Uma cartilha entregue pela Diocese de São João da Boa Vista, em São Paulo, viralizou nas redes sociais por divulgar “orientações diocesanas” para as eleições de 2026 alinhadas à defesa da democracia, dos mais pobres e do meio ambiente. O material foi rapidamente acusado por bolsonaristas de fazer campanha para o presidente Lula (PT) e para a esquerda.
No material, que tem como tema “Como preservar a democracia?”, a Igreja Católica pede votos alinhados aos ensinamentos de Jesus e cita algumas das passagens da Bíblia que falam sobre amor, ajuda aos mais pobres e perdão. Em seguida, a cartilha apresenta “critérios para escolhas de candidatos com base em valores cristãos”. São eles:
“Um Projeto fundamentado no amor – “O amor é o pleno cumprimento da lei” (Rm 13, 10). Não votem em candidatos que: propagam ódio, defedem pena de morte, armas indiscriminadas, discriminam mulheres, negros, indígenas e pobres ou que neguem a crise climática.”
“Um Projeto fundamentado no perdão e na misericórdia –“Todos vocês são irmãos” (Mt 23, 8). Não votem em pessoas que defendam projetos que incentivam a violência como solução, pois isso aumenta a insegurança e atinge principalmente os mais vulneráveis.”
“Um Projeto fundamentado na promoção da VIDA, maior dom que Deus nos deu – “Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância” (Jo 10, 10). Votem em pessoas que defendam a vida desde a concepção até a morte natural, rejeitando aborto, redução da maioridade penal, eutanasia e injustiças sociais que causam morte evitavel. Valorize aqueles e aquelas que defendem a moradia como direito inalienável e não como mercadoria.”
“Um Projeto fundamentado no serviço aos mais pobres – “Todas as vezes que vocês fizeram isso a um dos menores de meus irmãos, foi a mim que o fizeram” (Mt 25, 40). Priorizem candidatos com compromisso genuíno com os mais necessitados, refletindo a opção preferencial pelos pobres, proposta por Jesus no Evangelho.”
“Um projeto que respeite o Meio Ambiente. Apoiem projetos que combatem desmatamento, poluição e perda de biodiversidade, garantindo justiça ambiental e proteção dos biomas, especialmente em favor dos mais vulneráveis.”
No final do documento, a Diocese afirma que o objetivo do documento é oferecer critérios para a escolha de políticos alinhados aos ensinamentos de Jesus.
“A nossa esperança e desejo é oferecer critérios para a escolha de homens e mulheres, não que sejam perfeitos, mas que pelo menos busquem exercer a boa política que constroi pontes e aproxima fraternalmente as pessoas numa grande amizade social. Politicos serão construtores de uma sociedade mais justa, fraterna, igualitária, onde a compaixão supere o ódio e a paz vença todo e qualquer tipo de violência, instaurando o Reino de Deus e buscando, como cidadãos, construir a Civilização do Amor”, afirma a cartilha.
Repercussão entre bolsonaristas
Nas redes sociais, alguns apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e de seu filho candidato à presidência, Flávio Bolsonaro (PL), criticaram a cartilha e acusaram a Igreja Católica de fazer propaganda para o presidente Lula e para a esquerda, mesmo que no documento não tenha referência a nenhum candidato.
Nos comentários de uma publicação feita por uma apoiadora da família Bolsonaro, em que são marcados o candidato a vice-presidente Alfredo Gaspar, a deputada Júlia Zanatta e o candidato a presidente Flávio Bolsonaro, todos do PL, um internauta afirma que “jogou” imagens da cartilha “nos seus grupos de armamentistas”. “Vamos ver o que consigo fazer…”, diz.
Outro diz que “os vermelhinhos da CNBB nem disfarçam mais“, em referência à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, que vem se manifestando contra discursos de ódio, intolerância e radicalismos.
Uma outra internauta afirma que a cartilha significa que “política dentro da igreja católica incentivando o socialismo comunista. Que isso?“.
Em outros comentários, internautas defendem “denunciar” a cartilha do Vaticano e “prender” líderes da CNBB. Um outro diz que a distribuição de cartilhas como essa “não é geral” “depende do Bispo, se for um comunista realmente fazem isso, campanha política na Igreja, o que é altamente grave e passível de excomunhão“.
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