Apesar da onda bolsonarista, candidatos ligados a grandes igrejas evangélicas fracassam e não se elegem

Apesar da onda bolsonarista, candidatos ligados a grandes igrejas evangélicas fracassam e não se elegem
- RR Soares/Foto: Reprodução Instagram

A força do bolsonarismo nas eleições de domingo (4) também atingiu candidatos apoiados institucionalmente por algumas das maiores denominações evangélicas do país. Levantamento publicado pelo jornalista Demétrio Vecchioli, do Metrópoles, mostra que representantes de igrejas que tradicionalmente organizam candidaturas e direcionam votos perderam espaço nas urnas, enquanto outros candidatos evangélicos, sem vínculo institucional com essas denominações, conquistaram cadeiras no Legislativo.
Dois dos principais exemplos ocorreram em São Paulo. O pastor Samuel Ferreira, liderança do Ministério de Madureira da Assembleia de Deus do Brás, pretendia eleger quatro deputados no estado, mas nenhum dos nomes apoiados oficialmente pela denominação conseguiu uma vaga.
A derrota atingiu inclusive Cezinha de Madureira (PL), deputado federal e integrante da AD Brás. Com 60.596 votos, ele terminou na 21ª posição entre os candidatos do PL em São Paulo. O partido elegeu 19 deputados federais no estado. Segundo o Metrópoles, Cezinha ficou como segundo suplente e poderá assumir uma cadeira durante a legislatura, dependendo da abertura de vaga.
A estratégia da AD Brás previa uma divisão territorial do estado para concentrar votos em quatro candidaturas — duas para a Câmara e duas para a Assembleia Legislativa. O plano, entretanto, não se concretizou. Segundo a coluna de Demétrio Vecchioli, a votação dos candidatos ligados à denominação caiu em relação a 2022.
Na disputa pela Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), Oseias de Madureira (PL) recebeu cerca de 42 mil votos, enquanto Elias de Madureira (PL) teve aproximadamente 32 mil. Em 2022, Oseias havia alcançado 137 mil votos. De acordo com o Metrópoles, ele fez uma campanha menos intensa neste ano porque está em tratamento de saúde.
Rogério de Madureira (PL), que concorria à Câmara dos Deputados pelo interior paulista, obteve cerca de 31 mil votos. Também apoiada institucionalmente pela igreja, a vereadora Pastora Sanda Alves (União) não se elegeu e terminou como primeira suplente da Federação União Progressista para a Câmara.
O resultado não atingiu, porém, todos os políticos que já tiveram ligação com a denominação. Alex Madureira, que se afastou da igreja e deixou de usar a referência à denominação em sua identificação política, foi reeleito deputado estadual pelo PL com 122 mil votos. Segundo a coluna, ele praticamente dobrou sua votação.
Filhos de RR Soares ficam sem mandato
Outro revés ocorreu entre os candidatos ligados ao pastor RR Soares, líder da Igreja Internacional da Graça de Deus. Os quatro filhos do religioso que buscavam a reeleição não conseguiram renovar seus mandatos.
Em São Paulo, David RR Soares terminou em décimo lugar entre os candidatos do Podemos, partido que elegeu seis deputados federais. Daniel Soares ficou na 14ª posição na chapa formada pela federação entre Progressistas e União Brasil, que conquistou nove cadeiras.
No Rio de Janeiro, Felipe RR Soares terminou como segundo suplente da federação formada por PSDB e Cidadania para a Assembleia Legislativa. Marcos RR Soares ficou como terceiro suplente em uma legenda que elegeu quatro deputados federais.
A família também não conseguiu eleger nomes para o Senado. André RR Soares e Marcelo Crivella, primo de André e ex-prefeito do Rio, concorreram pelo Republicanos, mas ficaram longe das duas vagas. Crivella recebeu 3,39% dos votos, enquanto Waguinho, que tinha André RR Soares como primeiro suplente, terminou com 0,73%.
Universal reelege Marcos Pereira, mas perde Edna Macedo
Na Igreja Universal do Reino de Deus, o resultado foi dividido. Marcos Pereira, presidente nacional do Republicanos, foi reeleito deputado federal por São Paulo.
Já Edna Macedo, irmã do bispo Edir Macedo, não conseguiu renovar o mandato de deputada estadual. Candidata pelo Republicanos, ela terminou como quinta suplente da legenda para a Assembleia Legislativa.
A Igreja do Evangelho Quadrangular também teve dificuldades para repetir o desempenho anterior. Depois de obter cerca de 180 mil votos com o pastor Carlos Cezar, que posteriormente deixou a Assembleia Legislativa para assumir uma vaga no Tribunal de Contas do Estado, a denominação lançou duas candidaturas pelo PL para ocupar o espaço.
Lucas Flores recebeu cerca de 52 mil votos e Suéli Gonçalves, 44 mil. Nenhum dos dois foi eleito. Eles terminaram como quarto e sexto suplentes, respectivamente. Jefferson Campos, por outro lado, foi eleito e cumprirá seu sétimo mandato em Brasília.
Ministério do Belém consegue eleger dois
Um dos resultados positivos entre as candidaturas institucionais veio do Ministério do Belém da Assembleia de Deus. A denominação, liderada pelo pastor José Wellington, conseguiu manter duas cadeiras em São Paulo.
Marta Costa (PSD), filha do líder religioso, foi reeleita deputada estadual. Paulo Freire (PL) também renovou o mandato de deputado federal.
O desempenho negativo das candidaturas ligadas às grandes denominações, porém, não ficou concentrado em São Paulo e no Rio de Janeiro.
No Amazonas, Silas Câmara (Republicanos), deputado federal com sete mandatos e ligado ao Ministério de Belém, não conseguiu a reeleição e ficou como primeiro suplente do partido. No Rio Grande do Sul, Fran Bayer (Republicanos), candidata ligada institucionalmente à Assembleia de Deus do Brás, também ficou fora da Câmara. Ela terminou como segunda suplente de uma bancada que elegeu dois deputados.
O balanço indica, segundo o Metrópoles, que a capacidade de algumas denominações de converter apoio institucional em votos não se repetiu em 2026. Em diferentes estados, candidatos ligados formalmente às igrejas ficaram fora do Legislativo, enquanto políticos identificados como evangélicos, mas sem vínculo institucional com essas estruturas, conseguiram conquistar espaço nas urnas.

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