Efeito Lula: Fim da taxa das blusinhas faz compras internacionais dispararem

Efeito Lula: Fim da taxa das blusinhas faz compras internacionais dispararem
- Presidente Lula - Foto: Ricardo Stuckert

As compras internacionais feitas por brasileiros em plataformas digitais aceleraram em 2026 após a mudança na tributação de remessas de baixo valor. Dados da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit) mostram que 26,5 milhões de encomendas foram declaradas em agosto, alta de 74% em relação ao mesmo mês de 2025.
O valor movimentado também cresceu no período. As compras passaram de US$ 294 milhões para US$ 526 milhões, aumento de 79% em um ano, segundo o levantamento elaborado a partir das informações do Programa Remessa Conforme.
O avanço ocorreu após a redução a zero do Imposto de Importação federal para compras de até US$ 50 realizadas em plataformas certificadas pelo programa. A mudança passou a valer em maio de 2026 e manteve a cobrança do ICMS estadual, com alíquotas entre 17% e 20%.
Os dados indicam que o crescimento das compras estrangeiras ganhou ritmo ao longo do ano. Entre janeiro e abril, o Brasil registrava uma média mensal de 15,4 milhões de remessas internacionais. O volume subiu para 20 milhões em maio, alcançou 28 milhões em junho e permaneceu acima de 26 milhões nos meses seguintes.
O movimento também aparece no valor médio das compras. A média mensal saiu de US$ 308 milhões nos quatro primeiros meses do ano para aproximadamente US$ 520 milhões entre maio e agosto.
A expansão acompanha o crescimento das plataformas internacionais de comércio eletrônico, como Shopee, AliExpress e Shein, que ampliaram a oferta de produtos importados diretamente aos consumidores brasileiros.
A Abit afirma que o avanço das remessas aumenta a concorrência com fabricantes nacionais, especialmente nos setores de moda e confecção. A entidade defende mudanças nas regras tributárias e regulatórias para aproximar as condições entre produtos importados e brasileiros.
Segundo dados citados pela associação a partir do IBGE, a produção têxtil recuou 6,8% em julho na comparação anual, enquanto a produção de vestuário caiu 8,2%.
A nova regra tributária foi consolidada pela Lei 15.502, sancionada em setembro. A medida reduziu a zero o Imposto de Importação para compras de até US$ 50 em empresas participantes do Remessa Conforme.

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