Kassio dá ordem para Lula e Planalto apagarem nota crítica ao grupo de Bolsonaro

Kassio dá ordem para Lula e Planalto apagarem nota crítica ao grupo de Bolsonaro
O ministro Kássio Nunes Marques - Foto: Fellipe Sampaio/SCO/STF

Em mais um capítulo que evidencia o cerco judicial movido pela cúpula do Tribunal Superior Eleitoral contra a campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o ministro Kassio Nunes Marques emitiu uma determinação rigorosa ordenando a exclusão imediata de publicações oficiais e pessoais que veiculavam uma nota do Poder Executivo com críticas à família Bolsonaro. A decisão atendeu prontamente a ações movidas pelo Partido Liberal (PL) e pelo partido Novo, legendas alinhadas ao projeto político da extrema direita e à candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República.
A intervenção da Justiça Eleitoral incide sobre um comunicado divulgado pelo Palácio do Planalto em julho. No documento, o governo federal repercutia a imposição de tarifas econômicas contra o Brasil anunciadas pela administração de Donald Trump nos Estados Unidos, apontando que a medida protecionista norte-americana contou com “a ativa colaboração da família Bolsonaro”, classificados no texto institucional como “falsos patriotas”. O posicionamento oficial havia sido divulgado tanto nos canais da Secretaria de Comunicação Social da Presidência (Secom) quanto replicado nos perfis pessoais do chefe do Executivo nas redes sociais.
Sob a alegação de defender a lisura do pleito de 2026, Kassio Nunes Marques sustentou em seu despacho que o material extrapolou os limites da comunicação pública e que a estrutura estatal estaria sendo utilizada para golpear adversários diretos na disputa das urnas.
“A publicação impugnada contém a identificação oficial da SECOM e, em análise preliminar, ultrapassa o caráter informativo próprio da comunicação institucional, ao incorporar críticas dirigidas a adversários políticos identificados e referência expressa à disputa eleitoral”, avaliou o presidente da Corte eleitoral.
Devassa administrativa e rigor seletivo na Justiça Eleitoral
Além de impor a retirada imediata do conteúdo do ar sob pena de sanções, a ordem proferida por Nunes Marques foi acompanhada por uma verdadeira devassa sobre o funcionamento interno da comunicação do Palácio do Planalto. O presidente do TSE exigiu que a Secom preste esclarecimentos detalhados em prazo exíguo, identificando nominalmente todos os servidores públicos e agentes envolvidos na redação e aprovação da nota, o levantamento minucioso dos custos financeiros atrelados à sua produção e a prestação de contas sobre como os arquivos foram repassados aos administradores das páginas pessoais do presidente Lula.
A contundência e a agilidade da medida acenderam o alerta entre juristas e aliados do governo federal, que enxergam na postura de Kassio Nunes Marques um padrão de atuação desproporcional e politicamente orientado. Primeiro indicado por Jair Bolsonaro para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF) e alçado à presidência do TSE neste ano eleitoral, o magistrado vem acumulando decisões cirúrgicas que blindam o clã Bolsonaro e a candidatura de Flávio contra embates políticos legítimos, ao mesmo tempo em que impõe restrições severas e fiscalização ostensiva sobre qualquer manifestação do governo de turno.
Ao censurar o direito do Executivo de prestar contas e posicionar-se sobre ataques sofridos pela economia nacional por parte de agentes políticos locais em conluio com potências estrangeiras, a determinação do magistrado reabre o debate sobre a parcialidade judicial nas eleições de 2026. A atuação do tribunal, sob o comando de Nunes Marques, passa a ser vista com crescente apreensão por setores democráticos, que denunciam a transformação do rigor eleitoral em uma ferramenta blindada de proteção à oposição bolsonarista e de estrangulamento da comunicação institucional do governo.

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