Ameaças contra candidatas acendem alerta na reta final das eleições

Ameaças contra candidatas acendem alerta na reta final das eleições
Larissa Amorim (Instituto Marielle Franco), Gisele Barbieri (Terra de Direitos), Polianna Pereira dos Santos (Rede A...

A poucos dias do primeiro turno, organizações da sociedade civil foram ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) cobrar medidas urgentes diante do que classificam como um agravamento da violência política de gênero e raça nas eleições de 2026.
A nota coletiva foi entregue nesta terça-feira (22), em Brasília, à coordenadora institucional do TSE Mulheres, Renata Gil. O documento pede ações para prevenir novos ataques, proteger as vítimas e responsabilizar os autores.
Entre as entidades estão Instituto Marielle Franco, Justiça Global, Terra de Direitos, Mulheres Negras Decidem, Criola e Instituto Alziras.
“A democracia não pode exigir das mulheres que aceitem ameaças de estupro, racismo, exposição de suas famílias, agressões físicas ou risco de morte como preço para participar da vida pública”, afirmam.
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Ameaças em plena campanha
O documento reúne episódios envolvendo Marina Silva, Duda Salabert, Brisa Bracchi, Natália Bonavides, Ana Elisa Santos Silva, Bella Gonçalves, Anielle Franco, Fernanda Klitzke e Jack Rocha.
Os casos têm circunstâncias próprias e estão em diferentes estágios de apuração, mas incluem ameaças de morte e violência sexual, racismo, homofobia, agressões físicas e exposição de dados pessoais e familiares.
As entidades também alertam para o papel das redes sociais na disseminação dos ataques e para casos de doxxing, quando informações pessoais são expostas publicamente.
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Mulheres negras entre as principais vítimas
Pesquisa da Justiça Global e da Terra de Direitos contabilizou 714 episódios de violência política entre novembro de 2022 e outubro de 2024, sendo 274 contra mulheres cis, trans e travestis.
Outro levantamento, do Instituto Marielle Franco, analisou 77 casos registrados entre 2021 e 2025 e apontou que 87% das vítimas eram mulheres negras. Em 63% das ameaças de morte analisadas, havia referência ao assassinato de Marielle Franco.
Cobrança ao TSE
As organizações pedem que o TSE trate o enfrentamento à violência política de gênero e raça como prioridade nesta reta final da eleição.
Entre as medidas estão o fortalecimento dos canais de denúncia e proteção, maior articulação entre as instituições responsáveis pelos casos e mecanismos para preservar provas de ataques cometidos no ambiente digital.
A cobrança chega no momento em que o próprio TSE amplia iniciativas sobre o tema. Para as entidades, entretanto, além de receber as denúncias, é necessário garantir investigação, proteção às vítimas e responsabilização dos autores.

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