Raquel Lyra é de esquerda ou direita?

Raquel Lyra é de esquerda ou direita?
- Raquel Lyra. Créditos: Wikipedia

Raquel Lyra, candidata à reeleição ao governo de Pernambuco pelo PSD, tem uma imagem ligada ao campo progressista, mas mantém posições e alianças que a aproximam mais ao centro do espectro político e de alguns setores da direita brasileira.
A trajetória de Lyra começou em 2010, quando foi eleita deputada estadual de Pernambuco pelo Partido Socialista Brasileiro (PSB), então uma das principais forças políticas do estado sob a liderança do governador Eduardo Campos, que governou Pernambuco entre 2007 e 2014; já em 2014, ela se reelegeu com a terceira maior votação para o cargo naquele pleito, com pouco mais de 80 mil votos e uma atuação parlamentar que combinava pautas de inclusão social e direitos de pessoas com deficiência com propostas relacionadas à segurança e à administração pública.
Entre os projetos apresentados por Raquel estava uma proposta que reservava 10% dos contratos de aprendizagem de órgãos e entidades conveniados com o governo estadual para adolescentes com deficiência, aprovada pela Comissão de Constituição, Legislação e Justiça da Alepe em 2016.
Outro projeto de sua autoria pretendia obrigar empresas organizadoras de concursos públicos a utilizar detectores de metais durante a aplicação das provas, sob o argumento de combater fraudes e preservar a impessoalidade e a moralidade dos concursos.
Em 2013, Lyra tornou-se a primeira mulher a presidir a Comissão de Constituição, Legislação e Justiça da Assembleia Legislativa de Pernambuco. Ela foi reconduzida ao cargo para o biênio seguinte.
A deputada também participou de outras comissões da Assembleia, incluindo Meio Ambiente e Negócios Municipais, além de integrar a Comissão de Ética como suplente.
Ainda durante a passagem pelo PSB, Raquel ocupou a Secretaria da Criança e da Juventude de Pernambuco no governo Eduardo Campos. Durante a gestão, foram criados programas como o Minha Certidão, as Casas da Juventude e o Esporte Educacional Seguro e Inclusivo.
A mudança veio em 2016, quando ela deixou o Partido Socialista Brasileiro (PSB) para ingressar no Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), devido a uma divergência com a direção do partido em torno de sua candidatura à Prefeitura de Caruaru. Raquel havia assumido a presidência do PSB em Caruaru com a expectativa de disputar a prefeitura, mas não recebeu o aval da legenda para concorrer. Outros desgastes internos ocorreram com aliados na Assembleia Legislativa de Pernambuco. Em seguida, ela se filiou ao PSDB e disputou a Prefeitura de Caruaru pelo partido, e foi eleita em 2016 e reeleita em 2020.
A mudança para o PSDB veio como uma alternativa para sua candidatura municipal e permitiu que Raquel disputasse a Prefeitura de Caruaru em 2016. Pelo partido, ela também chegou ao governo de Pernambuco em 2022.
A mudança seguinte ocorreu apenas em março de 2025, quando Raquel deixou o PSDB e se filiou ao PSD (Partido Social Democrático), legenda presidida nacionalmente por Gilberto Kassab. A governadora também assumiu a presidência estadual do partido em Pernambuco.
A mudança para o PSD ocorreu em meio a divergências com a direção nacional do PSDB, que havia adotado uma postura de oposição ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Raquel criticou publicamente essa posição e afirmou que o PSDB havia se colocado como “farol da oposição” ao governo Lula.
O PSD, liderado por Kassab, veio como legenda com mais possibilidades de aproximação multipartidária e oferecia mais espaços para negociar uma campanha de reeleição para 2026.
Havia também, com o reposicionamento partidário, uma clara intenção de ser apoiada por Lula para o governo estadual de Pernambuco. 
Em 2024, a retirada do PL do governo estadual foi apontada como um movimento que poderia abrir caminho para uma futura aliança com o PT e para uma composição visando às eleições de 2026. Na época, integrantes do entorno de Raquel não descartavam um eventual apoio a Lula, e petistas pernambucanos também avaliavam uma possível composição.
Apesar disso, em 2022, Raquel declarou apoio a Simone Tebet (MDB) para a Presidência da República no primeiro turno, candidata que se apresentava como “uma alternativa à polarização” entre Lula e Bolsonaro.
