Por que Nunes Marques deixou no ar “Tropa do Flávio” e censurou canal pró-Lula

Por que Nunes Marques deixou no ar “Tropa do Flávio” e censurou canal pró-Lula
- Kassio Nunes Marques - Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Antes de o ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, corregedor-geral eleitoral do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), suspender, provisoriamente, a decisão do presidente da Corte, Kassio Nunes Marques, que havia determinado o bloqueio do canal de WhatsApp “Exército do Lula”, apoiadores do presidente passaram a convocar denúncias contra canal “Tropa do Flávio”.
A convocação pedia que usuários utilizassem a ferramenta de denúncias do WhatsApp para tentar retirar do ar o canal que apoia Flávio Bolsonaro (PL).
A decisão de Nunes Marques tinha atendido a um pedido da campanha de Flávio Bolsonaro (PL), que acusou o canal de promover desinformação coordenada na reta final do segundo turno. O presidente do TSE agiu por via de um processo distinto do que tramitava sob análise do corregedor da própria Corte, Ricardo Villas Bôas Cueva, que havia adotado procedimento mais cauteloso antes de decidir sobre pedidos semelhantes.
O canal foi criado pelo deputado André Janones (Rede-MG), com o objetivo de mobilizar apoiadores de Lula e distribuir áudios, vídeos e orientações de campanha, e conta com 3,4 milhões de seguidores.
O canal “Tropa do Flávio” foi criado pelo PL no dia 6 de outubro e reúne cerca de 1,3 milhão de seguidores. Foi divulgado nas redes oficiais do presidenciável e de aliados como os deputados federais Nikolas Ferreira (PL-MG), Gustavo Gayer (PL-GO), além do apoiador Pablo Marçal (PRTB).
A verdadeira desinformação
Ao contrário do que destacou Marques sobre o canal criado por Janones, o acusando de promover desinformação, “Tropa do Flávio”, sim, divulga ataques pessoais e fake news sobre o presidente Lula.
Entre as postagens e vídeos afirma: “LULA quer que o Brasil seja respeitado no Crime Organizado; “Lula escolheu o lado do crime”; “o plano do LULA para diminuir roubos de celular é que você não use o celular nas ruas nem nas manifestações em apoio a ele”; acusa o presidente de “mentir”.
Além disso, o canal insiste na tese, disseminada pela Veja, mas já totalmente desmentida pela Polícia Federal e, inclusive, pelo advogado de Daniel Vocaro, que o documentário “Lula”, dirigido por Oliver Stone, teria recebido R$ 30 milhões do ex-banqueiro do Master.
Outro ataque a Lula é relacionado ao meio ambiente, usando a tática de esconder fatos para propagar desinformação: “Seu governo teve os piores índices de queimadas e incêndios, que atingiram todos os biomas do Brasil. Você é tão destrutivo quanto o fogo, mas o Brasil não vai virar cinza”.
Na verdade, a área queimada foi maior nos anos em que se fez presente o fenômeno El Niño, quando a Amazônia e o Centro-Oeste do Brasil secam e o fogo se espalha com mais facilidade. Porém, o desmatamento caiu nos governos do PT.
Diante disso, é inevitável avaliar que Kassio Nunes Marques usou de dois pesos e duas medidas, fato que foi revertido pelo ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, corregedor-geral eleitoral do TSE e relator do caso.

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