Quem é Ana Júlia Ribeiro, eleita deputada federal pelo Paraná

Quem é Ana Júlia Ribeiro, eleita deputada federal pelo Paraná
- Ana Júlia Ribeiro. Créditos: divulgação/Instagram

Ana Júlia Ribeiro (PT), eleita deputada federal pelo Paraná com 184.691 votos, a mais votada do partido no estado, tem uma trajetória política jovem e deve deixar a Assembleia Legislativa do estado para assumir, em 2027, o primeiro mandato na Câmara. A votação correspondeu a 2,96% dos votos válidos e colocou Ana Júlia na quarta posição entre os candidatos a deputado federal no Paraná.
É a terceira vez que disputa uma eleição pelo PT: a primeira foi como candidata a vereadora de Curitiba, em 2020, quando terminou como primeira suplente do partido; depois, em 2022, foi eleita para a Assembleia Legislativa; e agora vai à Câmara dos Deputados. Em 2020, recebeu 4.538 votos e foi a candidata mais jovem votada pelo partido na disputa pela Câmara Municipal de Curitiba.
Com apenas 16 anos, então estudante do Colégio Estadual Senador Manoel Alencar Guimarães, em Curitiba, Ana Júlia foi discursar na Assembleia Legislativa do Paraná em defesa das ocupações estudantis que ocorriam em escolas públicas do estado, movimento surgido em oposição a medidas do governo federal de Michel Temer, entre elas a reforma do ensino médio apresentada por meio de medida provisória e uma proposta de emenda constitucional que estabeleceria um teto para os gastos públicos.
No Paraná, centenas de escolas foram ocupadas por estudantes; na tribuna da Assembleia, em fala realizada em outubro de 2016 que ganhou projeção nacional, Ana questionou a quem pertenceria a escola pública e defendeu a legitimidade das ocupações. 
Em entrevista à imprensa poucos dias depois, afirmou que o movimento era organizado de forma horizontal e apartidária.
Ana só se filiaria ao Partido dos Trabalhadores em 2018, a convite de Lula. Ela passou da militância estudantil para a atuação político-partidária, com a educação pública como principal pauta.  
Em 2020, com apenas 20 anos, disputou pela primeira vez uma eleição por uma vaga na Câmara Municipal de Curitiba, quando recebeu 4.538 votos e terminou como primeira suplente do PT. Ela foi a candidata mais jovem votada naquele ano pelo partido.
Em 2022, assumiu temporariamente a cadeira de Renato Freitas em duas ocasiões, durante períodos em que o mandato dele havia sido cassado pela Câmara Municipal. A primeira passagem ocorreu de 4 a 7 de julho daquele ano; a segunda, de 23 de agosto a 9 de outubro. A Câmara Municipal registra que ela foi convocada como primeira suplente do PT e assumiu a cadeira de Renato Freitas após a cassação do mandato, retornando ao Legislativo municipal em agosto daquele ano.
Na segunda posse, ela tinha 22 anos e se tornou a vereadora mais jovem da 18ª legislatura da Câmara de Curitiba. Ainda em 2022, concorreu a uma cadeira na Assembleia Legislativa do Paraná, para a qual foi eleita com 51.845 votos, pelo PT.
Aos 22 anos, foi a parlamentar mais jovem da história da Assembleia Legislativa do Paraná. 
Os temas que marcaram sua atuação institucional foram direitos das mulheres e dos trabalhadores, saúde mental e direitos sociais. Ela ocupou posições em diferentes comissões, como a Comissão de Constituição e Justiça, a Comissão de Defesa dos Direitos da Juventude, a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher e a Comissão de Defesa dos Direitos da Criança, do Adolescente e da Pessoa com Deficiência.
Também assumiu a coordenação da Frente Parlamentar de Proteção à Saúde Mental, frente que passou a atuar, entre outros temas, no levantamento de informações sobre afastamentos de servidores públicos por problemas relacionados à saúde mental e na discussão de políticas de prevenção e cuidado.
A defesa da educação pública continua sendo sua principal plataforma política. Em 2024, ela atuou contra o programa Parceiro da Escola, criado pelo governo do Paraná para transferir a gestão administrativa e financeira de unidades da rede estadual a empresas privadas. Em dezembro daquele ano, Ana protocolou uma representação no Tribunal de Contas do Estado do Paraná pedindo a suspensão do programa e apontando, entre outros problemas, irregularidades no credenciamento das empresas.
Ela protocolou uma Ação Direta de Inconstitucionalidade no Tribunal de Justiça do Paraná contra uma nova etapa do Parceiro da Escola em 2025. A ação questionava o edital nº 139/2025, publicado pela Secretaria de Estado da Educação, e pedia a suspensão do processo. Segundo a parlamentar, havia irregularidades nos critérios utilizados pelo governo para selecionar as escolas que seriam incluídas no edital.
A candidatura à Câmara dos Deputados foi anunciada ainda durante o mandato estadual e contou com apoio público de Lula. Na campanha, Ana Júlia apresentou sua candidatura como uma continuidade da trajetória iniciada no movimento estudantil e desenvolvida nos Legislativos municipal e estadual. De acordo com ela, a candidatura surgiu após um convite do presidente Lula para ampliar sua atuação política no Congresso Nacional.
Dos 51.845 votos obtidos para deputada estadual em 2022, ela passou a 184.691 para deputada federal, resultado que consolidou a trajetória de crescimento. A votação de 2026 foi mais de três vezes superior à obtida quatro anos antes, embora as duas disputas tenham ocorrido para cargos diferentes e com todo o Paraná como circunscrição eleitoral na eleição para a Câmara dos Deputados.
Em mensagem publicada após o resultado, afirmou que a campanha deveria continuar nas ruas para trabalhar pela eleição de Lula. Também enfatizou a necessidade de ampliar a atuação em defesa da educação pública, dos direitos das mulheres, da saúde mental e dos trabalhadores.

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