A empresária Roberta Luchsinger construiu uma imagem pública de sucesso e sofisticação nas redes sociais, mas nas páginas da Justiça o retrato é outro: processos por dívidas não pagas em São Paulo e Minas Gerais, credores que perderam fazendas e nunca receberam o que lhes era devido, e um inquérito da Polícia Federal que apura suspeitas de corrupção e tráfico de influência. O caso foi exposto pelo Fantástico, da TV Globo, em 30 de agosto, e revelou conexões da empresária com nomes próximos ao governo federal, incluindo o ex-chefe de gabinete da Presidência e o filho do presidente Lula.
Roberta voltou à cena neste sábado (17), às vésperas do segundo turno das eleições presidenciais, pelas telas da CNN Brasil, emissora que tem como dono o empresário Rubens Menin, conhecido por suas declarações de apoio a Jair Bolsonaro. Na entrevista, na véspera do debate na Band, a empresário falou sobre a relação com Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e atacou frontalmente o presidente Lula. No entanto, ela negou ter qualquer relação profissional com o filho do presidente, um dos alvos preferenciais da campanha de Flávio Bolsonaro (PL).
A vida de luxo e as dívidas na Justiça
Na reportagem, o Fantástico mostra que, nas redes sociais, Roberta Luchsinger posta viagens internacionais, jantares em restaurantes caros e uma rotina de alto padrão, com imagem cultivada de uma empresária bem-sucedida, com trânsito em círculos de poder e acesso a um mundo de oportunidades. Nos tribunais, no entanto, o telejornal da Globo mostrou que o cenário que emerge é radicalmente diferente.
A empresária acumula derrotas em processos por dívidas não pagas que atingem credores de perfis variados, em São Paulo e em Minas Gerais. Em duas ações distintas, ela alegou não ter capacidade financeira para arcar com os custos do processo, o mesmo argumento usado por quem não tem como pagar.
Oficiais de justiça relataram, em diversas ocasiões, não conseguir localizá-la nos endereços informados para intimação. Bens e valores em contas bancárias também não foram encontrados para penhora. A combinação entre a ostentação pública e a invisibilidade patrimonial nos autos é, por si só, uma contradição que os processos não conseguem resolver.
O padrão de calotes e a dificuldade de responsabilização
Segundo a reportagem, os casos concretos de dívidas não pagas revelam um padrão que vai além do inadimplemento comum. Em 2016, Roberta Luchsinger e uma sócia apresentaram ao investidor Lauro um projeto de documentário sobre o designer de carros de luxo Horacio Pagani. O orçamento previa gastos de 4 milhões de dólares, supostamente cobertos por um fundo de investimento do Bahrein. Para iniciar as gravações antes da liberação do montante internacional, seria necessário um empréstimo ponte de 300 mil dólares.
Roberta teria convencido um interlocutor classificado como Lauro a figurar como avalista da operação, oferecendo uma fazenda de sua propriedade como garantia, além de participação na bilheteria e comissão de R$ 40 mil. O aporte estrangeiro nunca chegou, as parcelas não foram quitadas, e Lauro perdeu sua fazenda, avaliada em R$ 8 milhões, para o credor.
Outro caso ilustra a mesma lógica em escala menor, mas não menos reveladora. Em 2011, a empresária contratou o tapeceiro Nilton Cezar para reformar sua residência por R$ 61 mil. Pagou apenas R$ 25 mil e não quitou o saldo restante. Nilton ganhou a causa em todas as instâncias judiciais e, ainda assim, não recebeu o que lhe era devido.
A origem familiar que Roberta alega para si também não resiste ao escrutínio: em 2017, ela passou a se apresentar publicamente como herdeira de um fundador do banco suíço Credit Suisse. Registros civis, porém, indicam que seu avô, Pedro Paulo Arnaldo Luchsinger, nasceu no Rio de Janeiro em 1927 e era proprietário de uma lavanderia. Questionada, informou não ter documentos que comprovem a origem suíça do familiar.
Veja a reportagem:
Roberta Luchsinger: Fantástico revelou vida dupla de lobista com rastro de calotes e suspeitas de corrupção
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