Flávio Bolsonaro bateu no teto do voto útil, avalia campanha de Lula

Flávio Bolsonaro bateu no teto do voto útil, avalia campanha de Lula
- Lula e Flávio Bolsonaro votam no primeiro turno (Nelson Almeida e Mauro Pimentel / AFP)

A campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pretende concentrar a ofensiva do segundo turno em regiões onde identifica espaço para recuperar votos e aposta que Flávio Bolsonaro (PL) teve parte de seu potencial eleitoral antecipado na primeira rodada da eleição. A avaliação de aliados do presidente é que a concentração de votos no candidato do PL na reta final reduziu sua margem para avançar no segundo turno.
Integrantes do governo e da campanha petista interpretam o resultado como consequência de um movimento de voto útil em torno de Flávio. A estratégia de parte do eleitorado de concentrar a oposição a Lula em um único candidato teria feito com que o senador recebesse, já no primeiro turno, votos que poderiam ter sido distribuídos entre outros concorrentes.
Com apenas dois nomes na disputa agora, os petistas acreditam que Lula terá condições de buscar eleitores que não votaram nele na primeira etapa. A campanha considera que a transferência de votos será decisiva para definir o resultado.
Norte e Nordeste
Um dos principais focos será o Norte e o Nordeste. De acordo com cálculos internos citados por aliados, Lula teria registrado nessas duas regiões uma perda superior a 3 milhões de votos em relação à votação obtida em 2022.
A tentativa de recuperar esse eleitorado deverá combinar presença política nessas regiões e medidas com impacto direto sobre a população. O reajuste do Bolsa Família, que começa a vigorar em 19 de outubro, é tratado como uma das iniciativas que podem contribuir para a estratégia. Os petistas também acompanham a votação da PEC 6×1 no Senado, prevista para esta semana.
Participação nos debates
A campanha deverá recomendar que Lula participe dos debates previstos para o segundo turno. A avaliação é que os confrontos diretos com Flávio podem ser utilizados para apresentar diferenças entre os dois candidatos e questionar a imagem construída pelo adversário como principal representante do bolsonarismo na disputa.
A propaganda eleitoral também deve ganhar uma nova configuração. A orientação é ampliar a exposição das diferenças entre Lula e Flávio e explorar aspectos da trajetória política do candidato do PL.
Outro ponto observado pelos aliados do presidente é o comportamento de lideranças que apoiam Flávio, mas já encerraram suas próprias disputas eleitorais. Tarcísio de Freitas (Republicanos), reeleito governador de São Paulo, e Cleitinho (Republicanos), eleito governador de Minas Gerais, são citados como exemplos de políticos cuja atuação na segunda etapa poderá não repetir o nível de mobilização registrado durante a campanha do primeiro turno.
“É um cenário difícil, mas não é impossível”, avaliou à coluna de Igor Gadelha, no Metrópoles, um influente ministro de Lula.
Votação pode mudar de um turno para outro
A campanha petista também usa resultados de eleições anteriores para argumentar que a votação da primeira rodada não determina necessariamente o desempenho final dos candidatos.
Em 2006, Geraldo Alckmin, então candidato do PSDB contra Lula, terminou o segundo turno com aproximadamente 2,4 milhões de votos a menos do que havia recebido na primeira etapa.
Quatro anos depois, em 2022, Jair Bolsonaro conseguiu ampliar sua votação em cerca de 7 milhões de votos no segundo turno. Mesmo assim, o crescimento não foi suficiente para superar Lula, que terminou eleito.

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