Bispo atacado por Allan dos Santos vai à Justiça e pede indenização de R$ 10 mil

Bispo atacado por Allan dos Santos vai à Justiça e pede indenização de R$ 10 mil
O bispo Dom Vicente de Paula Ferreira - Foto: CNBB NE3/Divulgação

O bispo Dom Vicente de Paula Ferreira recorreu à Justiça após se tornar alvo de uma série de ataques nas redes sociais atribuídos ao blogueiro bolsonarista Allan dos Santos, condenado por calúnia e foragido da Justiça brasileira nos Estados Unidos.
Segundo a Comissão Pastoral da Terra de Minas Gerais (CPT-MG), a ação sustenta que as manifestações contra o religioso ultrapassaram os limites da crítica e da divergência política e assumiram caráter pessoal, religioso e ofensivo, atingindo sua honra e dignidade.
Dom Vicente pede à Justiça a retirada dos conteúdos considerados ofensivos, a proibição de novas publicações da mesma natureza, uma retratação pública e o pagamento de R$ 10 mil por danos morais.
Os ataques ocorreram em diferentes plataformas e ganharam repercussão nos últimos dias, em meio à ofensiva de setores bolsonaristas contra integrantes da Igreja Católica e da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).
Allan dos Santos atacou Dom Vicente e bispos da CNBB
Como mostrou a Fórum, Allan dos Santos publicou uma sequência de ataques contra integrantes da Igreja Católica, utilizando insultos homofóbicos, palavrões e referências de caráter sexual.
Um dos principais alvos foi justamente Dom Vicente. Ao comentar uma publicação do bispo, Allan o chamou de “besta fera” e, durante a transmissão, também apareceu na tela uma mensagem em que o religioso era chamado de “cloaca de Satanás”, “mentiroso” e “maldito”. Em seguida, o blogueiro estendeu as agressões aos bispos da CNBB, utilizando expressões homofóbicas e de conteúdo sexual.
Dom Vicente havia se manifestado depois de ataques de Flávio Bolsonaro (PL) à CNBB. O religioso recordou ainda episódios de confronto entre Jair Bolsonaro e a entidade durante o governo anterior.
A escalada acontece em meio à disputa política envolvendo a Igreja Católica e setores da extrema direita. Nos últimos dias, aliados de Flávio passaram a atacar integrantes da CNBB depois da circulação da informação falsa de que o candidato pretendia retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil.
Condenação definitiva por calúnia
Allan dos Santos não é apenas investigado pela Justiça brasileira. Em maio deste ano, o Superior Tribunal de Justiça confirmou definitivamente sua condenação por calúnia contra a cineasta Estela Renner.
O processo teve origem em declarações feitas pelo blogueiro em 2017, relacionadas à exposição Queermuseu. Allan atribuiu à cineasta a intenção de incentivar o consumo de drogas por crianças. A condenação, inicialmente determinada pelo Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, estabeleceu pena de um ano, sete meses e um dia de detenção.
O Superior Tribunal de Justiça (STJ) manteve a condenação e os últimos recursos foram posteriormente rejeitados. O processo transitou em julgado em maio de 2026.
Separadamente, Allan tem uma ordem de prisão preventiva expedida pelo Supremo Tribunal Federal (STF) desde 2021 e permanece nos Estados Unidos. A prisão foi determinada no âmbito das investigações sobre a atuação de grupos responsáveis por ataques às instituições e pela disseminação de conteúdos contra o Estado Democrático de Direito.
Dom Vicente já foi alvo de ameaças
Os ataques não são inéditos na trajetória de Dom Vicente. O bispo, conhecido pela atuação em defesa de comunidades atingidas pela mineração e dos direitos humanos, já sofreu ameaças em razão de sua atividade pastoral.
Em 2022, a Assembleia Legislativa de Minas Gerais chegou a aprovar requerimento pedindo providências urgentes para garantir sua segurança. O documento registrava que Dom Vicente havia sido incluído no Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos em razão de “graves e constantes ameaças e ataques”.
Atualmente bispo de Livramento de Nossa Senhora, na Bahia, Dom Vicente preside a Comissão Episcopal para a Ecologia Integral e Mineração da CNBB. A própria entidade destaca sua atuação junto a comunidades atingidas pelos rompimentos das barragens de Mariana e Brumadinho e em conflitos envolvendo os impactos da mineração.
Ao divulgar a nova ação judicial, a CPT-MG manifestou solidariedade ao religioso e afirmou estar preocupada com o uso crescente das redes sociais para ataques pessoais contra pessoas que atuam na defesa dos direitos humanos e de populações vulneráveis.

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