Apoiada por Flávio, presidente do Peru proíbe corte de cabelo e maquiagem

Apoiada por Flávio, presidente do Peru proíbe corte de cabelo e maquiagem
- Presidente do Peru, Keiko Fujimori. Foto: ERNESTO BENAVIDES / AFP

A presidente do Peru, Keiko Fujimori, uma das principais lideranças da direita conservadora latino-americana e celebrada por Flávio Bolsonaro após sua vitória eleitoral, decidiu levar sua agenda de ordem e disciplina também para as escolas públicas.
Em julho, ao parabenizá-la pela eleição, Flávio afirmou que a vitória de Fujimori fazia parte de uma “onda azul” na América do Sul e disse que “a próxima peça nesse quebra-cabeças é o Brasil”.
O novo código disciplinar anunciado pelo governo peruano vai obrigar meninos a manter o cabelo curto, proibir maquiagem, cabelos tingidos e unhas pintadas, limitar o comprimento das saias e restringir o uso de celulares.
O pacote também traz de volta notas de conduta e expulsões por infrações graves. As medidas devem atingir mais de seis milhões de estudantes da rede pública, enquanto os colégios particulares poderão manter suas próprias normas.
Fujimori apresentou a mudança como parte da tentativa de combater violência e bullying. “A ordem não está apenas nas ruas. Ela também precisa retornar às nossas escolas”, afirmou durante uma cerimônia em Chaclacayo.
O ministro da Educação, José Antonio Chang, detalhou as exigências. Meninos deverão comparecer às aulas com cabelo curto. Para as meninas, ficam vetados cabelos tingidos, maquiagem, unhas pintadas e saias acima do joelho. Celulares serão proibidos, salvo quando houver autorização do professor.
A ofensiva disciplinar ocorre em um sistema que registrou 11.805 casos de violência escolar entre janeiro e agosto deste ano. Em setembro, a denúncia de abuso sexual contra um adolescente de 16 anos durante uma viagem escolar levou à prisão preventiva de seis estudantes e à intervenção do governo na instituição envolvida.
A ex-vice-ministra da Gestão Pedagógica Ana Andrade Pacora criticou a resposta escolhida pelo governo. Para ela, associar disciplina à aparência representa um retrocesso e não enfrenta as causas da violência.
Andrade também considera sexistas as normas dirigidas às meninas. Na avaliação da especialista, a regra transfere para as estudantes a responsabilidade de evitar comportamentos abusivos dos homens.
*Com informações de El País.

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