Debate na Band: proposta de Flávio Bolsonaro para o SUS já existe

Debate na Band: proposta de Flávio Bolsonaro para o SUS já existe
- Flávio Bolsonaro (SILVIO AVILA / AFP)

Ao ser perguntado sobre como ampliar o atendimento do SUS e com que orçamento, Flávio Bolsonaro, candidato às eleições presidenciais pelo PL, citou a intenção de implantar um prontuário eletrônico único para os brasileiros, vinculado ao Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) e integrado à plataforma Gov.br, que já funciona no Sistema Único de Saúde (SUS).
O Ministério da Saúde já mantém sistemas de registro de atendimentos, uma plataforma para consulta de informações pelos cidadãos e uma infraestrutura nacional voltada ao compartilhamento de dados clínicos.
A iniciativa foi apresentada no contexto da disputa eleitoral entre Flávio Bolsonaro e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que se enfrentaram no debate da Band no domingo (18), a uma semana do segundo turno, marcado para 25 de outubro de 2026.
Flávio, cuja principal proposta econômica é realizar um “tesouraço” com cortes de até R$ 250 bilhões em gastos governamentais, o que poderia afetar inclusive o financiamento público do SUS, não respondeu de onde viria o orçamento para ampliar os atendimentos da rede pública de saúde.
Principal proposta de Flávio para a saúde já está em andamento sob Lula
O plano mencionado brevemente por Flávio não traz uma tecnologia inédita no SUS, que já utiliza prontuários eletrônicos e um aplicativo que permite ao cidadão consultar informações clínicas e uma infraestrutura nacional para a troca de dados entre sistemas.
Para ampliar a interoperabilidade do sistema em nível nacional, seria necessário investir na Atenção Primária à Saúde (APS), que inclui as Unidades Básicas de Saúde (UBS), os postos de saúde e as equipes de Saúde da Família, algo que Flávio não tem em vista se mantiver sua promessa de realizar o tesouraço.
Em julho de 2026, o Ministério da Saúde, sob o governo Lula, anunciou uma atualização do e-SUS APS com recursos voltados ao acompanhamento do pré-natal e do puerpério, ao registro de vacinação e às prescrições. Entre as funcionalidades incorporadas está a possibilidade de renovar prescrições de medicamentos de uso contínuo.
O sistema também passou a informar, quando houver sugestão de determinados medicamentos no suporte à decisão clínica, se existe alergia registrada do cidadão a algum dos fármacos recomendados.
O prontuário eletrônico está em desenvolvimento e sob aperfeiçoamento dentro da estrutura do SUS.
Outra iniciativa em funcionamento é o Meu SUS Digital, aplicativo e portal que sucederam o Conecte SUS. A plataforma permite que o cidadão consulte informações de saúde disponíveis nas bases integradas, incluindo registros de vacinação, resultados de exames, medicamentos prescritos e dispensados, atendimentos e procedimentos agendados, além de outros serviços.
Também há funcionalidades que dependem da estrutura e da organização dos serviços locais. O agendamento de consultas pelo Meu SUS Digital, por exemplo, está disponível para municípios que utilizam o PEC e-SUS APS e habilitaram a opção para os usuários.
Em julho de 2025, além disso, o governo Lula publicou o Decreto nº 12.560, que regulamentou a RNDS e as Plataformas SUS Digital. A norma estabeleceu diretrizes para o uso compartilhado de dados de saúde, a interoperabilidade e a proteção das informações pessoais no âmbito do SUS.
 

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