Com bets sob pressão, clubes recorrem ao governo e negociam crédito do BNDES

Com bets sob pressão, clubes recorrem ao governo e negociam crédito do BNDES
- Imagem Ilustrativa - Foto: Bruno Peres/Agência Brasil

O futebol brasileiro entrou de vez no debate sobre o futuro das bets. Enquanto clubes pressionam contra possíveis restrições ao setor, equipes das Séries A e B do Brasileirão negociam com o governo federal a criação de uma linha de crédito do BNDES para aliviar suas próprias dívidas.
A proposta permitiria aos clubes contratar empréstimos com juros inferiores aos encontrados no mercado. O dinheiro seria destinado principalmente ao pagamento de dívidas, embora também esteja em discussão a possibilidade de financiar melhorias de infraestrutura.
A CBF participa das conversas como articuladora, mas não colocaria recursos no projeto. O Ministério do Esporte também acompanha a discussão. Valores, condições e critérios para obtenção do crédito ainda não foram definidos.
Leia: Famílias perderam R$ 62,5 bilhões para bets e impacto chegou ao PIB, diz estudo
Clubes temem impacto das restrições às bets
O movimento acontece justamente quando o governo discute novas restrições aos jogos de cassino on-line.
As apostas esportivas não são o alvo direto da possível medida, mas os clubes temem que uma redução das atividades das empresas afete um mercado que se tornou uma das principais fontes de patrocínio do futebol brasileiro.
A estimativa apresentada nas negociações é de que as bets movimentem cerca de R$ 1 bilhão por ano somente em patrocínios nas camisas dos clubes da Série A.
Na semana passada, clubes e federações divulgaram um manifesto afirmando que restrições poderiam representar o “fim do futebol brasileiro”. Lula rebateu a pressão e lembrou que os principais clubes do país já conquistavam títulos antes da expansão das casas de apostas.
O argumento do governo coloca do outro lado da balança um problema que vai além das receitas do futebol. Lula tem defendido restrições mais duras aos jogos on-line diante dos impactos das apostas sobre renda, endividamento e saúde das famílias, especialmente entre a população de menor renda.
A discussão, portanto, expõe dois interesses distintos: de um lado, clubes que passaram a depender de contratos milionários com casas de apostas; de outro, a tentativa do governo de ampliar a proteção dos consumidores diante dos efeitos associados à expansão do jogo on-line.
É nesse cenário que os times negociam uma alternativa para reorganizar suas contas, e dessa vez, por meio de crédito do BNDES.
Leia: Lula decidiu proibir bets e deve se reunir com clubes de futebol
Corinthians e Inter puxam negociação
Corinthians e Internacional, que enfrentam dificuldades financeiras e transfer bans da Fifa, estão entre os principais articuladores da proposta.
A discussão também envolve o novo sistema de Fair Play Financeiro da CBF. O argumento apresentado pelos clubes é que regras mais rígidas de governança e controle financeiro poderiam reduzir os riscos na concessão dos empréstimos.
Diferentemente de antigos programas de refinanciamento tributário, a proposta permitiria lidar também com outros tipos de dívida.
Por enquanto, não há linha de crédito aprovada nem definição sobre quanto o BNDES poderia disponibilizar. As conversas devem avançar após as eleições.

Ver mais

💬 Comentários (0)

Seja o primeiro a comentar!