Governo Lula suspende registros de imóveis de Willer Tomaz em Angra, incluindo área disputada por Richarlison

Governo Lula suspende registros de imóveis de Willer Tomaz em Angra, incluindo área disputada por Richarlison
- Richarlison, Wiiler Tomaz e Flávio bolsonaro disputam mansão em ilha de Angra (Divulgação Richarlison /...

A Secretaria do Patrimônio da União (SPU) suspendeu os registros patrimoniais de quatro imóveis do advogado Willer Tomaz na Ilha Comprida, em Angra dos Reis (RJ), incluindo o terreno disputado pelo jogador Richarlison.
A decisão, assinada pelo diretor de Gestão e Governança do órgão, Douglas Gualberto Carneiro, atende a uma representação da deputada federal Tábata Amaral (PSB-SP) e foi tomada após a identificação de possíveis irregularidades no processo administrativo que autorizou a ocupação dos terrenos da União durante o governo Jair Bolsonaro.
Entre os pontos investigados está a rapidez com que uma das autorizações foi concedida: menos de duas horas após a apresentação do pedido.
Medida busca impedir transferência de posse
A suspensão temporária dos Registros Imobiliários Patrimoniais atinge propriedades vinculadas à empresa imobiliária de Willer Tomaz.
Segundo a SPU, a medida tem como objetivo “restringir eventuais transferências de posse dos imóveis da União nos quais as edificações foram construídas”.
A decisão foi adotada com base no “princípio da cautela”, enquanto o órgão apura as circunstâncias em que os direitos de ocupação foram concedidos.
A SPU também levou em consideração anotações feitas nas matrículas dos imóveis por determinação judicial.
Autorização foi concedida em menos de duas horas
Uma das principais questões investigadas envolve o processo de autorização de ocupação de um terreno na Ilha Comprida.
Segundo documentos administrativos, a solicitação foi apresentada às 11h33 de 11 de julho de 2022 e aprovada às 13h13 do mesmo dia, em favor da empresa M Locadora de Veículos e Transportes Turísticos, ligada a Tomaz.
O órgão também identificou a ausência de comprovação da regularidade das obrigações do ocupante perante a União.
Quase dois anos depois, um servidor da própria SPU reconheceu que uma orientação interna utilizada para fundamentar a autorização não havia sido anexada ao processo.
Em outubro deste ano, o órgão ainda buscava esclarecer se a área reivindicada pela empresa de Richarlison correspondia ao terreno identificado no cadastro patrimonial utilizado na transferência para Tomaz.
Richarlison acusa Flávio Bolsonaro de envolvimento na disputa
O conflito judicial começou em 2020, quando Richarlison afirma ter investido R$ 10 milhões na compra de uma mansão na região, por meio de uma empresa da qual é sócio.
O atacante acusa o senador Flávio Bolsonaro (PL) de ter se aliado a Willer Tomaz para retirar dele os direitos sobre o imóvel.
Flávio Bolsonaro nega qualquer envolvimento na disputa, embora tenha visitado a propriedade e sido incluído como testemunha no processo judicial.
Tomaz, por sua vez, sustenta que sua empresa adquiriu legalmente os direitos de ocupação e argumenta que Richarlison negociou com posseiros que não tinham legitimidade sobre o terreno.
Outros parlamentares também acionaram a SPU
Além de Tábata Amaral, o deputado federal Rogério Correia (PT-MG) e a organização Quebrando Muros apresentaram solicitações semelhantes ao órgão federal.
As anotações foram encontradas após a divulgação de que a matrícula da mansão reivindicada por Richarlison havia sido bloqueada por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
As restrições atingem outros três imóveis e indicam a indisponibilidade dos bens registrados em nome da empresa.
A disputa já havia ganhado repercussão nacional durante a campanha presidencial de 2026, quando Luiz Inácio Lula da Silva acusou Tomaz de tomar o terreno do jogador e prometeu solicitar uma investigação da Polícia Federal sobre o episódio.

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