Flávio Bolsonaro e midia liberal tentam jogar Master no colo de Lula, mas R$ 1,8 bilhão expõe aliados do PL

Flávio Bolsonaro e midia liberal tentam jogar Master no colo de Lula, mas R$ 1,8 bilhão expõe aliados do PL
Flávio Bolsonaro e o coordenador de sua campanha, Rogério Marinho, que articula manobra para barrar o fim da escala...

A ofensiva da mídia liberal, como confirma a revista Veja nesta sexta-feira (9), em favor de Flávio Bolsonaro (PL) para tentar empurrar a crise do Banco Master para o colo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) esbarra em uma contabilidade oficial que acaba com essa narrativa.
Enquanto a extrema direita cria cortinas de fumaça eleitorais, documentos do Ministério da Previdência Social encaminhados à Câmara dos Deputados mostram onde o banqueiro Daniel Vorcaro realmente operou: em uma teia política que capturou ao menos R$ 1,8 bilhão das aposentadorias de servidores públicos em administrações ligadas ao bolsonarismo e ao Centrão.
O fundador e diretor de Redação da Revista Fórum, Renato Rovai, já havia antecipado em suas redes sociais a articulação de bastidores montada para transformar a delação premiada de Vorcaro em instrumento contra o PT em pleno período eleitoral.
https://x.com/renato_rovai/status/2108495072517865591
O alerta publicado pela Fórum detalhou a denúncia de um acordo entre o senador e o banqueiro para forjar acusações contra petistas. A manobra ganhou tração com o vazamento de um áudio no qual Vorcaro alega ter repassado R$ 30 milhões em dinheiro vivo para bancar um documentário sobre Lula dirigido por Oliver Stone.
A versão constava em proposta de colaboração rejeitada pelas autoridades por total ausência de provas, levando o grupo Prerrogativas a acionar a Polícia Federal para apurar falso testemunho e interferência criminosa nas eleições.
O esforço de blindagem tenta encobrir a relação direta do próprio Flávio Bolsonaro com o dono do Master. O senador admitiu publicamente ter negociado com Vorcaro recursos para financiar Dark Horse, filme de exaltação a Jair Bolsonaro.
Trata-se de uma negociação estimada em R$ 134 milhões (cerca de US$ 24 milhões), com fluxo de caixa de R$ 61 milhões revelado pelo The Intercept Brasil. O caso gerou inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF) por suspeita de corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo o filho do ex-presidente.
Rio de Janeiro e Amapá lideram rombo nas previdências
O maior volume de recursos previdenciários despejados no Master saiu do Rio de Janeiro, berço eleitoral da família Bolsonaro. No governo de Cláudio Castro (PL), o Rioprevidência aplicou R$ 970 milhões no banco. A Fórum mostrou que R$ 80 milhões desse montante foram transferidos exatamente em 15 de maio de 2024, no mesmo dia em que Castro e Vorcaro participaram juntos de um evento. Mensagens apreendidas pela PF registraram que o banqueiro e o governador se tratavam como irmãos, abrindo apurações sobre transações que podem atingir R$ 3 bilhões.
O segundo maior rombo ocorreu no Amapá, onde a previdência estadual (Amprev) aportou R$ 400 milhões sob a gestão de Clécio Luís. O ex-presidente do instituto, Jocildo Silva Lemos, que foi tesoureiro de campanha de Davi Alcolumbre (União Brasil), declarou ter assumido o cargo por indicação do próprio senador. O indicado tornou-se alvo de uma operação da Polícia Federal. Alcolumbre virou alvo de escrutínio enquanto atuava no Congresso ao lado de Flávio para esvaziar a CPI do Master. Na mesma esteira, a previdência estadual do Amazonas colocou outros R$ 50 milhões em papéis da instituição.
Maceió, Cajamar e São Roque: prefeituras no radar da PF
Nos municípios, as aplicações atingiram prefeituras estratégicas da base bolsonarista.
Em Maceió (AL), o instituto de previdência municipal comprometeu R$ 97 milhões durante a gestão de João Henrique Caldas, o JHC. Eleito governador de Alagoas no primeiro turno após migrar para o PSDB com apoio direto de Flávio Bolsonaro, JHC viu o rombo virar alvo de cobranças de Renan Calheiros sobre a perda das aposentadorias municipais.
Em Cajamar (SP), foram aplicados R$ 87 milhões sob o comando do prefeito Danilo Joan, aliado do senador Ciro Nogueira (PP-PI). A Polícia Federal deflagrou uma operação para investigar as aplicações. A Fórum também revelou que a previdência municipal fechou contrato de R$ 728,5 mil com Anísio Costa Castelo Branco, o mesmo perito contratado pela defesa dos produtores de Dark Horse para periciar as contas do filme de Bolsonaro.
Em São Roque (SP), a previdência municipal alocou R$ 93,2 milhões no banco. Uma apuração do núcleo Fórum Investiga revelou que Guto Issa (PSD), prefeito da cidade e presidente do CIOESTE, firmou por meio do consórcio um contrato de R$ 1,2 milhão, sem licitação, com o Instituto Iter, ligado ao ministro André Mendonça, relator de processos do Master no STF.
Outras previdências e a rota das consultorias
A lista oficial da Previdência também inclui Itaguaí (RJ), com R$ 59,6 milhões; Aparecida de Goiânia (GO), com R$ 40 milhões; e Araras (SP), com R$ 29 milhões.
Em Santo Antônio de Posse (SP), a previdência aplicou R$ 7 milhões em papéis do Master. A cidade foi alvo de uma operação da Polícia Federal sobre suspeitas de aplicações irregulares de recursos destinados às aposentadorias dos servidores.
A Polícia Federal também apura empresas de consultoria que orientaram R$ 232 milhões nessas aplicações, além dos R$ 240 milhões aplicados de forma indireta por 101 regimes públicos em fundos do ecossistema Master revelados pela Folha de S.Paulo.
Comissões no União Brasil, mansão no BRB e contratos em SP
As suspeitas ganharam nova dimensão quando Vorcaro relatou em tratativas de delação que líderes do União Brasil, como ACM Neto e Antônio Rueda, cobravam propina de 10% para viabilizar aportes previdenciários no Master. ACM Neto, hoje apoiador da candidatura presidencial de Flávio, admitiu contratos de suas empresas com o grupo, embora negue irregularidades.
Em Brasília, o Banco de Brasília (BRB), controlado pelo governo de Ibaneis Rocha (MDB), realizou negócios bilionários com o Master e financiou R$ 3,1 milhões da mansão de R$ 6 milhões de Flávio Bolsonaro no Lago Sul, em operação com aval do ex-presidente do banco Paulo Henrique Costa e participação da ex-ministra Flávia Arruda nas articulações entre os bancos.
Em São Paulo, o Ministério Público apura o papel do Master nas privatizações da Sabesp e da EMAE sob Tarcísio de Freitas (Republicanos), enquanto a gestão de Ricardo Nunes (MDB) firmou contrato de R$ 108 milhões com instituto presidido por Karina Ferreira da Gama, responsável pela produtora de Dark Horse.
A estratégia de Flávio Bolsonaro desmorona diante dos registros documentados. Enquanto as acusações contra Lula nasceram de um roteiro sem provas rejeitado pelo Ministério Público, o R$ 1,8 bilhão drenado das aposentadorias de servidores públicos foi entregue ao Banco Master pelas mãos de governadores, prefeitos e articuladores que sustentam o projeto político da extrema direita.

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