O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) retomou, durante o debate presidencial da Band neste domingo (18), a atuação do senador Flávio Bolsonaro (PL), seu adversário no segundo turno, na defesa do policial militar Bruno Dias Delaroli, acusado de matar Ana Clara Gomes Machado, de cinco anos, em Niterói, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro.
A menina foi atingida por um disparo de fuzil em fevereiro de 2021, quando brincava em frente de casa com o irmão, de dois anos.
Flávio, que também é advogado, integrou a equipe de defesa do policial e assinou, em 2024, um recurso apresentado ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) para tentar reverter a decisão da Justiça fluminense que determinou que o PM fosse julgado pelo Tribunal do Júri. Lula relembrou o caso ao questionar a atuação política do adversário na área da segurança pública.
No seu perfil oficial na rede social X, a deputada federal Erika Hilton também enfatizou o caso: “Ele foi advogado do assassino de uma criança de 5 anos e escolheu um vice-presidente acusado de estuprar uma menina de 13 anos. Você deixaria ele entrar na sua residência?”
https://x.com/ErikakHilton/status/2111961906764447806
Como aconteceu a morte de Ana Clara
Ana Clara foi baleada em 2 de fevereiro de 2021, na comunidade Monan Pequeno, na região de Pendotiba, em Niterói. Segundo a denúncia do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), a menina brincava em frente à residência da família com o irmão, então com dois anos, quando foi atingida por disparos efetuados durante uma ação policial.
Delaroli, que integrava o 12º Batalhão da Polícia Militar, disparou um fuzil calibre 7,62 mm em direção a uma área residencial e de lazer. A acusação sustenta que o policial continuou atirando mesmo após moradores alertarem que havia pessoas no local.
Ana Clara, de apenas cinco anos, foi socorrida e encaminhada ao Hospital Estadual Azevedo Lima, mas morreu em decorrência dos ferimentos.
O policial foi preso no início das investigações, depois que a Polícia Civil identificou contradições entre os depoimentos dos agentes envolvidos na ocorrência e os relatos de testemunhas, além de divergências em relação aos elementos periciais. Posteriormente, passou a responder ao processo em liberdade.
O Ministério Público denunciou Delaroli por homicídio qualificado, uma vez que ele teria efetuado disparos em uma área onde havia pessoas. A Justiça pronunciou o policial, decisão que determina o encaminhamento do caso ao Tribunal do Júri quando há prova da materialidade do crime e indícios suficientes de autoria.
Nos processos por crimes dolosos contra a vida submetidos ao júri popular, cabe aos jurados decidir sobre a responsabilidade criminal do acusado após a análise das provas e dos argumentos da acusação e da defesa. A defesa de Delaroli, no entanto, contestou a decisão judicial e apresentou recursos para tentar impedir o julgamento popular.
Em 2024, Flávio Bolsonaro assinou uma petição apresentada ao STJ, ao lado de outros advogados que representavam o policial. A tentativa de reverter a decisão, no entanto, não foi bem-sucedida e, em abril de 2025, a Quinta Turma do STJ não conheceu de um habeas corpus relacionado ao caso.
Leia também: Flávio Bolsonaro advogou para PM que matou Ana Clara Machado, de 5 anos, com tiro de fuzil quando ela brincava em casa – Revista Fórum
Em junho do mesmo ano, a ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou seguimento a um recurso ordinário em habeas corpus.
A participação de Flávio na defesa do policial já havia sido questionada por Marcelo Freixo (PT-RJ), ex-deputado federal e ex-presidente da Embratur. Em vídeo divulgado nas redes sociais em setembro, Freixo criticou o senador por ter assinado o recurso que contestava o encaminhamento do caso ao Tribunal do Júri.
Leia também: Flávio Bolsonaro defendeu assassino de criança de 5 anos, denuncia Marcelo Freixo
💬 Comentários (0)
Seja o primeiro a comentar!