Lula lembra alta de 57% nos alimentos na era Bolsonaro; inflação atual é 4,22%

Lula lembra alta de 57% nos alimentos na era Bolsonaro; inflação atual é 4,22%
- Presidente Lula - Foto: Ricardo Stuckert

Lula levou o preço da comida para o centro de seu programa eleitoral desta quinta-feira (17). Ao comparar sua gestão com a de Jair Bolsonaro, o presidente lembrou que os alimentos acumularam alta de 57% entre 2019 e 2022, segundo levantamento da Fipe. Hoje, o IPCA está em 4,22% no acumulado de 12 meses.
A lembrança veio acompanhada de produtos que se transformaram em símbolos da inflação daquele período. Lula citou o pacote de cinco quilos de arroz chegando a R$ 45, o feijão a R$ 12 e o litro de óleo também a R$ 12.
A Fipe, que acompanha preços na cidade de São Paulo, calculou em janeiro de 2023 que a alimentação havia encarecido 57% durante os quatro anos de Bolsonaro. O número não corresponde ao índice oficial nacional, mas os dados do IBGE também registraram uma escalada importante.
O grupo Alimentação e bebidas do IPCA avançou 6,37% em 2019, 14,09% em 2020, 7,94% em 2021 e 11,64% em 2022. Somadas de forma composta, essas variações representam alta próxima de 46% no período.
O ano de 2020 concentrou alguns dos aumentos mais duros. O arroz subiu 76,01% e o óleo de soja, 103,79%. Parte dessa pressão foi revertida depois, com queda de 16,88% do arroz em 2021.
Choques também atingiram o atual governo
A disparada registrada na gestão Bolsonaro não teve uma causa única. A pandemia desorganizou cadeias produtivas, elevou commodities e alterou oferta e demanda em escala mundial. Em 2022, a guerra na Ucrânia, ainda em curso, acrescentou pressão sobre energia, fertilizantes e alimentos.
O mesmo cuidado vale para a comparação com o atual governo. Lula também atravessou choques importantes. As enchentes no Rio Grande do Sul afetaram produção agrícola e preços em 2024, enquanto seca, temperaturas extremas e queimadas pressionaram alimentos naquele ano. O Banco Central registrou efeitos da estiagem sobre carnes e outros produtos.
Em 2026, a crise no Oriente Médio voltou a pressionar o petróleo. O Brent, que estava abaixo de US$ 70 no começo do ano, superou US$ 100 na média entre março e maio, segundo o Banco Central. Ainda assim, em agosto o Brasil registrou deflação de 0,32%, com queda também em alimentação, transportes e combustíveis.
Isso não significa que os alimentos tenham ficado imunes durante o governo Lula. Em 2024, Alimentação e bebidas subiu 7,69%, pressionada por condições climáticas adversas. Mas, até aqui, os choques enfrentados pela atual gestão não produziram uma escalada acumulada semelhante à registrada entre 2019 e 2022.

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