O ministro Edson Fachin, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), homologou nesta sexta-feira (6) a delação premiada de João Carlos Mansur, fundador e ex-presidente da Reag Investimentos, investigado por suspeitas de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master.
O acordo, firmado com a Procuradoria-Geral da República (PGR), prevê o pagamento de R$ 40 milhões em multas e reúne 17 anexos com informações sobre possíveis crimes financeiros, incluindo desvio de recursos por meio de fundos offshore e utilização de laranjas.
PGR pediu urgência na análise do acordo
Em 25 de outubro, a Procuradoria-Geral da República solicitou a Fachin uma análise imediata da proposta de colaboração.
Os procuradores alegaram que havia risco de desvalorização dos ativos financeiros dos investigados, que poderiam ser utilizados para reparar eventuais prejuízos em caso de condenação.
O valor de R$ 40 milhões previsto no acordo corresponde ao montante que Mansur recebeu da Reag durante o período de funcionamento da empresa.
O executivo foi alvo de buscas e apreensões em janeiro deste ano, durante a segunda fase da Operação Compliance Zero, que investiga suspeitas de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master e a tentativa de aquisição da instituição pelo Banco de Brasília (BRB), ligado ao Governo do Distrito Federal.
A Reag Investimentos foi liquidada pelo Banco Central por “graves violações” às normas do Sistema Financeiro Nacional.
A empresa também apareceu nas investigações da Operação Carbono Oculto, sob suspeita de envolvimento em esquemas de lavagem de dinheiro ligados ao crime organizado.
Fundos de investimento e operações com Daniel Vorcaro
Segundo o UOL, Mansur relatou à PGR e à Polícia Federal que a Reag prestava serviços ao Banco Master e a Daniel Vorcaro desde 2019, quando o banqueiro assumiu o controle da instituição.
A atuação envolvia a estruturação de operações por meio de fundos de investimento.
Em sua colaboração, Mansur afirmou que fundos administrados pela Reag teriam sido utilizados para desviar recursos do Banco Master, com o emprego de laranjas e estruturas financeiras no exterior.
O empresário entregou documentos sobre essas transações e detalhou negociações que teriam sido realizadas diretamente com Vorcaro.
Em um dos anexos, identificou pessoas que figuravam como cotistas de fundos de investimento em nome do banqueiro.
Um dos casos envolve o Jaguar Multimarket Fund Ltd, registrado nas Ilhas Cayman, para o qual o Banco Master teria transferido R$ 494 milhões.
Formalmente, o beneficiário do fundo é Benjamim Botelho, parceiro de negócios do Master e ex-proprietário da Sefer, gestora também investigada na Operação Compliance Zero.
Mansur, porém, afirmou que o verdadeiro proprietário do fundo seria Daniel Vorcaro.
A declaração integra o relato atribuído ao colaborador e ainda não foi confirmada por decisão judicial.
Fachin homologa delação de fundador da Reag sobre fraudes no Banco Master
💬 Comentários (0)
Seja o primeiro a comentar!