O deputado federal Orlando Silva (PCdoB-SP) acionou, nesta quarta-feira (23), o Ministério Público Federal (MPF) contra a Meta, empresa dona do Instagram e do Facebook, após a retirada do ar do perfil oficial da série jornalística “Revelando”, que trazia um panorama sobre o envolvimento de Daniel Vorcaro, Flávio Bolsonaro, Nikolas Ferreira, André Valadão e outros políticos.
Na representação, o parlamentar pede a abertura de procedimento para investigar os critérios utilizados pela plataforma e cobra transparência sobre os mecanismos de moderação de conteúdo. Apesar da Meta já ter restaurado o perfil, a empresa não apresentou justificativas para ter retirado o conteúdo do ar.
LEIA TAMBÉM: Da Lagoinha ao Master: as conexões entre Vorcaro, Valadão, Nikolas e Flávio Bolsonaro
O que aconteceu
O perfil @revelando.brasil foi retirado do Instagram na manhã desta quarta-feira após publicação do episódio “Grandes Igrejas, Master Negócios”, apresentado por Fábio Porchat alcançar mais de 6 milhões de visualizações. Segundo os responsáveis pelo projeto, a plataforma informou apenas que o conteúdo não estaria de acordo com seus “padrões”, sem detalhar qual regra teria sido violada. Horas depois, a página foi restabelecida, também sem uma explicação pública detalhada sobre a suspensão.
No vídeo, Porchat aborda relações envolvendo o Banco Master, lideranças da Igreja Batista da Lagoinha e personagens da política brasileira, como o senador e candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL) e o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG).
Para Orlando, o episódio reacende um debate central sobre o enorme poder exercido pelas grandes plataformas digitais sobre a circulação de informação e o debate público. “Não estamos discutindo apenas uma conta retirada do ar. Estamos falando sobre quem controla o espaço público digital e quais limites existem para esse poder”, afirma o deputado.
“Se uma plataforma decide retirar conteúdo jornalístico de relevante interesse público, ela precisa dizer de forma transparente qual regra foi aplicada, por que foi aplicada e quem tomou essa decisão. Liberdade de expressão não pode ficar submetida a uma caixa-preta algorítmica.”, acrescenta Orlando.
Liberdade de expressão e acesso à informação
Na representação encaminhada ao MPF, o deputado sustenta que a retirada de conteúdos jornalísticos sem fundamentação clara pode representar violação às garantias de liberdade de expressão e de acesso à informação e questiona a falta de transparência nos processos de moderação das grandes plataformas.
O documento argumenta ainda que empresas como a Meta ocupam posição central na comunicação contemporânea e, justamente por isso, seus procedimentos de moderação não podem funcionar de maneira opaca ou arbitrária. A representação critica especificamente a utilização de justificativas genéricas relacionadas aos “padrões da comunidade” sem a apresentação dos critérios concretos que motivaram uma suspensão.
“As Big Techs não podem ter poder absoluto para decidir, sem prestar contas a ninguém, aquilo que milhões de brasileiros podem ou não acessar. Defender regras democráticas para as plataformas não significa impedir a moderação de conteúdo. Significa exigir transparência, responsabilidade e devido processo. É uma discussão sobre soberania, democracia e liberdade de informação no ambiente digital”, afirma Orlando.
O que o deputado pede ao MPF
A representação solicita que o Ministério Público Federal instaure Inquérito Civil ou Procedimento Preparatório para apurar a atuação da Meta na retirada do perfil e dos conteúdos do “Revelando”.
Também pede que a empresa seja notificada a apresentar relatórios técnicos, registros de sistema, logs de auditoria e informações sobre os parâmetros algorítmicos ou eventuais intervenções humanas que levaram ao bloqueio e, posteriormente, ao restabelecimento da conta.
Por fim, Orlando requer que, constatadas irregularidades, o Ministério Público avalie a adoção das medidas administrativas e judiciais cabíveis, inclusive eventual Ação Civil Pública destinada a assegurar maior transparência e devido processo na moderação de conteúdos pelas plataformas digitais.
“O fato de o perfil ter voltado ao ar não encerra a questão. Pelo contrário: é preciso saber por que caiu, quais critérios foram empregados e o que impede que situações semelhantes se repitam. Uma democracia não pode naturalizar decisões opacas de empresas privadas capazes de interferir diretamente na circulação de informações de interesse público”, conclui Orlando.
Deputado aciona MPF contra Meta após derrubada de série sobre relações entre Master e Lagoinha
💬 Comentários (0)
Seja o primeiro a comentar!