Mensagens do celular de Vorcaro não citam suposto patrocínio a filme de Lula

Mensagens do celular de Vorcaro não citam suposto patrocínio a filme de Lula
Daniel Vorcaro - Foto: Rubens Cavallari/Folhapress

A Polícia Federal apreendeu o celular de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, em novembro de 2025, durante sua primeira prisão, e extraiu conversas que cobrem mais de 13 anos de comunicações. Apesar de um áudio divulgado pela revista Veja nesta sexta-feira (9) atribuir ao ex-banqueiro a afirmação de ter financiado um documentário sobre o presidente Lula “por fora”, nenhuma menção a esse suposto patrocínio aparece no conteúdo do aparelho, segundo o UOL, que teve acesso a todo o material.
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O mesmo celular, porém, registra discussões sobre remessas em dólar para a cinebiografia de Jair Bolsonaro e interesse em participar de produção sobre Michel Temer. A campanha de Lula classificou as alegações como “grande farsa” e anunciou medidas legais contra Vorcaro e a revista.
Alegações e desmentidos sobre o caso
A revista Veja publicou um áudio no qual Vorcaro afirma ter bancado um filme sobre o presidente. “O filme do Lula eu coloquei acho que até mais [que no filme sobre Jair Bolsonaro]. Só que o do Lula foi por fora, foi errado”, diz o ex-banqueiro na gravação, segundo a revista. A Veja afirma ainda que um documento atribuído a Vorcaro foi levado à Procuradoria-Geral da República em junho deste ano, no qual o ex-banqueiro mencionaria cerca de R$ 30 milhões em espécie para o documentário e pagamentos ao Instituto Lula. O valor contrasta com a afirmação de que ele teria como “até mais” dinheiro no filme de Lula do que no de Bolsonaro, que recebeu mais de R$ 60 milhões.
Fontes na PGR e na PF ouvidas pelo UOL também negam que esse documento exista, dizem desconhecer a gravação e atribuem a divulgação a uma tentativa da defesa de Vorcaro de influenciar no processo eleitoral. A PGR esclareceu, em nota, que não houve depoimento oral de Vorcaro, “justamente por conta da rejeição da proposta, cujos motivos foram expostos à defesa”, e que todas as tratativas de colaboração premiada foram mediadas por advogados, sem interlocução direta do ex-banqueiro com a Procuradoria. 
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O suposto documento também não foi incorporado a nenhuma das três propostas de delação premiada formalizadas pela defesa de Vorcaro. Os produtores do filme Lula já haviam emitido nota em maio, quando o suposto patrocínio veio a público pela primeira vez, afirmando que “não houve quaisquer recebimentos de recursos, investimentos, patrocínios ou contribuições” de terceiros.
Filmes de Bolsonaro e Temer
O mesmo celular que não registra nenhuma conversa sobre o documentário de Lula contém discussões detalhadas sobre investimentos em produções cinematográficas dedicadas a Jair Bolsonaro e Michel Temer. A extração do aparelho mostra mensagens trocadas com o cunhado Fabiano Zettel sobre remessas em dólar para o Dark Horse, cinebiografia de Bolsonaro. Em janeiro de 2025, Vorcaro escreveu a Zettel: “Esse é o mais importante disparado. Não pode falhar mais.” Em novembro de 2023, Zettel perguntou a Vorcaro sobre a empresa responsável pelo filme de Michel Temer, e o ex-banqueiro indicou uma empresa, acrescentando: “Mas não queremos logo. Nada. Só participar.”
Reações e desdobramentos
A campanha de Lula reagiu com dureza às publicações da Veja. Em nota, classificou o conteúdo divulgado pela revista como uma “grande farsa montada por Flávio Bolsonaro e Vorcaro” e anunciou cinco medidas em resposta. Entre elas estão um pedido à Polícia Federal para apurar a veracidade das declarações atribuídas ao ex-banqueiro e identificar responsáveis pela eventual difusão de informações falsas, uma queixa-crime contra Vorcaro e uma ação indenizatória contra a revista Veja.
Do lado da defesa do ex-banqueiro, a situação é igualmente nebulosa. O advogado Daniel Bialski, que assumiu o caso em agosto, afirmou desconhecer tanto o suposto documento entregue à PGR em junho quanto o áudio divulgado pela Veja. “Nunca soube dessa história”, disse Bialski. A declaração reforça a versão de fontes da PGR e da PF de que o material circulou à margem dos canais formais de colaboração premiada, sem que a defesa atual do investigado tenha participado de sua elaboração ou entrega.
*Com informações do UOL

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