Eleições 2026: Veja as candidaturas do MST eleitas em diferentes regiões do país

Eleições 2026: Veja as candidaturas do MST eleitas em diferentes regiões do país
- Matheus Alves/MST

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) conseguiu eleger oito representantes para o Legislativo nas eleições de 2026 neste domingo (4). São quatro deputados federais e quatro estaduais, eleitos pelo PT em diferentes estados e regiões do país. 
Para a Câmara dos Deputados, foram reeleitos Valmir Assunção (BA), Marcon (RS), João Daniel (SE). Além de Rosa Amorim (PE), que já era deputada estadual, e se tornou a primeira mulher Sem Terra a chegar à Câmara dos Deputados em Brasília.
Nas assembleias legislativas, o MST reelegeu Adão Pretto Filho (RS), Marina do MST (RJ) e Missias (CE). Além deles, Camilo Daniel (SE), que já havia ocupado o cargo de vereador em Aracaju, e agora vai ocupar pela primeira vez uma cadeira na Assembleia Legislativa de Sergipe.
Rosa Amorim foi a candidata à deputada federal mais votada do PT em Pernambuco, e Adão Pretto o segundo mais votado do Partido dos Trabalhadores no Rio Grande do Sul.
Entre as propostas assumidas pelas candidaturas eleitas, enquanto compromissos de campanha, estão o apoio à democratização do acesso à terra, incentivo à produção e cooperação de alimentos saudáveis e combate à fome, iniciativas de sustentabilidade e cuidado permanente com o meio ambiente, defesa da educação, saúde, cultura e diversidade.
Desde 2022 a organização definiu como estratégia a ocupação de cargos institucionais para avançar principalmente nas políticas de Reforma Agrária e da agricultura familiar.
Saiba a trajetória dos candidatos do MST eleitos
Deputados federais
Valmir Assunção (PT-BA)

Agricultor e liderança do MST, Valmir Assunção foi reeleito deputado federal pela Bahia.
Também foi secretário estadual de Desenvolvimento Social e Combate à Pobreza.
Teve atuação na implantação de políticas como o Estatuto da Igualdade Racial e de Combate à Intolerância Religiosa.
No Congresso, apresentou propostas voltadas à agricultura familiar, incluindo a Política Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica.
Em 2025, foi autor de 76 proposições e participou de 193 votações nominais.

Rosa Amorim (PT-PE)

Rosa Amorim é mulher negra, lésbica e artista, e foi a primeira deputada estadual mais jovem de Pernambuco.
Nascida no Assentamento Normandia, em Caruaru, pertence à primeira geração de assentados da Reforma Agrária nascida no local.
Construiu sua militância no movimento estudantil, no Levante Popular da Juventude e na UNE.
Em 2026, tornou-se a primeira mulher Sem Terra a ocupar uma cadeira na Câmara dos Deputados.
Sua atuação combina as pautas antirracista, feminista e popular com o combate à fome e a defesa da produção de alimentos.

Marcon (PT-RS)

Dionilso Marcon, assentado da Reforma Agrária e natural de Ronda Alta (RS), foi reeleito deputado federal.
Iniciou sua trajetória política no Sindicato dos Trabalhadores Rurais e posteriormente integrou a direção do MST.
Após quatro anos acampado, foi assentado em 1994, no Assentamento Capela, em Nova Santa Rita, onde vive e integra a COOPAN.
Foi deputado estadual por três mandatos antes de chegar à Câmara Federal, em 2010.
Em Brasília, apresentou mais de 180 projetos e defende os trabalhadores e suas organizações.

João Daniel (PT-SE)

João Daniel foi eleito deputado federal por Sergipe pela quarta vez, depois de ter sido deputado estadual entre 2011 e 2014.
Agricultor natural de São Lourenço D’Oeste (SC), ajudou a fundar o MST em Sergipe e foi coordenador estadual e nacional do movimento.
Na Câmara, já foi vice-líder do PT e presidiu a Comissão de Integração Nacional e Desenvolvimento Regional.
Defende a agricultura familiar, a reforma agrária e os direitos dos trabalhadores.
Entre suas propostas estão a Política Nacional de Proteção às Pessoas Neurodivergentes e a redução da conta de energia das cooperativas.

Deputados estaduais
Adão Pretto Filho (PT-RS)

Adão Pretto Filho foi reeleito deputado estadual no Rio Grande do Sul, como segundo candidato mais votado do PT.
Nascido em Miraguaí (RS), construiu sua trajetória política em torno da reforma agrária, agricultura familiar, agroecologia e defesa das mulheres.
Formado em Gestão Pública, foi vereador em Viamão e candidato a vice-prefeito do município.
Atualmente preside a Comissão de Cidadania e Direitos Humanos e coordena frentes parlamentares de combate à fome e à violência contra a mulher.
Também atua em defesa dos povos indígenas, comunidades quilombolas, educação pública e cozinhas solidárias.

Marina do MST (PT-RJ)

Marina do MST foi reeleita deputada estadual no Rio de Janeiro e foi a primeira mulher Sem Terra a ocupar uma cadeira na Alerj.
Nascida em Cascavel (PR), é filha de camponeses vindos de Minas Gerais e trabalhou como boia-fria.
Conheceu o MST durante uma missa realizada em um acampamento e decidiu integrar o movimento.
Na Alerj, preside a Comissão de Segurança Alimentar e aprovou leis voltadas à valorização das mulheres do campo.
Também possui projetos em tramitação sobre abastecimento alimentar e valorização dos alimentos agroecológicos e orgânicos.

Camilo Daniel (PT-SE)

Camilo Daniel foi eleito deputado estadual em Sergipe em 2026, depois de ter sido vereador de Aracaju.
É sociólogo e mestre em Desenvolvimento Territorial, além de filho de assentados da Reforma Agrária.
Nasceu e cresceu em um assentamento do MST, onde construiu sua trajetória de militância pela justiça social.
Sua atuação política inclui a defesa dos trabalhadores, da democratização do acesso à terra e da agricultura familiar.
Também defende soberania e segurança alimentar, moradia popular, educação e transporte públicos e pautas ambientais.

Missias (PT-CE)

Missias Dias foi reeleito deputado estadual pelo Ceará, com uma trajetória política construída nas bases sociais e ligada à defesa da terra e da justiça social.
Na Assembleia Legislativa, atua pela reforma agrária, soberania alimentar e produção de alimentos sem agrotóxicos.
Também trabalha por meio de leis, audiências públicas e articulações com secretarias estaduais.
É defensor do cooperativismo e da mecanização da agricultura familiar como formas de valorizar o trabalho no campo.
Entre suas prioridades estão ainda a regularização fundiária rural e urbana e o fortalecimento das organizações populares.

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