Janaína Paschoal, derrotada nas eleições, questiona: “Por que não votaram em mim?”

Janaína Paschoal, derrotada nas eleições, questiona: “Por que não votaram em mim?”
- Marcelo Camargo / Agência Brasil

A vereadora e advogada Janaína Paschoal (PP-SP), uma das autoras do pedido de impeachment de Dilma Rousseff, questionou o eleitorado paulista sobre o resultado parco obtido nas urnas nas eleições de 2026, em que concorria a deputada federal pelo estado: “Por que eu não recebi seu voto?“, perguntou ela, confusa, durante uma manifestação na Câmara Municipal de São Paulo.
Ela, que se descreveu como uma parlamentar de mérito, “estudiosa” e “preocupada com os gastos públicos”, com projetos de emenda sérios, teve a carreira política impulsionada pelo processo de impeachment responsável por afastar Dilma Rousseff da Presidência, em 2016.
Antes de ocupar cargos públicos, Janaína era professora de Direito e advogada. Ao lado dos juristas Hélio Bicudo e Miguel Reale Júnior, Paschoal escreveu o documento protocolado em 2015, que se tornou um dos principais instrumentos jurídicos e políticos da ofensiva antipetista no Brasil.
A denúncia sustentava a existência de crimes de responsabilidade relacionados à execução orçamentária do governo Dilma, incluindo as chamadas pedaladas fiscais e a edição de decretos de créditos suplementares. O processo foi aprovado pela Câmara e pelo Senado, e Dilma perdeu o mandato após o julgamento final conduzido pelos senadores em agosto de 2016.
O episódio, no entanto, suscitou controvérsias políticas e jurídicas, além de ter representado uma ruptura política importante para os anos que viriam, marcados pelo ódio político ao PT e pela ascensão do bolsonarismo.
De deputada estadual mais votada ao anonimato involuntário
Janaína ficou conhecida nacionalmente como uma figura de oposição combativa aos governos petistas e acusou o governo de Dilma, inclusive, de “fraude eleitoral” por “criar na população o sentimento de que existia uma segurança financeira e fiscal que não havia”.
As falas emocionadas da advogada eram frequentemente autorreferenciais, como ao dizer que “entrou na história sem ser chamada” porque “precisava fazer alguma coisa pelo país”. No dia do julgamento final do processo de impeachment, Janaína chegou a dizer que, após sua contribuição, voltaria “ao anonimato, à tranquilidade”.
Dez anos depois, candidata a deputada federal por São Paulo, ela tenta reverter a situação de anonimato involuntário em que se encontra.
O desempenho em 2026 mostra a distância entre o auge da popularidade política da advogada e os resultados mais recentes; logo após a atuação no impeachment, em 2018, quando Janaína concorreu a deputada estadual pelo Partido Social Liberal (PSL), ela recebeu mais de dois milhões de votos e se tornou a parlamentar estadual mais votada do país para o pleito.
A votação ocorria na esteira da eleição de Jair Bolsonaro à Presidência e da consolidação de uma mobilização política fortemente identificada com a rejeição ao PT, movimento com o qual ela contribuiu. 
Quatro anos depois, já filiada ao Partido Renovador Trabalhista Brasileiro (PRTB), disputou uma vaga no Senado por São Paulo, quando recebeu 447.550 votos, ficou em quarto lugar e não foi eleita. Já em 2024, concorreu à Câmara Municipal paulistana pelo Progressistas (PP) e conquistou 48.893 votos, suficientes para assegurar um mandato de vereadora.
O resultado de 2026 foi inferior: na disputa pela Câmara, Janaína recebeu 46.773 votos, cerca de 4,3% a menos do que em 2024, e não conseguiu se eleger.

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