O empresário Sérgio Augusto Guerra de Resende, responsável pela maior doação individual à campanha de reeleição de Nikolas Ferreira (PL-MG) em 2026, é investigado por estelionato em um inquérito policial que tramita no Pará. Ele destinou R$ 300 mil ao deputado e lidera o ranking de financiadores pessoas físicas da candidatura, conforme os dados da prestação de contas eleitoral.
O nome de Sérgio também figura entre os responsáveis listados pela Receita Federal em uma Representação Fiscal para Fins Penais (RFFP) da Companhia de Locação das Américas, a antiga Locamerica. O procedimento foi encaminhado ao Ministério Público Federal com tipificações que envolvem os artigos do Código Penal relativos a descaminho e contrabando.
A prestação de contas de Nikolas registra mais de R$ 2,1 milhões arrecadados. A doação de Sérgio o coloca isoladamente no topo dos financiadores, superando os R$ 200 mil repassados por Sérgio Fischer Teixeira de Souza e Robert Carlos Lyra. Os registros fiscais e eleitorais confirmam a mesma identidade do empresário em ambas as pontas.
Investigado por estelionato no Pará
O inquérito foi aberto em fevereiro de 2026 no Tribunal de Justiça do Pará. A consulta processual registra Sérgio na condição de investigado, com o assunto cadastrado como “Estelionato”. O procedimento permanece ativo.
A investigação tem como alvo a BM Rio Automóveis Ltda., concessionária da qual Sérgio é sócio-administrador, que figura nos autos como indiciada. Luis Fernando Memoria Porto e Renato Belo Pereira, que também mantêm participação societária na empresa, constam entre os investigados. O caso é conduzido pela Delegacia do Consumidor de Belém.
Em 20 de fevereiro, a juíza Gildes Maria Silveira Lima, da 1ª Vara do Juizado Especial Criminal de Belém, determinou a remessa dos autos ao Ministério Público pelo prazo de 30 dias. O processo registrou novas movimentações em março, abril e junho, e não há condenação ou denúncia formalizada contra o empresário nestes autos.
A rede de negócios e a cúpula da Localiza
Sérgio ingressou na sociedade da BM Rio em janeiro de 2022. Os outros dois investigados no processo paraense — Luis Fernando Memoria Porto e Renato Belo Pereira — também compõem o núcleo de comando da concessionária.
Sérgio e Luis Fernando mantêm negócios conjuntos no comércio de veículos e ocupam postos de comando na Localiza: Sérgio integra o Conselho de Administração, enquanto Luis Fernando atua como vice-presidente da companhia.
A Localiza informa em seu perfil corporativo que Sérgio atua há mais de 30 anos no setor automobilístico e participou da trajetória da Locamerica antes de sua incorporação pela empresa de aluguel de carros.
Receita Federal e o envio ao MPF
A antiga Locamerica está no centro do segundo procedimento envolvendo o empresário. A Receita Federal registrou a representação na área de Administração Aduaneira, encaminhada ao Ministério Público Federal em junho de 2023.
Na relação oficial de responsáveis publicada pela Receita, Sérgio aparece como sócio-administrador. Luis Fernando Memoria Porto, seu sócio na BM Rio e vice-presidente da Localiza, integra a mesma lista do Fisco.
O documento cita como tipificação do ilícito os artigos do Código Penal que disciplinam os crimes de descaminho e contrabando. A inclusão de um nome no rol de responsáveis de uma RFFP não equivale a denúncia criminal ou condenação judicial.
Nikolas tem sido alvo de outras apurações sobre as relações mantidas por pessoas de seu entorno. Como a Fórum mostrou em cobertura anterior, o parlamentar também esteve no centro de repercussões após conversas envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Maior doador de Nikolas é investigado por estelionato e aparece em representação fiscal enviada ao MPF
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