Quem é Renato Freitas, eleito deputado federal pelo Paraná

Quem é Renato Freitas, eleito deputado federal pelo Paraná
- Renato Freitas. Créditos: divulgação/Instagram

Aos 42 anos, Renato Freitas (PT) é o primeiro homem negro eleito deputado federal pelo Paraná, com 115.227 votos nas eleições de 2026, realizadas no último domingo (4/10). Ele se une à deputada Carol Dartora (PT), que se tornou, em 2022, a primeira deputada federal negra do estado e foi reeleita em 2026.
A trajetória de Renato foi construída entre movimentos sociais, advocacia popular e diferentes instâncias do Legislativo; antes de tentar uma vaga federal, foi vereador de Curitiba e deputado estadual pelo Paraná.
Na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), onde exerce o mandato desde 2023, consolidou sua atuação em direitos humanos, igualdade racial, combate à violência policial, direitos da população em situação de rua, direitos das pessoas privadas de liberdade, direito à moradia e causas trabalhistas.
Ele nasceu em Sorocaba, no interior de São Paulo, mas se mudou ainda criança para o Paraná e, lá, foi criado na Região Metropolitana de Curitiba, em municípios como Piraquara, Almirante Tamandaré, Pinhais e Colombo. O pai morreu quando Renato tinha apenas 15 anos, e o irmão foi assassinado enquanto trabalhava.
Antes de ingressar no ensino superior, concluiu parte da formação escolar por meio da Educação de Jovens e Adultos. Na juventude, foi empacotador, repositor, balconista e vendedor, e trabalhou no regime da escala 6×1, experiência que hoje usa para defender a pauta da redução da jornada de trabalho.
Chegou a iniciar o curso de Ciências Sociais na Universidade Federal do Paraná (UFPR), mas não concluiu. Anos depois, formou-se em Direito pela UFPR, fez mestrado na área e concentrou a pesquisa acadêmica em Direito Penal, Criminologia e Sociologia da Violência. Trabalhou na Defensoria Pública do Paraná, atuou como advogado popular e foi professor universitário.
Na militância popular, ele se ligou à cultura do hip-hop e do rap, foi filiado ao PT, depois ao PSOL, e retornou para o PT em seguida. Em 2020, chegou à Câmara Municipal de Curitiba com 5.097 votos.
O primeiro mandato eletivo foi marcado por um episódio difícil: em fevereiro de 2022, após participar de uma manifestação antirracista na Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, em Curitiba, o vereador foi processado por quebra de decoro parlamentar na Câmara Municipal de Curitiba, o que levou à cassação de seu mandato.
O caso envolvia a acusação de que Freitas teria cometido quebra de decoro ao participar de uma manifestação política dentro da igreja. A cassação foi questionada judicialmente e, em setembro daquele ano, o Supremo Tribunal Federal (STF), por decisão do ministro Luís Roberto Barroso, suspendeu os efeitos da cassação e restabeleceu o mandato de Freitas, sob o entendimento de que houve restrição ao direito fundamental à liberdade de expressão do parlamentar.
Pouco depois, ainda em 2022, Freitas disputou uma vaga na Assembleia Legislativa. Foi eleito deputado estadual pelo PT com 57.880 votos, em uma eleição que ocorreu após o processo de cassação que havia enfrentado na Câmara de Curitiba.
Ao assumir o mandato estadual em 2023, Freitas levou para a Alep uma agenda fortemente vinculada à população negra, às periferias e ao sistema de justiça.
Entre suas propostas estão medidas relacionadas à população em situação de rua, ao sistema penitenciário e à reinserção de pessoas egressas da prisão. Um dos projetos apresentados por ele propõe uma política estadual para a população em situação de rua; outro prevê passe livre no transporte coletivo rodoviário intermunicipal para pessoas que deixam o sistema prisional, presos do regime semiaberto e familiares de pessoas encarceradas.
Há também uma proposta para garantir documento de identidade físico a egressos do sistema prisional no momento da soltura.
Na área de igualdade racial, o parlamentar apresentou projetos relacionados a cotas e políticas afirmativas, como um substitutivo a um projeto sobre reserva de vagas em concursos públicos e processos seletivos estaduais, apresentado em 2024, que previa 34,3% das vagas para pessoas negras e 10% para indígenas. A proposta também buscava incluir a população quilombola e estabelecer critérios para a heteroidentificação e para a convocação dos candidatos. Uma proposta alternativa aprovada na Comissão de Igualdade Racial estabeleceu percentual diferente, de 30%, para pessoas negras, indígenas e quilombolas.
Outro eixo de Freitas é a segurança pública: ele defende uma política de controle externo e transparência da atividade policial, com o uso de câmeras corporais de vídeo e áudio nos uniformes dos agentes de segurança pública.
O Projeto de Lei 25/2024, apresentado por ele, estabelece medidas a serem adotadas após casos de letalidade, tortura ou violência policial, enquanto o PL 1003/2025 prevê a presença de ambulâncias durante operações policiais com possibilidade de confrontos armados. Entre as medidas previstas no PL 25/2024 está o afastamento imediato do agente envolvido em casos de letalidade e a realização de investigação independente.
A pauta que mais ampliou sua projeção nacional nos últimos anos foi a defesa do fim da escala 6×1, discussão que ganhou força a partir do movimento Vida Além do Trabalho (VAT), criado por trabalhadores e que passou a defender uma jornada com mais dias de descanso, em que Freitas passou a atuar politicamente.
Em março de 2026, esteve entre os deputados que participaram de uma audiência pública na Alep dedicada à substituição da escala 6×1 pela 5×2 e à redução da jornada semanal de 44 para 40 horas. A pauta chegou ao centro da disputa nacional no Congresso por meio de propostas de emenda à Constituição, entre elas a PEC 221/2019, que passou a integrar o debate sobre a redução da jornada de trabalho.
Em entrevista em agosto de 2026, afirmou defender uma mudança ampla no modelo de distribuição de emendas parlamentares, sob o argumento de que as emendas impositivas aumentaram o poder do Congresso sobre o orçamento federal e podem ser utilizadas como instrumento de manutenção de poder político. Freitas defendeu, inclusive, mudanças totais no atual modelo de distribuição dos recursos.
Em 2026, ele chega à Câmara dos Deputados depois de construir sua trajetória eleitoral na Câmara Municipal de Curitiba e na Assembleia Legislativa do Paraná, e sustenta uma agenda de combate ao racismo, de inclusão da população periférica, controle da atividade policial e políticas de moradia, além da redução da jornada de trabalho.

Ver mais

💬 Comentários (0)

Seja o primeiro a comentar!