Senado: Bolsonaristas ficam a 10 votos de poder aprovar impeachment de ministros do STF

Senado: Bolsonaristas ficam a 10 votos de poder aprovar impeachment de ministros do STF
Plenário do Senado - Foto: Agência Senado

A bancada declaradamente bolsonarista no Senado, formada pelo PL e partidos aliados, alcançou 44 dos 81 senadores que estarão em exercício a partir de 2027, ficando a apenas 10 votos da maioria qualificada necessária para aprovar o impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). O resultado foi impulsionado pelo desempenho do PL nas eleições deste domingo (4), quando o partido do ex-presidente Jair Bolsonaro conquistou 19 das 54 vagas em disputa. Embora a bancada não tenha força suficiente para, sozinha, derrubar um ministro da Corte, a proximidade do quórum intensifica a pressão sobre o Judiciário e sinaliza um cenário de confronto institucional crescente.
Avanço bolsonarista no Senado
O PL foi o grande vencedor das disputas para o Senado neste domingo. O partido elegeu 19 senadores e, somando os nove com mandato vigente até 2031, passa a contar com uma bancada de 28 parlamentares na Casa, a maior do Senado. É o segundo melhor desempenho de um partido desde a Redemocratização: em 1986, o então PMDB elegeu 38 senadores na carona do Plano Cruzado.
Somando o PL aos partidos aliados que declararam apoio a Flávio Bolsonaro (PL) no primeiro turno, a bancada bolsonarista chega a ao menos 44 senadores. Esse número é suficiente para eleger o presidente do Senado e aprovar ou rejeitar a maioria das matérias legislativas, cuja maioria absoluta exige 41 votos.
O problema, para o bolsonarismo, está em uma pauta específica: o impeachment de ministros do STF. A Constituição exige maioria qualificada de dois terços para a remoção de um ministro da Corte, o que corresponde a 54 dos 81 votos. Com 44 senadores, a bancada bolsonarista está a exatos 10 votos desse quórum.
Implicações para o STF e a governabilidade
A distância de 10 votos não elimina a ameaça, apenas a condiciona. Para alcançar o quórum necessário e cassar, por exemplo, o ministro Alexandre de Moraes, o campo bolsonarista precisaria angariar apoio de integrantes do Centrão, como MDB, PSD, União Brasil, Progressistas e Republicanos, partidos que não embarcaram na campanha de Flávio Bolsonaro no primeiro turno. Moraes é o principal alvo da ofensiva bolsonarista: foi o relator do processo da trama golpista e condutor do julgamento que levou à prisão o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Levantamento da Folha de S.Paulo indicou que 116 dos 207 candidatos mais competitivos ao Senado apoiavam o afastamento de ministros do STF, número que atravessa campos partidários e revela que a pressão sobre o Judiciário não se restringe ao bolsonarismo raiz.

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