Em reunião secreta com Gilmar Mendes antes do primeiro turno das eleições, Flávio Bolsonaro (PL) selou um acordo para poupar o Supremo Tribunal Federal (STF) caso seja eleito para o Palácio do Planalto. Até mesmo Alexandre de Moraes, tratado como algoz pelo clã, não deve ser alvo de uma ação mais direta do senador. Se for eleito presidente, o filho “01” de Jair Bolsonaro deve deixar a vingança contra o ministro para o Senado, com a abertura de um processo de impeachment, e a Polícia Federal, no redirecionamento das investigações do caso Master, de Daniel Vorcaro.
Na reunião com o decano da corte, segundo a colunista Bela Megale, do jornal O Globo, Flávio Bolsonaro teria se mostrado “convicto” na vitória e atacou Alexandre de Moraes, especialmente a decisão de proibir conversas dele com o pai, Jair Bolsonaro, após a divulgação da carta do ex-presidente em 13 de julho. A proibição, por 90 dias, se encerra no domingo (11).
O acordo foi comentado por Eduardo Bolsonaro nas redes sociais, que divulgou uma arte dizendo que, além de Moraes, Flávio Dino também deve ser alvo de impeachment.
“Antes do objetivo sempre há a tentativa de um acordo cara-cu (SIC)”, escreveu Eduardo, confirmando as tratativas conduzidas pelo senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha, após a reunião secreta entre Flávio e Gilmar Mendes.
“Feliz pela consciência do PL na resposta. E Rogério Marinho está certo, não buscamos vingança, mas isso não se confunde com omissão”, afirmou, sobre declaração pública do coordenador da campanha.
https://x.com/BolsonaroSP/status/2107558483197354203
“Moraes e Dino deixaram a imparcialidade de lado para fazer política. Isso ficou ainda mais escancarado no primeiro turno, a sociedade percebeu e respondeu nas urnas. Quem quer fazer política que deixe a toga e dispute o voto. Juiz julga, não faz campanha, nem veste camisa de partido. O Brasil exige equilíbrio entre os Poderes e respeito à Constituição”, disse Marinho em entrevista à jornalistas, repercutida em sua rede social.
Nas tratativas com Gilmar Mendes, Marinho teria ressaltado que, caso eleito, Flávio Bolsonaro não vai se mover pelo “espírito de revanchismo”, segundo a colunista da Globo. E prometeu que ele não vai aumentar o número de ministros da corte, para obter maioria logo no início de um suposto mandato.
Marinho fez questão de afirmar que Moraes – e talvez Flávio Dino – serão tratados pelo Senado, onde bolsonaristas já se movimento para colocar pedidos de impeachment logo no início da legislatura.
O objetivo do PL é alçar um aliado, até mesmo o próprio Marinho – caso não vá para o governo, se Flávio vencer a eleição -, para a Presidência do Senado, no lugar de Davi Alcolumbre (União-AP), para colocar processos de impeachment, especialmente contra Alexandre de Moraes, em pauta.
Com maioria, o PL deve usar a casa legislativa para achacar ministros da suprema corte com processos de impeachment, caso não sigam as diretrizes do bolsonarismo. Com isso, novas vagas seriam abertas no STF para abrigar ministros alinhados com o grupo político, como André Mendonça e Kássio Nunes Marques. O próximo presidente deve indicar 4 nomes para compor a instância máxima do judiciário.
Decisões favoráveis
Na prática, o acrodo pode ser percebido ontem nas decisões do próprio Gilmar Mendes, que dois dias após Flávio Bolsonaro terminar o primeiro turno à frente de Lula, arquivou o pedido de investigação contra o vice, Alfredo Gaspar (PL-AL), por estupro de vulnerável.
Também nesta terça-feira, Alexandre de Moraes autorizou Débora Rodrigues dos Santos, a Débora do Batom, a cumprir pena no regime semiaberto. A cabeleireira foi condenado por participar dos atos do 8 de Janeiro e virou símbolo do bolsonarismo nos ataques ao Supremo.
Em outra frente, o procurador-geral da República (PGR), Paulo Gonet, deu parecer favorável para que Flávio Bolsonaro retome as visitas ao pai. O pedido foi feito pela defesa de Bolsonaro a Moraes, que agora deve decidir se antecipa o fim da punição ao clã.
Flávio Bolsonaro fecha grande acordo com Gilmar Mendes para poupar STF caso seja eleito
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