Os presidentes dos diretórios estaduais do MDB de dez estados das regiões Norte e Nordeste anunciaram, nesta terça-feira (13), apoio à candidatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições presidenciais, marcado para domingo (25).
A decisão, formalizada em uma nota conjunta, expõe a divisão interna do MDB, já que outra ala do partido, com forte presença no Sul e no Sudeste, articula apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL).
O documento foi assinado por dirigentes do Amazonas, Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Pará, Pernambuco, Piauí, Paraíba e Rondônia. Os representantes estaduais justificaram o apoio a Lula pela defesa da democracia e pela continuidade de políticas sociais e econômicas do governo federal.
MDB defende continuidade de programas sociais
Na nota, os dirigentes afirmam que o posicionamento está fundamentado na defesa “da liberdade, da democracia e da soberania do povo brasileiro, exercida por meio do voto direto”.
Os signatários também destacam a importância da manutenção de programas sociais como Bolsa Família, Farmácia Popular, Pé-de-Meia, Fies e ProUni, argumentando que a continuidade dessas políticas é fundamental para as populações atendidas.
O documento ainda atribui ao governo Lula avanços econômicos, como o crescimento das exportações, a expansão da indústria e a redução do desemprego.
“Interromper esse ciclo agora seria deixar obras pela metade, recursos parados e o povo esperando”, afirmam os dirigentes.
Para os representantes do MDB no Norte e no Nordeste, a reeleição de Lula também garantiria a continuidade dos investimentos iniciados durante o atual governo.
MDB enfrenta divisão entre Lula e Flávio Bolsonaro
O apoio dos dez diretórios estaduais, no entanto, não representa uma posição unificada do MDB.
Enquanto dirigentes do Norte e do Nordeste se alinharam à candidatura de Lula, outra ala do partido articulou, também nesta terça-feira (13), um ato em São Paulo para formalizar apoio a Flávio Bolsonaro.
Entre os nomes envolvidos na articulação estão o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), e os governadores Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) e Daniel Vilela (MDB-GO).
A participação de Vilela evidencia a divisão interna da legenda, que reúne, de um lado, um governador empenhado na articulação de apoio a Flávio Bolsonaro e, de outro, dez diretórios estaduais mobilizados pela reeleição de Lula.
O impasse tem origem na convenção nacional realizada em julho, quando o MDB decidiu não apoiar nenhuma candidatura presidencial no primeiro turno.
Na ocasião, o partido autorizou seus diretórios estaduais a estabelecer alianças conforme as particularidades políticas de cada região. A decisão permitiu que diferentes grupos da legenda adotassem posições distintas na disputa presidencial.
O MDB não é o único partido a enfrentar divergências internas no segundo turno.
A federação formada por PP e União Brasil formalizou apoio a Flávio Bolsonaro na terça-feira (6), seguida por Republicanos e Podemos.
Apesar disso, diretórios do Republicanos na Paraíba e em Pernambuco declararam apoio a Lula. O governador reeleito da Paraíba, filiado ao PP, também manteve seu compromisso com o presidente.
Diretórios convocam mobilização pela reeleição de Lula
Além de anunciar apoio ao presidente, os dez diretórios do MDB convocaram prefeitos, vereadores, deputados, senadores e lideranças comunitárias a participar ativamente da campanha eleitoral.
O documento defende a criação de “comitês de mobilização em todas as capitais e nos municípios-polo, carreatas e mutirões de rua, atos públicos nas praças”.
Os dirigentes também propõem ações nas redes sociais e articulações com lideranças municipais para ampliar a mobilização até a véspera da votação, respeitando os limites estabelecidos pela legislação eleitoral.
“É hora de transformar essa força em votos definitivos”, afirmam os signatários.
O apoio dos diretórios estaduais amplia a estrutura partidária disponível à campanha de Lula nas duas regiões, especialmente em municípios onde o MDB possui forte presença política.
No Nordeste, região historicamente favorável ao PT nas disputas presidenciais, a adesão de dirigentes municipais e estaduais pode contribuir para a organização de atos de campanha e para a mobilização de eleitores.
Para o MDB, a movimentação torna pública uma divisão que a decisão de conceder autonomia aos diretórios estaduais, tomada em julho, não conseguiu evitar.
MDB toma decisão sobre apoio a Lula no segundo turno
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