Ex-ministros de FHC e nomes de direita se unem em apoio a Lula

Ex-ministros de FHC e nomes de direita se unem em apoio a Lula
- Foto: Ricardo Stuckert

A campanha de Lula ganhou neste sábado (17) um apoio simbólico fora do campo tradicional da esquerda. Ex-ministros do governo Fernando Henrique Cardoso, intelectuais e personalidades de direita assinaram um manifesto pela reeleição do presidente e apontaram Flávio Bolsonaro como ameaça a direitos, instituições e conquistas sociais.
Entre os signatários estão Miguel Reale Jr., ex-ministro da Justiça e autor do pedido de impeachment de Dilma Rousseff, o ex-ministro da Fazenda Rubens Ricupero e Beatriz Cardoso, filha de Fernando Henrique Cardoso.
O documento afirma que a escolha no segundo turno ultrapassa diferenças partidárias e ideológicas.
“Consideramos que a reeleição de Lula oferece ao país melhores condições para assegurar esse equilíbrio institucional, preservar direitos e liberdades”, diz o texto.
Os signatários também afirmam enxergar no projeto de Flávio Bolsonaro riscos de retrocesso social e institucional, além de ameaças à tradição multilateral da política externa brasileira.
A adesão não significa abandono das críticas ao governo. O manifesto ressalta que seus participantes mantêm divergências com Lula e continuarão a expressá-las.
A escolha, segundo o grupo, ocorre justamente em nome do pluralismo e da preservação de valores democráticos comuns.
O documento foi apresentado durante o “Encontro pela democracia, pela estabilidade, pela justiça socioambiental e pelo Brasil”, com a presença de Geraldo Alckmin, Fernando Haddad, Marina Silva e Simone Tebet.
Alckmin afirmou que “a reeleição do presidente Lula é uma medida civilizatória” e associou a disputa à defesa da Constituição, do crescimento econômico e da geração de renda.
Marina Silva destacou que o movimento reúne pessoas que pertencem ao campo democrático, mas não necessariamente à esquerda.
Segundo ela, diferentes iniciativas pró-Lula vêm surgindo pelo país na tentativa de virar votos na reta final.
No mesmo período, um grupo de evangélicos também se reuniu em defesa da reeleição do presidente.
Leia o manifesto na íntegra
“Neste segundo turno, o Brasil está diante de uma escolha que ultrapassa diferenças partidárias e preferências ideológicas. Está em jogo a capacidade do país de preservar a estabilidade institucional, o equilíbrio entre os Poderes, as liberdades democráticas; de enfrentar a crise climática, cuidar de nossos biomas, dos povos indígenas, das comunidades tradicionais e de toda a população sacrificada pela acentuada desigualdade social. Está em risco um caminho capaz de levar ao desenvolvimento econômico com justiça social, soberania e paz.
Nós, que temos distintas origens, trajetórias e visões sobre muitos dos desafios nacionais, entendemos que, sobretudo nos momentos de maior polarização, a democracia é o nosso norte comum, e ela exige responsabilidade, respeito às instituições e compromisso inequívoco com a Constituição.
Consideramos que a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva oferece ao país melhores condições para assegurar esse equilíbrio institucional, preservar direitos e liberdades, manter canais de diálogo entre diferentes setores da sociedade e com espaço geopolítico global, e evitar retrocessos institucionais, preservando conquistas sociais, trabalhistas, educacionais, na saúde pública e na proteção ambiental. Ao mesmo tempo vemos, no projeto representado por Flávio Bolsonaro, ameaças a esses princípios, intenções de desarticular patamares de conquistas sociais já consolidados e riscos à interlocução internacional multilateral consagrada pelo Brasil.
O Brasil precisa crescer, gerar empregos, estimular a inovação, recuperar sua capacidade industrial, estimular a agricultura de baixo carbono, avançar na educação, criar oportunidades para seus cidadãos e corrigir erros, onde isso se fizer necessário. Esse desenvolvimento deve estar associado à estabilidade econômica, à ciência, à tecnologia e à responsabilidade ambiental, com a preservação de nossas riquezas naturais. Florestas, água, biodiversidade e minerais estratégicos são parte da soberania brasileira e devem contribuir para o desenvolvimento do país, com uso responsável desses recursos e compromisso com as futuras gerações.
Também consideramos indispensável que o próximo governo respeite a diversidade da sociedade brasileira, proteja direitos fundamentais, sem transformar adversários políticos, instituições públicas, universidades, imprensa ou organizações da sociedade civil em inimigos.
Muitos de nós temos diferenças com o presidente Lula e críticas a seu governo, e preservaremos nossa independência para expressá-las. É justamente por valorizarmos o pluralismo que fazemos esta escolha. Antes de apoio a um nome, esta manifestação é de apoio ao Brasil, ao nosso espaço nacional e aos seus valores fundamentais comuns.”

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