“Bolsonaro ria”: mãe de Paulo Gustavo expõe dor da Covid e chama Flávio de retrocesso

“Bolsonaro ria”: mãe de Paulo Gustavo expõe dor da Covid e chama Flávio de retrocesso
mae de paulo gustavo. - Paulo Gustavo. Foto: Raquel Cunha/Folhapress

“Não deu tempo.” É assim que Dona Déa Lúcia Amaral, mãe de Paulo Gustavo, relembra a morte do filho pela Covid-19 em um vídeo divulgado neste domingo (18) pela campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Aos 79 anos, a artista dirige duras críticas a Jair Bolsonaro pela condução da pandemia e faz um apelo contra a eleição de seu filho, Flávio Bolsonaro (PL).
“E o governo ria, o nosso presidente ria, né? Isso daí eu falo com ódio! Ele ria!”, afirma Dona Déa. A declaração é acompanhada por imagens do ex-presidente debochando da doença. Em outro momento, ela resume a tragédia que atingiu sua família: “Eu perdi um filho”.
Assista ao vídeo divulgado pela campanha de Lula:

Assista ao depoimento de Dona Déa Lúcia no Instagram de Lula

Paulo Gustavo morreu em 4 de maio de 2021, aos 42 anos, depois de 53 dias internado em decorrência da Covid-19. O criador de Dona Hermínia, personagem de enorme sucesso no cinema brasileiro, não chegou a receber a vacina contra a doença.
No depoimento, Dona Déa recorda o medo que o filho tinha do coronavírus e reproduz uma conversa que mantinha com ele.
“Ele sempre dizia assim pra gente: ‘Se eu pegar o Covid, eu vou morrer’”, relata. Em seguida, lembra a insistência do ator pela imunização: “Essa vacina tem que chegar, essa vacina tem que vir”.
“Essa vacina deveria ter vindo antes. Muito tempo antes”, lamenta.
Mãe de Paulo Gustavo denuncia Bolsonaro e cobra memória da pandemia
A fala de Dona Déa recoloca no centro da campanha eleitoral a atuação do governo Bolsonaro durante a maior crise sanitária da história recente do Brasil.
A demora na compra de imunizantes foi um dos principais temas investigados pela CPI da Pandemia, instalada no Senado em 2021. A comissão ouviu representantes da Pfizer e integrantes do governo federal sobre propostas de fornecimento de vacinas apresentadas ainda em 2020.
O ex-secretário de Comunicação da Presidência Fabio Wajngarten confirmou que o Palácio do Planalto levou dois meses para responder a uma carta enviada pela farmacêutica. O presidente da Pfizer na América Latina, Carlos Murillo, também confirmou atrasos nas negociações.
O episódio foi documentado pela Agência Senado, durante os depoimentos à CPI. As dificuldades nas tratativas com a fabricante já haviam sido abordadas pela Revista Fórum em reportagem publicada durante o governo Bolsonaro.
O vídeo da campanha de Lula intercala o relato da mãe de Paulo Gustavo com fotografias antigas da família, imagens de cemitérios e uma gravação na qual Jair Bolsonaro aparece ironizando a Covid-19.
Em um dos trechos mais contundentes, Dona Déa transforma a lembrança do filho em um alerta sobre o segundo turno das eleições presidenciais, marcado para 25 de outubro.
“Deus me livre a gente ter alguém da família dele como presidente do nosso país. Eu sou mãe, eu falo porque eu sou mãe. Imagino a dor de toda mãe que perdeu seu filho”, declara.
“Flávio é retrocesso”, dispara Dona Déa
Na parte final da gravação, Dona Déa critica diretamente Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência da República e adversário de Lula no segundo turno.
“Isso não pode voltar. Não pode!”, diz, antes de afirmar: “Flávio é retrocesso. Se você olhar o sobrenome, me dá arrepio”.
A artista também faz um chamado à participação eleitoral. “Gente, mudar para aquele passado terrível vai destruir o nosso futuro. A gente precisa sair de casa e votar. Vamos de Lula, pelo amor de Deus”, pede.
O depoimento será utilizado também na propaganda eleitoral na televisão.  Dona Déa, que inspirou Paulo Gustavo na criação de Dona Hermínia, integra o elenco do programa Domingão com Huck, da TV Globo.
 
 

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