A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) passou a usar em sua comunicação eleitoral um vídeo que mostra um menino de 9 anos segurando objetos semelhantes a armas. O fato aconteceu durante uma concentração de apoiadores de Flávio Bolsonaro (PL) em Parnamirim, no Rio Grande do Norte.
A peça foi publicada nas redes sociais na quinta-feira (8). Além de associar as imagens à discussão sobre armas e ao projeto político defendido pelo candidato do PL, o vídeo traz o perigo de vários outros retrocessos, caso o filho de Jair Bolsonaro chegar ao poder.
O vídeo tem como tema a frase: “Se Flávio vence, você perde”, e afirma: “Perde quando o futuro de milhões de famílias é tratado como número e quando programas como Bolsa Família, Minha Casa, Minha Vida, Pé-de-Meia e Farmácia Popular deixam de ser vistos como instrumentos para garantir dignidade, oportunidades e futuro. O que está em jogo é o Brasil que queremos construir.”
Veja abaixo:
https://x.com/LulaOficial/status/2108133878166618545
Menino com armas
Em outro vídeo publicado na terça-feira (6), a campanha de Lula denunciou a imagem do menino com a arma.
O vídeo traz a frase: “Sempre que uma criança e uma arma ocupam o mesmo espaço, alguém está no lugar errado”. Ao final, a publicação afirma: “Protejam seus filhos do bolsonarismo”.
As imagens mostram o menino sobre um carro, cercado por adultos, dançando e levantando um objeto semelhante a uma pistola. Em outro momento, ele aparece segurando uma imitação de fuzil. O registro foi feito em uma concentração na Avenida Castor Vieira Régis, no bairro Cohabinal, em Parnamirim.
Inicialmente, as imagens foram associadas a uma comemoração de apoiadores de Flávio após o primeiro turno, realizado no domingo (4). Posteriormente, participantes do evento e o vereador Gabriel César (PL), um dos organizadores da concentração, afirmaram que o vídeo havia sido gravado no sábado (3), véspera da votação. A data ainda é objeto de apuração.
Família afirma que armas eram brinquedos
A família informou ao Conselho Tutelar que os objetos utilizados pelo menino eram armas de brinquedo. A conselheira tutelar Amanda Melo afirmou que o órgão constatou que se tratava de brinquedos, mas a Polícia Civil ainda investiga as circunstâncias do episódio.
Segundo a mãe, o garoto estava sob os cuidados do pai no fim de semana em que participou da concentração. Ela afirmou que só tomou conhecimento da presença do filho no ato depois que as imagens começaram a circular nas redes sociais.
A repercussão levou a mãe a procurar a Justiça para regularizar a guarda da criança. Os pais estão separados há cerca de oito anos e mantinham um acordo informal pelo qual o menino passava os fins de semana com o pai.
O Conselho Tutelar informou que a criança será encaminhada para acompanhamento psicológico. O órgão também orientou os responsáveis a não estimular o uso de simulacros de armas nem a reprodução de gestos associados à violência.
Polícia investiga o caso
A Polícia Civil do Rio Grande do Norte abriu uma investigação por meio da 17ª Delegacia de Polícia de Parnamirim. A corporação informou que fará diligências, incluindo a coleta e análise das imagens disponíveis, para esclarecer as circunstâncias do episódio. Os pais já foram identificados e a apuração corre sob sigilo.
O Instituto Potiguar de Direitos Humanos também encaminhou uma notícia de fato ao Ministério Público do Rio Grande do Norte para pedir esclarecimentos sobre o caso e eventuais medidas de proteção à criança. A entidade afirmou que o objetivo é apurar os fatos sem antecipar responsabilidades.
O vereador Gabriel César, que participou da organização da concentração, confirmou que o menino estava no evento com os pais e afirmou que os objetos eram brinquedos. Ele também disse que pretende oferecer apoio jurídico à família caso seja necessário.
Enquanto a investigação não é concluída, a Polícia Civil ainda não confirmou as circunstâncias exatas em que os objetos chegaram às mãos da criança nem a data precisa da gravação. O episódio, entretanto, foi incorporado pela campanha de Lula à disputa presidencial como uma crítica à relação entre o bolsonarismo e a pauta armamentista.
“Se Flávio vence, você perde”: campanha de Lula vai pra cima do filho de Bolsonaro
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