Governo Lula pede direito de resposta à Veja e questiona supostas confissões de Vorcaro

Governo Lula pede direito de resposta à Veja e questiona supostas confissões de Vorcaro
- Presidente Lula - Foto: Ricardo Stuckert

A Advocacia-Geral da União (AGU) anunciou nesta sexta-feira (9) que solicitará à revista Veja direito de resposta e retificação da reportagem intitulada “Primeiras Confissões”, que atribui ao banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, relatos sobre supostos pagamentos de propina a integrantes do governo Lula.
A iniciativa atende a pedidos da Casa Civil e do Ministério da Saúde, que contestaram as acusações divulgadas pela revista e solicitaram providências jurídicas.
No mesmo dia, a Polícia Federal (PF) e a Procuradoria-Geral da República (PGR) negaram que Vorcaro tenha prestado depoimento com o conteúdo divulgado. A própria defesa do banqueiro também não reconheceu a autenticidade do material publicado.
AGU pede direito de resposta à Veja
A AGU fundamenta o pedido na existência de acusações que considera falsas e ofensivas a autoridades federais. O órgão também não descartou a adoção de outras medidas legais além da retificação.
A iniciativa atende a solicitações formais da Casa Civil e do Ministério da Saúde, que acionaram a Advocacia-Geral da União após a publicação da reportagem.
Em documento encaminhado à AGU, a Casa Civil sustenta que a Veja apresentou como fato comprovado o suposto pagamento de propina ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), embora tenha reconhecido, na própria reportagem, a ausência de provas suficientes para sustentar as acusações.
“O que antes era apresentado como patrocínio passa a ser descrito como propina paga em espécie ao Chefe do Poder Executivo”, afirma o documento.
Diante disso, a Casa Civil recomendou à AGU a adoção de providências nas esferas cível, criminal e administrativa.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, também encaminhou um pedido ao órgão, solicitando representação jurídica, direito de resposta e perícia no áudio atribuído a Vorcaro.
Padilha negou ter favorecido o Banco Master durante sua passagem pelo Ministério das Relações Institucionais.
Casa Civil aponta indícios de manipulação e desinformação
O secretário especial de Assuntos Jurídicos da Presidência da República, Marcelo Weick Pogliese, também se manifestou sobre o caso.
Em ofício encaminhado à AGU, ele apontou fortes indícios de manipulação, falseamento e desinformação no material divulgado pela revista.
Segundo Pogliese, a publicação pode causar danos à imagem institucional da Presidência da República, à credibilidade das políticas públicas da União e à integridade do processo eleitoral.
O secretário também mencionou a possibilidade de configuração do crime de calúnia durante o período de campanha eleitoral.
Além disso, destacou que a PGR já havia se manifestado pelo arquivamento das propostas de delação de Vorcaro por falta de provas antes mesmo da publicação da reportagem.
 Governo pede apuração sobre autenticidade do material
Entre as providências sugeridas pela Casa Civil está a apuração da autenticidade dos materiais divulgados pela *Veja*.
O órgão também defendeu a investigação de possíveis violações do sigilo das negociações de colaboração premiada e a comunicação de eventuais irregularidades às autoridades competentes.
A AGU destacou ainda que informações publicadas por outros veículos de comunicação, atribuídas à defesa de Vorcaro, contradizem o conteúdo da reportagem.
Para o órgão, essas divergências reforçam a necessidade de esclarecimentos e de correção das informações consideradas falsas.
A Advocacia-Geral da União ressaltou que o pedido de direito de resposta e retificação representa uma primeira medida diante das acusações divulgadas.
A adoção de outras providências judiciais e administrativas, contudo, não está descartada.
Procuradores suspeitam de armação eleitoral em áudio de Vorcaro contra Lula
Um áudio atribuído a Daniel Vorcaro, ex-banqueiro do Banco Master preso na Papudinha, em Brasília, levantou suspeitas entre procuradores e integrantes de sua própria defesa sobre uma possível gravação ilegal com objetivos eleitorais. As informações são da jornalista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo.
Divulgada pela revista Veja, a gravação contém alegações de que R$ 30 milhões em propinas teriam sido destinados ao financiamento do documentário Lula, dirigido pelo cineasta Oliver Stone.
A suspeita é de que o áudio tenha sido produzido ilegalmente dentro da prisão e divulgado estrategicamente para atingir o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante a disputa eleitoral.
A campanha de Lula nega as acusações, levanta a possibilidade de adulteração do material e já solicitou à Polícia Federal (PF) que investigue a origem da gravação.
Polícia Federal desmente Veja: “Daniel Vorcaro não prestou depoimento com o teor relatado na matéria”
A Polícia Federal divulgou nota nesta sexta-feira (9) desmentindo a “reportagem” da Veja que busca atrelar Daniel Vorcaro ao financiamento de um filme sobre Lula em 2024. Segundo a corporação, o dono do Banco Master “não prestou depoimento” sobre o conteúdo relatado e não entregou quaisquer anexos ou informações descritos pela revista.
“A Polícia Federal esclarece, em relação à reportagem intitulada ‘Vorcaro conta que liberou dinheiro para filme sobre Lula por negócios no governo’, publicada pela revista Veja, nesta sexta-feira (9/10), que Daniel Vorcaro não prestou depoimento com o teor relatado na matéria, tampouco entregou à instituição anexos, documentos ou informações com o conteúdo ali descrito”, diz o texto.
