Presidente da Febraban chamava Vorcaro de “irmão” e falava em lealdade ao banqueiro

Presidente da Febraban chamava Vorcaro de “irmão” e falava em lealdade ao banqueiro
O banqueiro Daniel Vorcaro discursa na abertura de evento do Grupo Globo patrocinado por ele; Presidente da Febraban -...

O presidente da Febraban, Isaac Sidney, chamava Daniel Vorcaro de “irmão” e citava lealdade ao dono do Banco Master em mensagens trocadas entre os dois. A revelação acrescenta um capítulo à relação do dirigente da entidade que representa os bancos brasileiros com o empresário, já marcada por operações financeiras tornadas públicas nos últimos meses.
As mensagens foram divulgadas nesta terça-feira (13) pela coluna de Lauro Jardim, em O Globo. A proximidade descrita nas conversas aparece no momento em que investigações sobre o Banco Master expõem relações mantidas por Vorcaro com representantes do sistema financeiro, empresários e autoridades.
Isaac Sidney preside a Febraban desde março de 2020. Antes de assumir a entidade, exerceu cargos de direção e a função de procurador-geral no Banco Central. Também atuou na advocacia privada, na área de direito bancário e regulação do sistema financeiro.
A relação profissional com os negócios de Vorcaro é anterior ao comando da federação. Entre 2018 e 2019, Sidney participou de assessoramento jurídico-regulatório relacionado à transferência de controle do Banco Máxima, instituição posteriormente rebatizada como Banco Master. O processo passou pelo crivo do Banco Central antes de ser concluído.
Presidente da Febraban transferiu R$ 700 mil a empresa ligada a Vorcaro
Em setembro, um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) identificou uma transferência de R$ 700 mil feita por Sidney à Super Empreendimentos e Participações, empresa ligada a Vorcaro e ao cunhado dele, Fabiano Zettel.
O dinheiro foi enviado por transferência eletrônica em 8 de junho de 2022, um dia depois da abertura de uma conta da Super no Sicoob Credifor, em Formiga, Minas Gerais. A movimentação foi descrita em reportagem publicada a partir de informações do Coaf.
Naquele mês, a conta recebeu R$ 9,9 milhões. Desse total, R$ 9,2 milhões vieram de Zettel, distribuídos em cinco operações. O relatório também registrou saídas de aproximadamente R$ 9,8 milhões, destinadas principalmente a empresas do setor imobiliário.
Zettel ocupou cargo de direção na Super Empreendimentos, que participou de operações com imóveis de alto valor. Entre os bens relacionados à empresa está um triplex avaliado em R$ 38 milhões no qual Vorcaro residia, segundo as reportagens sobre o documento.
Sidney afirmou que os R$ 700 mil correspondiam à aquisição de direitos creditórios em negócio privado, regular e declarado à Receita Federal. Negou ser sócio ou investidor da Super e disse que não recebeu recursos da companhia. As explicações foram apresentadas após a divulgação da movimentação bancária.
Empréstimo de R$ 5,5 milhões com o Master
Outra operação entre o dirigente e o banco veio à tona em julho. Documentos apresentados pelo liquidante do Master mostraram que Sidney contratou um financiamento de R$ 5,5 milhões em novembro de 2020, quando já presidia a Febraban.
O dinheiro foi utilizado para comprar um apartamento duplex em São Paulo. O empréstimo apareceu em documentos anexados a um processo que buscava bloquear bens de Henrique Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro, mesmo depois de Sidney ter quitado a dívida.
O presidente da federação apresentou comprovantes e afirmou que o contrato foi encerrado em dezembro de 2021. Também classificou a divulgação do financiamento como retaliação às críticas feitas pela Febraban ao Banco Master.
A Febraban é uma entidade privada que representa instituições bancárias e participa de debates sobre práticas do setor financeiro. Não desempenha o papel de fiscalização atribuído ao Banco Central, mas sua direção ocupa posição de destaque nas relações institucionais dos bancos com o governo e os órgãos reguladores.
As ligações de Vorcaro com o meio político também têm sido abordadas pela Revista Fórum, incluindo as negociações em torno do financiamento de uma produção sobre Jair Bolsonaro e os contatos mantidos com Flávio Bolsonaro.
Em agosto, a Febraban anunciou oficialmente a indicação de Leandro Vilain para substituir Sidney. A entidade afirmou que a transição vinha sendo planejada havia mais de um ano e que o mandato de seu presidente-executivo chegava ao fim após dois ciclos no cargo.

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