Avião, financiamento e mais: 5 vezes em que Flávio Bolsonaro mentiu sobre sua relação com Vorcaro

Avião, financiamento e mais: 5 vezes em que Flávio Bolsonaro mentiu sobre sua relação com Vorcaro
- Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro - Fotos: Pedro França/Agência Senado e Divulgação/Banco Master

A relação entre Flávio Bolsonaro (PL) e Daniel Vorcaro foi sendo revelada aos poucos. Em março, o candidato afirmava nunca ter tido contato com ex-dono do Banco Master. Meses depois, já havia admitido encontros e negociações envolvendo milhões de reais para financiar um filme sobre Jair Bolsonaro.
Flávio viajou em um avião que tinha entre seus cotistas uma empresa ligada a Vorcaro.
Relembre as principais mudanças de versão e revelações sobre a relação.
1. “Nunca tive contato”
Em março, quando seu telefone apareceu entre os contatos de Vorcaro, Flávio afirmou que nunca havia tido contato com o banqueiro.
Dois meses depois, admitiu que o conhecia desde dezembro de 2024 e que havia tratado pessoalmente com ele do financiamento de Dark Horse, filme sobre Jair Bolsonaro.
Registros analisados pela Polícia Federal apontam contatos entre os dois desde aquele período.
Leia: Flávio Bolsonaro voou em jato de Vorcaro um dia antes de cobrar repasse milionário a ‘Dark Horse’
2. Era “mentira”; horas depois, virou “patrocínio”
Em maio, questionado sobre dinheiro de Vorcaro destinado ao filme, Flávio respondeu: “É mentira, de onde você tirou isso? É mentira, pelo amor de Deus.”
Cerca de seis horas depois, reconheceu que havia procurado o banqueiro em busca de financiamento para a produção.
As negociações discutiam valores que poderiam chegar a R$ 134 milhões. Flávio nega ter recebido vantagem pessoal ou oferecido contrapartidas.
3. Mensagens revelaram meses de contato
As investigações também revelaram mensagens trocadas ao longo de 2025.
Em setembro, Flávio cobrou parcelas relacionadas ao financiamento. Em novembro, na véspera da prisão de Vorcaro, escreveu ao banqueiro: “Irmão, estou e estarei contigo sempre”.
Flávio afirma que os contatos estavam relacionados ao projeto cinematográfico.
Leia: Asas da hipocrisia: jatinho de Vorcaro e dupla moral do bolsonarismo
4. “Não vai ter surpresinha”; depois, outro encontro
Em 15 de maio, Flávio afirmou que não apareceriam novas informações relevantes sobre sua relação com Vorcaro.
“Não vai ter surpresinha. Não virão coisas novas”, declarou.
Quatro dias depois, ele confirmou que havia se encontrado pessoalmente com o banqueiro após sua primeira prisão, em novembro de 2025. Segundo Flávio, a conversa serviu para encerrar a participação de Vorcaro no financiamento do filme.
5. Agora, o avião “era de Willer”
Nesta quinta-feira (24), Flávio confirmou ter viajado dos Estados Unidos para Brasília, em janeiro de 2025, em um Legacy 650 que tinha entre seus cotistas uma empresa da qual Vorcaro era sócio.
Ao responder sobre o episódio, afirmou que o avião “era de Willer”, referindo-se ao advogado Willer Tomaz, alvo da PF no escândalo das fraudes do INSS, insinuando que o veículo não seria do dono do Master. O problema é que tanto Tomaz quanto Vorcaro possuíam participação na propriedade do avião.
Uma relação conhecida aos poucos
O que começou com a afirmação de que Flávio “nunca teve contato” com Vorcaro terminou com uma relação documentada desde dezembro de 2024, negociações milionárias, mensagens e encontros presenciais.
Flávio sustenta que os contatos estavam ligados ao financiamento privado do filme sobre Jair Bolsonaro, nega vantagens pessoais ou contrapartidas e afirma não ter cometido irregularidades.
As informações conhecidas até agora mostram, que a extensão dessa relação foi aparecendo gradualmente — algumas vezes depois de negativas ou declarações mais restritivas dadas pelo próprio candidato.

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