Depois, no segundo turno entre os candidatos, Raquel manteve neutralidade e não declarou apoio aberto a nenhum lado.
Essa postura provocou críticas de setores ligados a Marília Arraes, sua adversária no segundo turno para o governo de Pernambuco, que sugeriu sua associação com o campo bolsonarista, o que ela negou. 
Durante a campanha, Marília tentou associar Raquel ao bolsonarismo após alguns apoiadores de Jair Bolsonaro declararem apoio à tucana. Raquel rebateu afirmando que também tinha apoio de dissidências do PT e de parlamentares que apoiavam Lula.
Nas eleições daquele ano para o governo de Pernambuco, Raquel saiu vencedora com 58,7% dos votos válidos no segundo turno, contra 41,3% de Marília Arraes.
A governadora teve apoio de políticos identificados com diferentes setores do espectro político durante sua trajetória. Em 2022, por exemplo, sua candidatura recebeu manifestações de apoio de lideranças que não pertenciam ao campo bolsonarista. Ao mesmo tempo, setores ligados a Bolsonaro também se aproximaram de sua campanha. No segundo turno, seu palanque foi composto por políticos de diferentes matrizes ideológicas, mas teve predominância de grupos da direita.
Com Lula, a governadora estabeleceu uma relação institucional próxima e, em novembro de 2023, participou ao lado do presidente da assinatura da ordem de serviço para a duplicação da BR-423, obra incluída no Novo PAC, com trecho em Pernambuco.
Durante parte de seu governo, o PL, partido de Bolsonaro, também integrou sua base política no estado, com integrantes indicados pelo partido em estruturas da administração do governo. Em 2024, no entanto, Lyra retirou as indicações ligadas ao PL do comando do Detran-PE e do ProRural e abriu espaço para nomes ligados ao PP. A saída dos indicados se deu diante de turbulências na relação entre Raquel e o PL na Assembleia Legislativa, onde três dos cinco deputados estaduais do partido estavam na oposição ao governo e apenas um era aliado.
Durante o governo, também houve aproximação política com setores do PT e de outros partidos associados ao campo progressista. A retirada do PL do governo, em abril de 2024, foi apontada como um movimento que poderia facilitar uma futura aproximação com o PT e uma aliança com Lula para 2026.
Na pauta própria do governo, Lyra tem defendido simultaneamente políticas de redução da pobreza, expansão de serviços públicos e investimentos sociais e uma agenda de atração de empresas e investimentos privados.
O governo de Lyra também adotou medidas de controle de despesas e afirmou ter economizado R$ 428 milhões em despesas de custeio não obrigatórias no primeiro semestre de 2023.
Hoje, ela se vende como política de centro, com atuação mais voltada à centro-esquerda, mas com aproximações com o campo da direita. 
Sua trajetória vem desde a formação política no PSB, o que explica a atuação em pautas sociais; na passagem pelo PSDB, teve aproximação institucional com o governo Lula, mas cortejou também alianças com partidos de direita, incluindo o PL. Em 2026, já filiada ao PSD, a governadora mantém uma posição de autonomia em relação à disputa presidencial e afirma ter liberdade para “seguir seu próprio caminho político” em Pernambuco.
A governadora tem sido alvo, nos últimos dias, da repercussão negativa de um episódio ocorrido em maio de 2025, quando participava de uma agenda no Hospital Regional Dom Moura, em Garanhuns (PE).
Na ocasião, registrada em um vídeo divulgado neste mês, Raquel Lyra conversa com pessoas presentes no local sobre uma paciente que, segundo o relato ouvido pela governadora, estaria novamente grávida e já teria sete filhos. Após sugerir que a mulher fosse encaminhada para a fila de laqueadura, Raquel disse: “Mas faz sem ela saber”.
Não há informação pública de que o procedimento tenha sido realizado ou de que a paciente mencionada no vídeo tenha sido identificada.
Após a repercussão do vídeo, Lyra reconheceu que a fala foi equivocada e pediu desculpas. Em vídeo publicado nas redes sociais, afirmou que o comentário não traduz seu respeito pelas mulheres e declarou defender o direito à informação e ao planejamento familiar pela rede pública de saúde. Também classificou a repercussão do episódio como uma tentativa dos seus opositores para “desviar o foco do debate eleitoral”.

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