do Judiciário. No entanto, mesmo diante desse cenário, o Brasil vem se destacando desde 2023 com índices democráticos positivos.
“No Brasil, os avanços têm sido evidentes desde 2023. Entre os desenvolvimentos notáveis, destacam-se o restabelecimento de conselhos participativos que integram a sociedade civil à formulação de políticas públicas, a redução de barreiras ao financiamento filantrópico e a oferta de benefícios fiscais para a sociedade civil, além de uma nova legislação que facilita parcerias formais com a sociedade civil em contextos de desastres e questões climáticas”, afirma o relatório. 
Os pesquisadores destacam que os avanços foram possíveis após a saída de Bolsonaro. “Muitas das melhorias no Brasil podem ser atribuídas a mudanças nas políticas adotadas desde que o ex-presidente Jair Bolsonaro deixou o poder”, diz outro trecho do relatório. 
A pesquisa destaca que o novo governo do presidente Lula tem “enfatizado questões relacionadas a direitos e espaço cívico, como acesso à justiça, liberdades civis, liberdade de expressão, liberdade de imprensa e sociedade civil — inclusive por meio da retomada de medidas para lidar com crimes históricos —, ao passo que condenações de grande repercussão ajudam a explicar o progresso no acesso à justiça”.
Avanços democráticos no Brasil
Os avanços conquistados após a saída de Bolsonaro foram observados em diferentes áreas, de acordo com o estudo. O maior destaque vai para o critério sobre o Estado de Direito. O Brasil registrou avanço de 38 posições entre 2023 e 2024, alcançando o 53° posto. 
Em seguida, vem o índice de participação da sociedade civil, em que o Brasil avançou 29 posições entre o primeiro e o segundo ano do governo Lula, chegando a ocupar o 4° lugar em 2024. Em 2023, o avanço de outras democracias fizeram o país chegar a 13a posição, mas ainda acima de muitos países. 
O Brasil também registrou avanço no critério sobre direitos da população. Hoje, o país ocupa a 50ͣ  posição, 12 pontos acima de 2024. Desde o início do governo Lula, em 2023, o país já subiu 17 posições. 
Outro destaque vai para a representatividade, onde o Brasil aparece na 41ͣ posição, um posto acima de 2024 e seis em relação a 2023. 
EUA sob Donald Trump 
O estudo também chama atenção para a situação dos Estados Unidos sob o governo de Donald Trump. Segundo a pesquisa, o país registrou os piores indicadores de democracia dos últimos 50 anos, com o Estado de Direito global “significativamente prejudicado pelas ‘ameaças e ações’ do governo Trump”, afirma o estudo. 
Os pesquisadores afirmam que Trump “concentrou rapidamente poder no Poder Executivo e o utilizou para promover um conjunto restrito de objetivos pessoais e buscar retaliação contra aqueles que considerava inimigos”. 
“Nesse cenário, marcado pela redução de espaços tanto para a expressão pública quanto para os mecanismos institucionais de controle do poder, a resistência tornou-se cada vez mais arriscada.  As consequências foram abrangentes, minando o Estado de Direito em âmbito interno e internacional e colocando à prova alianças de longa data e a cooperação multilateral”, ressalta o relatório. 
O estudo afirma que, em uma comparação entre 2020 e 2025, a mudança na qualidade da democracia norte-americana foi “inteiramente negativa”: o país registrou sete declínios estatisticamente significativos em diversos indicadores de governança representativa, liberdades civis e Estado de Direito. “Não houve avanços correspondentes”, diz. 

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