Uma igreja consumida pelo fogo em Santa Catarina, laboratórios científicos destruídos em Pernambuco e ameaças de ataques a universidades em diferentes estados. Em plena disputa pelo segundo turno presidencial, a sequência de episódios passou a despertar suspeitas entre apoiadores de Lula (PT) e ganhou repercussão nas redes sociais após uma publicação da deputada Gleisi Hoffmann (PT).
Os incêndios ocorreram em um intervalo de poucos dias. Enquanto a Polícia Federal investiga a destruição dos laboratórios da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), a perícia busca esclarecer o que provocou o fogo na Igreja Matriz São José, em Treze de Maio, no sul catarinense.
O episódio mais recente ocorreu no domingo (11), quando um incêndio de grandes proporções atingiu a Igreja Matriz São José, em Treze de Maio, município do sul de Santa Catarina. As chamas tomaram o templo pouco depois de uma missa, destruíram o interior da igreja e comprometeram sua estrutura.
O fogo começou quando o prédio já estava fechado. Moradores ajudaram a retirar imagens sacras e outros objetos antes que as chamas avançassem. Equipes dos bombeiros de municípios vizinhos foram mobilizadas para controlar o incêndio. Não houve feridos.
A origem do fogo ainda será determinada pela perícia. O caso chamou atenção nas redes sociais, onde imagens da igreja em chamas passaram a circular ao lado de outros incêndios registrados nos últimos dias.
Gleisi reuniu ocorrências em uma publicação que ampliou o debate entre apoiadores de Lula.
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Incêndios na UFPE e ameaças contra estudantes
Em Pernambuco, a Polícia Federal investiga o incêndio que atingiu a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) na noite de 7 de outubro, um dia depois de manifestações estudantis contra Flávio Bolsonaro no campus do Recife.
As chamas destruíram laboratórios de pesquisa nas áreas de genética, fármacos, informática e inovação terapêutica. O prejuízo estimado pelo reitor Alfredo Gomes chega a R$ 100 milhões, sem contar a perda de trabalhos acadêmicos e dados acumulados ao longo de duas décadas.
Horas antes do incêndio, estudantes relataram ter recebido ameaças com referências à candidatura de Flávio Bolsonaro. Uma das mensagens, denunciada pelo deputado federal eleito Jones Manoel (PSOL-PE), mencionava a possibilidade de explodir um departamento da universidade.
O incêndio foi o terceiro registrado na UFPE em oito dias. Os dois anteriores atingiram laboratórios de Física e Biociências. Segundo informações divulgadas pelo reitor, essas ocorrências tiveram causas técnicas preliminares identificadas, envolvendo um experimento laboratorial e um curto-circuito.
Já a causa do incêndio de 7 de outubro permanece sob investigação da Polícia Federal, que também apura as ameaças divulgadas nas redes sociais.
A destruição foi tão extensa que a Capes anunciou medidas emergenciais para os programas de pós-graduação afetados, incluindo apoio para equipamentos e prorrogação de bolsas de pesquisadores.
Ameaças de incêndio chegaram a outras universidades
No Rio de Janeiro, a Universidade Federal Fluminense (UFF) acionou a Polícia Federal depois de receber denúncias sobre mensagens que ameaçavam incendiar instalações da instituição e agredir estudantes durante manifestações políticas.
Parte das ameaças circulou em um grupo de mensagens chamado “Juntos com Bolsonaro”. Um dos conteúdos mencionava a possibilidade de incendiar a UFF durante a madrugada. A universidade pediu reforço da segurança nos campi e encaminhou o material às autoridades.
Outras instituições de ensino também relataram episódios de intimidação. Na Universidade Estadual de Londrina (UEL), no Paraná, mensagens com símbolos nazistas e ameaças de explosão durante uma manifestação estudantil levaram à abertura de investigação policial.
Diante dos relatos, o Ministério da Educação decidiu acionar a área de combate a crimes cibernéticos da Polícia Federal. O ministro Leonardo Barchini afirmou que existe preocupação com o risco de as ameaças divulgadas na internet se transformarem em episódios concretos de violência.
As autoridades buscam esclarecer quem está por trás das mensagens e quais foram as causas dos incêndios. No caso da igreja catarinense, a perícia ainda precisa determinar a origem das chamas. Em Pernambuco, a PF investiga o incêndio que destruiu os laboratórios da UFPE e examina separadamente as ameaças dirigidas à comunidade acadêmica.
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