Colégio eleitoral: Argentina lidera votos brasileiros na América Latina

Colégio eleitoral: Argentina lidera votos brasileiros na América Latina
- Imagem Ilustrativa - Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

A Argentina é o país com o maior colégio eleitoral de brasileiros na América Latina, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). São 13.138 eleitores aptos a votar, com Buenos Aires respondendo por 11.873 desses registros, equivalente a 90,4% do total.
O número supera o Paraguai, que abriga a maior comunidade brasileira da região, mas reúne menos eleitores cadastrados. Nenhuma outra cidade latino-americana chega perto desse número.
A comparação com o Paraguai revela uma disparidade significativa. O país vizinho abriga a maior comunidade brasileira da América Latina, estimada em 270 mil pessoas, mas registra apenas 9.225 eleitores aptos.
Ciudad del Este, a cidade paraguaia com mais votantes brasileiros, soma 5.102 registros, menos da metade do total argentino e uma fração do que Buenos Aires concentra.Ter comunidade grande não equivale, portanto, a ter eleitorado expressivo.
Perfil dos eleitores
O levantamento “Características Demográficas da População Brasileira Residente na Argentina”, produzido pelas coordenadoras do Núcleo do PT na Argentina, Danielle Santana e Renata Codas, traça um perfil claro desse eleitorado: jovem, feminino e universitário.
Dois em cada três eleitores são mulheres (66%), e 60% têm até 39 anos, com a faixa de 25 a 29 anos sendo a mais numerosa, representando 22,5% do total. A escolaridade é alta: 56,7% são universitários ou já concluíram o ensino superior, e quase 90% têm ao menos o ensino médio completo, proporção acima da média do eleitorado brasileiro no exterior em geral.
Para além de Buenos Aires, haverá zonas eleitorais em Córdoba, Mendoza, Paso de los Libres e Puerto Iguazú. Na capital, serão 15 seções com 30 urnas disponíveis. Nas demais cidades, cada uma contará com apenas uma urna.
Diante do aumento expressivo de votantes registrado em 2022, que gerou horas de espera, o consulado em Buenos Aires adotará uma medida logística: os eleitores serão divididos por seção antes de entrar no local de votação, para evitar a formação de uma fila única.
Comparativo regional
No restante da América Latina, o eleitorado brasileiro é consideravelmente menor. México (3.975), Bolívia (3.627), Chile (3.569) e Uruguai (3.175) figuram entre os países com contingentes mais expressivos, mas todos ficam muito abaixo dos números da Argentina e do Paraguai.
O salto no eleitorado argentino tem origem política identificável, conforme o levantamento. Entre 2018 e 2022, o número de eleitores brasileiros no país cresceu 78%, impulsionado por uma campanha do Núcleo do PT na Argentina voltada à transferência de títulos eleitorais.
A iniciativa partiu da derrota do partido no primeiro turno de 2018 na Argentina, quando Bolsonaro venceu entre os universitários, e da vitória de Fernando Haddad no segundo turno, com 53,4% dos votos válidos.
O movimento passou a mapear a comunidade brasileira e a promover a participação eleitoral como exercício de direitos, sob o princípio de que migrar não significa abrir mão da cidadania.
O ciclo mais recente, porém, aponta reversão. Entre 2022 e 2026, o número de eleitores em Buenos Aires caiu 5,28%, com crescimento de apenas 392 pessoas em todo o país. “Em 2026, temos 5,28% eleitores a menos em Buenos Aires do que em 2022”, afirmou o cônsul-geral do Brasil em Buenos Aires, Raymundo Magno.
Tanto o consulado quanto o Núcleo do PT atribuem a queda ao aumento do custo de vida na Argentina, que teria reduzido a permanência de brasileiros no país e, consequentemente, o interesse em manter o título transferido.

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