Fachin se reúne com diretor PF para discutir menções de ministros no caso Master

Fachin se reúne com diretor PF para discutir menções de ministros no caso Master
O presidente do STF, ministro Luiz Edson Fachon - Foto: Gustavo Moreno/STF

O presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, se reúnem nesta terça-feira (13) para discutir as menções a ministros da Corte nas investigações sobre o Banco Master. O encontro, solicitado pela própria PF, ocorre depois que materiais extraídos dos celulares do ex-banqueiro Daniel Vorcaro revelaram referências a pelo menos seis dos dez ministros do STF ou a seus familiares. 
Fachin requisitou os documentos reunidos pela polícia e deixou claro, em ofício, que nenhum fato nem ninguém deve ficar fora da apuração, enquanto a PF busca orientação sobre como proceder sem incorrer em prevaricação.
O presidente da Corte, ao confirmar o encontro, requisitou os documentos reunidos pela PF e fixou sua posição em ofício enviado à corporação. “A circunstância merece registro, sobretudo porque há inequívoco interesse institucional em que todo e qualquer fato relevante seja rigorosamente apurado, sem exceção de qualquer natureza”, escreveu o ministro. Informações sobre a reunião indicam que o foco seria justamente definir o formato e o escopo dos documentos a serem produzidos, não a entrega imediata de um relatório consolidado.
As menções aos ministros no Caso Master
Os materiais extraídos dos celulares de Daniel Vorcaro, ex-banqueiro do Banco Master, e de seu cunhado, Fabiano Zettel, contêm referências a pelo menos seis ministros do STF ou a seus familiares: Alexandre de Moraes, Dias Toffoli, André Mendonça, Kassio Nunes Marques, Luiz Fux e Gilmar Mendes. As menções envolvem contratos, encontros, relações comerciais e mensagens trocadas com Vorcaro, em circunstâncias e graus de envolvimento distintos para cada caso. Todos os ministros e familiares citados negam irregularidades ou qualquer envolvimento com o ex-banqueiro.
A crise começou a tomar forma em abril de 2025, quando veio à tona a contratação do escritório de advocacia da esposa de Alexandre de Moraes pelo Banco Master. Em dezembro, o valor do contrato foi estimado em cerca de R$ 130 milhões. O caso de Dias Toffoli ganhou contornos próprios: documentos reunidos pela PF registraram mais de dez encontros entre ele e Vorcaro, além de mensagens relacionadas a pagamentos e à empresa da família do ministro, ligada ao resort Tayayá, no Paraná. Diante da divulgação desses negócios, Toffoli se declarou suspeito e deixou a relatoria dos processos relacionados ao Banco Master. A função passou ao ministro André Mendonça, escolhido por sorteio. 
Divergências e o racha no STF
A crise no Supremo se instalou de forma aguda em setembro, quando André Mendonça retirou o sigilo de um relatório da PF que registrava contatos entre Vorcaro e Alexandre de Moraes. O gesto expôs publicamente a divisão interna da Corte e inaugurou um ciclo de acusações mútuas sobre a condução das investigações. Desde então, Moraes e Mendonça estão sem se falar. O mesmo vale para Gilmar Mendes e Kassio Nunes Marques, apesar de uma certa melhora no clima geral após o primeiro turno das eleições.
Nos bastidores, aliados de Moraes e Mendonça defendem que as informações sobre todos os citados sejam encaminhadas à Procuradoria-Geral da República para avaliação técnica, sem vincular a medida ao procurador-geral Paulo Gonet, que também foi citado no caso e teve uma apuração rejeitada pelo Conselho Superior do Ministério Público. A ala próxima a Moraes ainda considera que novas medidas deveriam aguardar o fim das eleições. O argumento é que, com um quadro mais completo do que a PF reuniu contra cada integrante da Corte, caberia ao presidente do STF dar o mesmo tratamento a todos os citados. 
O que está em jogo
A posição de Fachin é a mais clara do tabuleiro: nenhum fato, nenhuma pessoa, nenhuma exceção. Em ofício à PF, o ministro foi além da retórica institucional e condicionou os encaminhamentos à entrega integral das informações, “sem exceção de pessoa”. A PF, por sua vez, avalia que o encontro pode resolver as divergências com o Supremo e pavimentar a retomada das investigações, que nas últimas semanas se concentraram na individualização das citações a cada ministro.
“A preservação da confiança pública nas instituições exige que eventuais ilícitos sejam investigados com seriedade, transparência e respeito à ordem constitucional”, afirmou Fachin no ofício encaminhado à PF.

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