Segundo a corporação, “as propostas de colaboração premiada que foram apresentadas à PF pela defesa do investigado não foram acolhidas em razão do não atendimento aos requisitos legais, conforme decisão fundamentada de conhecimento da defesa”.
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Ao final a PF relata que recebeu a ação protocolada pelos advogados da campanha de Lula com pedido para abrir investigação sobre o caso.
“Por fim, a Polícia Federal informa que recebeu, nesta sexta-feira (9/10), notícia-crime com pedido de providências urgentes para apuração de fatos relacionados à publicação mencionada. O expediente foi encaminhado à área técnica para adoção das providências de polícia judiciária”, diz o texto.
Vorcaro entregou HD anti-Lula e negociou com a Globo
Em notícia de fato apresentada à Polícia Federal (PF) nesta quinta-feira (8), antes da divulgação de “reportagem” da Veja, os advogados Marco Aurélio de Carvalho e Reinaldo Santos de Almeida, do Grupo Prerrogativas, denuncia uma articulação entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, que teria vazado um HD com parte de sua delação com conteúdo contra Lula e negociaria entrevistas com redes de TV, entre elas Globo e Record. Em contrapartida, o banqueiro ganharia a liberdade, caso o filho “01” de Jair Bolsonaro seja eleito, enterrando as investigações do escândalo financeiro.
“Isso é um escândalo. Nós não temos a menor dúvida que se, eventualmente o Flávio ganhar – e não vai ganhar -, seguramente o Vorcaro vai ser solto. Nós temos um grande acordão”, afirmou Marco Aurélio Carvalho à Fórum na manhã desta sexta-feira (9), quando o conteúdo vazado já estampava a capa da revista Veja.
“Não é a primeira vez que a Veja se presta a esse tipo de coisa. Nós lembramos, enfim, que às vésperas de eleições anteriores ela soltou capas bombásticas que não chegaram a confirmar nenhum dos fatos que ela havia relatado”, emendo Carvalho, lembrando capas como dos “dólares de Cuba à campanha de Lula”, em outubro de 2005, entre outras.
Na notícia de fato, os advogados do Grupo Prerrogativas, destaca a informação de que um HD contendo um depoimento gravado atribuído a Vorcaro teria sido entregue a terceiros, com acusações contra adversários de Flávio Bolsonaro e ministros do governo Lula.
“Chegou ao conhecimento dos noticiantes, e é levada a essa autoridade na forma do art. 5º, § 3º, do CPP, para verificação de sua procedência, a informação de que teria sido entregue a terceiros, fora dos canais formais de colaboração, mídia de armazenamento do tipo HD contendo gravação de depoimento atribuído a Daniel Vorcaro, com imputações dirigidas a adversários políticos do candidato Flávio Bolsonaro e a pessoas ligadas ao Governo Federal, inclusive ministros de Estado”, diz o texto.
Na representação, os advogados citam reportagens que mostram que Vorcaro estaria negociando entrevistas com a Globo e a Record para propagar a informação falsa às vésperas da eleição.
“Em 8 de outubro de 2026, a coluna Outro Canal, da Folha de S.Paulo, noticiou que interlocutores de Daniel Vorcaro procuraram a TV Globo para negociar uma entrevista exclusiva sobre o caso Master, que a Record também manifestou interesse e que o custodiado preferiria a emissora capaz de lhe oferecer maior tempo de exibição”, diz a representação.
“Segundo a coluna, intermediários do custodiado procuraram a Globo, a Record demonstrou interesse e a escolha recairia sobre a emissora que oferecesse mais tempo de tela, dependendo a realização da entrevista de autorização judicial, por se tratar de pessoa custodiada”, emenda, mais adiante.
À Fórum, Marco Aurélio Carvalho, que também coordena a campanha de Lula, afirma que “Flávio foi abraçado pelo sistema que ele jurou combater”.
“Nós vamos ganhar a eleição contra o sistema e contra tudo, não há menor dúvida. Existe cheiro de acordo no ar, né? O Flávio foi abraçado pelo sistema que ele jurou combater, tá sendo auxiliado, né, por interesses não nacionais e não republicanos nessas eleições, não há menor dúvida quanto a isso, e infelizmente os velhacos da política, com o apoio de parte do sistema financeiro, se reuniram para tentar nos derrotar, e vão perder”, concluiu.
Oliver Stone desmente Lauro Jardim e diz que filme sobre Lula não recebeu dinheiro de Vorcaro
Matéria veiculada no jornal O Globo e assinada pelo colunista Lauro Jardim afirma que o documentário sobre o presidente Lula, dirigido pelo renomado diretor estadunidense Oliver Stone, recebeu verba de Daniel Vorcaro. Tal publicação foi disseminada por grupos bolsonaristas como forma de “blindar” o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que pediu R$ 134 milhões ao dono do Banco Master para investir no longa “Dark Horse”, biografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.
No entanto, Oliver Stone, em nota enviada à jornalista Mônica Bergamo, desmente a informação veiculada no jornal O Globo:
“Não houve quaisquer recebimentos de recursos, investimentos, patrocínios ou contribuições de qualquer natureza originados a partir de negociações com Daniel Vorcaro, com o Banco Master ou com qualquer empresa ou fundo a eles associados. Reservamo-nos ainda o direito de adotar as medidas judiciais cabíveis contra falsas alegações e informações inverídicas noticiadas e publicadas.”
O documentário “Lula” (2022), dirigido por Oliver Stone e Rob Wilson, foi lançado no Festival de Cannes de 2022, traça o perfil político do presidente Lula e aborda a sua ascensão no movimento sindical, os seus primeiros governos, sua prisão e sua volta ao Palácio do Planalto em 2022.

 

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