Site que monitora apoio a Flávio Bolsonaro mostra 52% dos “aliados” sem mencioná-lo no 2º turno

Site que monitora apoio a Flávio Bolsonaro mostra 52% dos “aliados” sem mencioná-lo no 2º turno
O senador Flávio Bolsonaro - Foto: Marina Uezima/Brazil Photo Press/AFP

A reta final do segundo turno das eleições presidenciais vem gerando um clima de apreensão generalizada no núcleo da campanha de Flávio Bolsonaro (PL). Uma nova plataforma digital de varredura, desenvolvida no próprio ambiente bolsonarista para fiscalizar a fidelidade política da base aliada, revelou um índice estarrecedor de desinteresse: mais da metade dos parlamentares e líderes políticos eleitos sob o guarda-chuva do bolsonarismo no primeiro turno simplesmente ignoram a candidatura do senador agora em suas redes digitais.
Denominado “Flaviômetro”, o painel de monitoramento apurou, na manhã desta sexta-feira (16), que 52% dos nomes acompanhados não fizeram uma única publicação de apoio ao presidenciável nos últimos dois dias. Na prática, o levantamento expõe o vácuo de engajamento de 792 dos 1.521 políticos mapeados pelo sistema. A amostragem abrange detentores de mandato e recém-eleitos em cargos de deputados estaduais e federais, senadores, governadores e prefeitos filiados às legendas que formalizaram adesão à sua candidatura, entre as quais figuram o PL, União Brasil, PP, Republicanos e Podemos.
A iniciativa de criar e propagar a ferramenta surgiu do temor de que quadros políticos favorecidos pelas urnas graças ao apelo do sobrenome Bolsonaro estejam virando as costas para o candidato no momento em que a disputa contra Luiz Inácio Lula da Silva (PT) exige empenho total. Operada por algoritmos de inteligência artificial voltados à checagem de conteúdos audiovisuais e textuais, a ferramenta tem recebido forte impulso de expoentes da extrema direita, como o deputado federal e senador eleito Gustavo Gayer (PL-GO).
Engajamento morno e ausências de peso
Entre os monitorados pelo algoritmo, a fatia que adota uma postura abertamente militante é minúscula. Apenas 376 políticos (o equivalente a 24,7% do total) publicaram pedidos explícitos de voto para o filho do ex-presidente no intervalo analisado. Outro grupo de 405 acompanhados (26,6%) até mencionou o candidato de forma favorável em suas redes, mas absteve-se de pedir abertamente o apoio do eleitorado para a votação do segundo turno.
O topo da lista dos aliados mais engajados é liderado pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), recordista absoluto em volume de postagens no ranking do site. Também aparecem em destaque na linha de frente o coordenador-geral da campanha, senador Rogério Marinho (PL-RN), além do senador eleito Guilherme Derrite (PP-SP).
Em contrapartida, a lista dos ausentes expõe nomes de altíssimo perfil dentro do ecossistema político da família. A senadora eleita e ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL-DF) não registrou manifestações recentes a favor do enteado na plataforma. O silêncio também é mantido por dirigentes partidários de peso, como Antonio Rueda (RJ), presidente nacional do União Brasil e deputado federal eleito.
Cobrança e mobilização na base
A disparidade no engajamento acendeu o alarme no comando da campanha e gerou reação inflamada por parte de organizadores do movimento conservador. Dirigentes e militantes cobram que as lideranças eleitas assumam a responsabilidade de ir para as ruas e redes na reta decisiva da corrida ao Planalto.
A constatação trazida pelos dados do “Flaviômetro” reforça a percepção interna de que parcela significativa da base aliada considera a sua meta eleitoral cumprida ao assegurar seus próprios mandatos no primeiro turno, deixando o postulante da extrema direita isolado na fase mais crítica da disputa presidencial.

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