Um vídeo de Gregório Duvivier começou a ganhar repercussão nas redes nesta quarta-feira (16) ao colocar o passado político de Flávio Bolsonaro (PL) no Rio de Janeiro no centro da campanha presidencial.
“Flávio Bolsonaro é cria da milícia de Rio das Pedras.”
A frase é o ponto de partida usado pelo ator e humorista para questionar o discurso de segurança pública apresentado atualmente pelo candidato do PL.
Para Gregório, falar sobre as propostas de Flávio para combater a criminalidade exige olhar primeiro para sua trajetória política no Rio de Janeiro — especialmente para episódios envolvendo as milícias que se expandiram pela Zona Oeste da capital fluminense.
“O Flávio vai transformar o Brasil num grande Rio de Janeiro.”
Ao chamar Flávio de “cria da milícia”, Gregório não se limita a uma provocação. No vídeo, ele recupera episódios da trajetória do candidato para explicar de onde vem sua crítica.
https://www.instagram.com/reel/DdWZIkXRaPb/?utm_source=ig_web_copy_link&stkn=NTc4MTIwNjQ2YQ==
Por que Gregório chama Flávio de “cria da milícia”?
Um dos principais episódios lembrados envolve Adriano da Nóbrega, ex-capitão da Polícia Militar que anos depois seria apontado pelo Ministério Público como integrante da milícia de Rio das Pedras e ligado ao chamado Escritório do Crime.
Quando era deputado estadual, Flávio Bolsonaro apresentou a proposta que concedeu a Medalha Tiradentes, maior honraria da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), a Adriano.
Há um detalhe importante nessa história: Adriano estava preso quando recebeu a homenagem.
O então policial havia sido preso preventivamente em 2004, acusado de homicídio. Flávio e Jair Bolsonaro chegaram a visitá-lo na prisão para entregar a homenagem. Adriano foi condenado em 2005, conseguiu posteriormente um novo julgamento e acabou absolvido em 2007.
Anos mais tarde, investigações apontariam Adriano como um dos nomes ligados à milícia de Rio das Pedras. A mãe e a então mulher do ex-PM também trabalharam no gabinete de Flávio na Alerj.
É essa sequência de relações que Gregório recupera ao utilizar a expressão “cria da milícia de Rio das Pedras”.
Gregório também chama atenção para declarações feitas pelo próprio Flávio Bolsonaro quando ainda era deputado estadual.
Em discursos daquele período, Flávio apresentou uma visão positiva de grupos formados por policiais e bombeiros que atuavam em determinadas comunidades do Rio.
Ao falar sobre o tema, chegou a mencionar Rio das Pedras e argumentou que, em algumas comunidades, agentes de segurança se organizavam para impedir o domínio do tráfico.
Em outra declaração daquele período, Flávio afirmou que não se importaria em pagar por segurança caso isso impedisse que seus filhos fossem aliciados pelo tráfico.
Essas declarações voltaram a circular durante a campanha de 2026 justamente porque contrastam com o discurso atual do candidato. Hoje, Flávio defende que milicianos sejam enquadrados como terroristas e afirma que suas falas antigas são “retiradas de contexto”.
“Era um policial exemplar”, diz Flávio
O candidato também já foi questionado durante a campanha sobre sua relação com Adriano da Nóbrega.
Na sabatina do Jornal Nacional, Flávio afirmou que no momento em que concedeu a homenagem, Adriano era considerado um “policial exemplar” e argumentou que não poderia prever os acontecimentos posteriores.
Porém, Gregório usa justamente a trajetória de Flávio na política fluminense para contestar a imagem que o candidato tenta construir atualmente na área da segurança pública.
É nesse contexto que aparece a frase mais forte do vídeo: ao definir Flávio Bolsonaro como “cria da milícia de Rio das Pedras”, o humorista conecta as antigas declarações sobre milícias, a homenagem a Adriano da Nóbrega e a experiência política do candidato no Rio à discussão sobre o modelo de segurança que ele apresenta hoje ao país.
Rio como retrato do projeto bolsonarista
A crítica de Gregório não fica restrita às milícias. Ao dizer que “Flávio vai transformar o Brasil num grande Rio de Janeiro”, o humorista usa a situação do estado para questionar justamente a ideia de apresentar o candidato como resposta para os problemas de segurança pública do país.
No vídeo, Duvivier passa pelo governo de Wilson Witzel, eleito em 2018 em meio à onda bolsonarista no Rio e que, após uma aproximação inicial com a família Bolsonaro, protagonizou um rompimento público com o grupo.
Gregório também relembra a chamada “fila do osso”, imagem que se tornou símbolo da fome e do empobrecimento no Rio de Janeiro durante a pandemia. Na época, famílias chegaram a enfrentar filas para receber ossos e restos de carne distribuídos gratuitamente por um açougue.
Ao reunir esses episódios — milícias, crise política, violência e a fila do osso —, o humorista constrói sua crítica ao que chama de descaso com o Rio e tenta inverter o discurso eleitoral de Flávio: em vez de apresentar o estado como modelo de segurança para o país, Gregório o utiliza como exemplo das contradições que, segundo ele, cercam a trajetória política do candidato.
Gregorio Duvivier: “Flávio Bolsonaro é cria da milícia do Rio das Pedras”
💬 Comentários (0)
Seja o primeiro a comentar!