“Escorpião do PCC”: hacker apagou mandado de criminoso que recebeu R$ 12 mi de Karina Gama, de Dark Horse

“Escorpião do PCC”: hacker apagou mandado de criminoso que recebeu R$ 12 mi de Karina Gama, de Dark Horse
- Karina Gama, Mario Frias e Alex Bispo dos Santos, o "Escorpião do PCC" (Divulgação ICB / Polícia Civil de SP)

Alvo da Operação Make Up, juntamente com Karina Gama e Mário Frias (PL-SP), produtores de Dark Horse, Alex Leandro Bispo dos Santos, conhecido como “Escorpião do PCC”, teve o mandado de prisão por feminicídio apagado no Banco Nacional de Monitoramento de Prisões (BNMP), sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Membro da facção criminosa, ele é acusado de matar a mulher, Maria Katiane Gomes da Silva, de 25 anos, e está foragido.
A alteração dentro do sistema do CNJ, que teria sido feita por um hacker, foi identificada apenas no dia 16 de setembro pelo Ministério Público de São Paulo. Seis dias antes, Bispo dos Santos foi um dos alvos da operação da PF, autorizada pelo ministro Flávio Dino, que tinha investiga suspeitas de desvio de recursos públicos provenientes de emendas parlamentares e repassados a organizações da sociedade civil.
Segundo a investigação, Bispo Santos era dono da empresa Favela Conectada Serviço e Tecnologia Ltda, que recebeu R$ 12 milhões em repasses do Instituto Conhecer Brasil (ICB), de Karina Gama, para instalação de 2 mil pontos de internet. O repasse é parte dos R$ 114 milhões pagos pelo prefeito Ricardo Nunes (MDB), de São Paulo, ao ICB para prestação do serviço, que foi terceirizado.
A alteração no sistema do CNJ, que retirou o mandado de prisão, teria ocorrido no dia 23 de agosto, após a justiça revogar a decisão do juiz Antonio Carlos Pontes de Souza, da 5ª Vara do Tribunal do Júri, na Barra Funda, que havia tirado Bispo Santos da prisão preventiva.
Ele estava preso desde fevereiro, acusado de matar a esposa ao jogá-la do 10º andar de um prédio na Zona Sul de São Paulo, mas foi solto por decisão judicial em 10 de agosto.
Para modificar o sistema e apagar o mandato de prisão, o hacker teria utilizado o perfil da juíza titular da Vara Judicial da Comarca de Planalto, no Rio Grande do Sul, que comunicou a justiça paulista que a senha e o acesso da juíza foi utilizada por terceiros para fazer alterações e emitir documentos de forma fraudulenta.
No dia 17 de setembro a justiça voltou a disponibilizar o mandato de prisão contra o “Escorpião do PCC”. No entanto, entre os dias 23 de agosto e 16 de setembro, período em que foi desencadeada a operação Make Up, o mandado de prisão dele não constava na base do CNJ.
Karina Gama e o “Escorpião do PCC”
A relação entre Alex, Karina e o contrato milionário já havia sido revelada pela Revista Fórum. A Favela Conectada entrou na cadeia de empresas contratadas pelo ICB para executar o programa de wi-fi gratuito da Prefeitura de São Paulo. O acordo firmado com a empresa de Alex tinha valor de R$ 12 milhões e previa a instalação de 2 mil pontos de internet.
Quando o contrato com o ICB foi firmado, Alex Leandro era o único sócio da Favela Conectada. A entidade presidida por Karina havia sido contratada pela gestão Ricardo Nunes (MDB) para instalar e manter pontos de internet gratuita nas periferias de São Paulo.
Documentos da prestação de contas mostram a Favela Conectada entre as principais terceirizadas do projeto. O contrato inicial previa R$ 12 milhões para a instalação dos pontos. Até o fim de 2025, a empresa já aparecia nas prestações de contas do ICB como beneficiária de pagamentos milionários.
Como a Fórum mostrou anteriormente, o Ministério Público de São Paulo aponta Alex como integrante do Primeiro Comando da Capital. Ele também é conhecido pelos apelidos de “Escorpião do PCC” e “Baianão”. Sua defesa já negou que o empresário integre a facção.

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