Alçado à política pelas mãos de Jair Bolsonaro (PL), que ainda em 2018 lhe ofereceu o “super” ministério da Justiça após comandar o lawfare da Lava Jato contra Lula na 13ª Vara Federal de Curitiba, o ex-juiz Sergio Moro (PL-PR), governador eleito do Paraná, afirmou pregou o impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e desconversou sobre uma suposta negociação com Flávio Bolsonaro (PL) para ser indicado á corte.
Declarado parcial pela corte no processo em que levou Lula à injusta prisão, tirando o presidente da disputa eleitoral em 2018, Moro disse ainda, em entrevista ao Estadão nesta terça-feira (13), que “o juiz tem que voltar à legalidade” ao ser indagado sobre “o peso eleitoral da crise do STF”.
“É um recado importante de que o juiz tem que voltar à legalidade. […] Na véspera das eleições, um ministro do TSE dá uma decisão monocrática tirando das urnas o Deltan Dallagnol. Um absurdo. Toda a jurisprudência do TSE diz que o julgamento tem que ser pelo plenário em uma decisão definitiva”, afirmou citando o parceiro de lavajatismo.
Em seguida, indagado sobre sua atuação como juiz, Moro minimizou dizendo que os questionamentos “foram motivados politicamente”.
“Em relação ao STF, o Judiciário tem que voltar a atuar com legalidade e existe, sim, um caminho, um projeto de, eventualmente, levar à responsabilização desses excessos”, reiterou.
Moro, então, afirmou que “o caminho” para enfrentar a crise no STF é o impeachment de ministros, como já articula a bancada bolsonarista eleita para o Senado, que mira Alexandre de Moraes e Flávio Dino.
“Tudo é possível, pode ser que o caminho seja esse. Precisamos de uma reforma institucional do Judiciário”, afirmou ao ser indagado sobre os processos de impeachment que estão no Senado.
Indicação ao Supremo
Moro desconversou ao ser perguntado se aceitaria uma indicação para a Suprema Corte em um eventual governo Flávio Bolsonaro. Em 2018, a negociação com Jair Bolsonaro envolveria, além do “super” ministério, a indicação a uma cadeira no STF.
No entanto, Moro deixou o governo acusando o ex-presidente de interferir na Polícia Federal para blindar o filho, Flávio Bolsonaro, das investigações no caso de corrupção das rachadinhas.
“Estou focado no Paraná e em fazer um bom governo. Acho que ser governador é um cargo de maior prestígio hoje do que ser ministro do STF. Precisamos de reformas urgentes no Poder Judiciário e também no STF”, desconversou ao ser indagado sobre a possível indicação.
A jornalista, então, insistiu, perguntando se aceitaria compor um “STF remodelado”. “Eu espero que seja remodelado, para o bem do País, mas meu foco agora é no Poder Executivo”, afirmou.
Moro prega impeachment de ministros e desconversa sobre possível indicação ao STF por Flávio Bolsonaro
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