Decisões de Nunes Marques pró Flávio Bolsonaro levantam suspeitas de interferência no TSE

Decisões de Nunes Marques pró Flávio Bolsonaro levantam suspeitas de interferência no TSE
Kássio Nunes Marques e Flávio Bolsonaro - Fotos: Antônio Augusto TSE / Jefferson Rudy Agência Senado

As últimas decisões do ministro Kássio Nunes Marques, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que favorecem a campanha de Flávio Bolsonaro (PL) no período eleitoral do segundo turno, têm levantado suspeitas de interferência em um ala do órgão da Justiça Eleitoral. 
Segundo apuração do O Globo, ministros do TSE estão incomodados com ações de Kássio Nunes para evitar derrotas de Flávio Bolsonaro em processos relacionados à campanha. Na última sexta-feira (9), a postura do ministro diante de três julgamentos que ocorriam em plenário virtual e analisavam ações apresentadas pela coligação do presidente Lula contra peças publicitárias de Flávio chamou atenção. 
No julgamento das três ações, Nunes Marques interrompeu a análise. Enquanto isso, desde domingo (11), o presidente do TSE tem tomado decisões para restringir a campanha de Lula. No próprio domingo, Nunes Marques suspendeu o canal “Exército do Lula” no WhatsApp a pedido de Flávio e, nesta terça-feira (13), chegou a determinar monitoramento do canal para evitar que conteúdos indesejados por Flávio não sejam reproduzidos, como o caso de Nossa Senhora Aparecida e a relação do senador com a milícia. No entanto, logo depois, ele voltou atrás e censurou mais uma vez o canal. 
Os três julgamentos
Em um dos vídeos denunciados pela coligação do presidente Lula, o petista é retratado como apoiador de facções criminosas e “defensor de bandidos”. A campanha do presidente pedia que uma liminar derrubasse a publicação. O relator, o ministro André Mendonça, no entanto, afirmou que a peça estava protegida pela “liberdade de expressão” e rejeitou o pedido pela derrubada da postagem. 
O caso foi levado ao plenário virtual na sexta-feira e quando o placar estava 5 a 1 a favor do pedido de Lula, Nunes Marques interrompeu a análise com um pedido de destaque, o que exige o reinício do julgamento em uma sessão presencial. 
Em outro caso semelhante, que se tratava de uma publicação feita pelo perfil “Dama de Ferro” no X que tratava Lula como “amigo” do PCC e CV, Nunes Marques tomou a mesma decisão. O caso também foi relatado por Mendonça, que negou a retirada do conteúdo do ar. Do mesmo jeito, a decisão do relator perdia por 5 a 1 quando Nunes Marques pediu, novamente, análise presencial. 
Vale ressaltar que uma nova data de julgamento é convocada pelo próprio presidente do TSE. 
Já o terceiro julgamento tratava de publicações do próprio Flávio e do deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) que retiravam de contexto a fala de Lula sobre os garis. Mais uma vez, Mendonça negou o pedido de exclusão e Nunes Marques impediu o julgamento no plenário virtual. 
Vale também ressaltar que enquanto os ministros negam a retirada de conteúdos que associam o presidente Lula a facções criminosas, eles também proíbem a veiculação de postagens que associam Flávio à milícia em grupos de apoio a Lula. Também fica proibido o compartilhamento do caso sobre Nossa Senhora Aparecida, enquanto a fala de Lula sobre garis fora de contexto continua sendo reproduzida nas redes sociais. 

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