O deputado federal André Janones (Avante-MG) recebeu alta no início da tarde de hoje (20), após ter passado mal devido à exaustão da campanha eleitoral, aparecendo com uma camisa do Brasil ao participar de uma coletiva de imprensa. Ele afirmou que o “Exército do Lula”, canal de WhatsApp criado por ele para orientar apoiadores da campanha de reeleição de Lula, seguirá além dele, porque o lado progressista aprendeu a usar as redes sociais, permitindo que Lula possa continuar com seu trabalho enquanto presidente.
Janones saiu do hospital às 13h13, como anunciado, e falou com a imprensa e com um grupo de seguidores – alguns vindos de outras regiões do país para este momento. A multidão enfrentou algumas provocações de quem passava, mas se manteve em solidariedade com o principal articulador das redes sociais da campanha à reeleição de Lula.
O deputado coordena um grupo de voluntários da campanha petista, conhecido nas redes como “Exército do Lula”, orientando publicações online para pautar o debate político ao longo do segundo turno. Parte dos seguidores aguardava sua liberação na porta do hospital Vila Nova Star, em São Paulo.
Janones explicou que, devido à exaustão da campanha, sentiu um mal-estar durante o debate da Band, atribuído à má alimentação e à falta de hidratação por causa da rotina eleitoral. Sentiu intensa dor de cabeça após 30 minutos de debate e comentou com colegas, como a deputada federal eleita Luna Zarattini. Garantiu que essa foi a raiz do mal-estar, e não qualquer incidente durante o debate. “Não tive nenhuma forte emoção no debate, se fui provocado eu nem vi, porque eu estava o tempo todo focado no Exército”, afirmou.
Disse que o vídeo gravado com Simone Tebet ao final do debate já mostrava sua dificuldade de respirar devido ao cansaço, e que Janja havia comentado: “É difícil, né? Tem que ter sangue frio”, pensando que o desgaste estava relacionado ao estresse do debate. O parlamentar voltou ao hotel e se alimentou, mas a arritmia persistiu.
Janones agradeceu o atendimento recebido, principalmente pela médica Ludhmila Hajjar. Não sabe exatamente qual foi o diagnóstico e espera informe da equipe médica, mas sabe que não foi nada grave, apenas que precisa se hidratar.
Ele defendeu que, independentemente do que aconteça com ele, a atividade do progressismo nas redes sociais não terá volta, porque repassou o conhecimento que tinha e o público aprendeu a utilizar essa ferramenta, barrando a extrema direita de recuperar a hegemonia. “Eu volto com força máxima, nós fizemos uma revolução digital neste país”, disse, acrescentando que isso valeria “ainda que tivesse acontecido o pior comigo”.
Citou dados da Quaest/Felipe Nunes: “Em 86% das pesquisas realizadas, quem está na frente da pesquisa é porque está na frente das redes”. Também afirmou que “atropelamos a extrema direita das redes sociais” de forma democrática, sem ameaça ou intimidação.
“Não gosto de ‘cidadão de bem’, eu não sou um cidadão de bem, eu sou um cidadão que erra e acerta, como todos nós, mas nós conseguimos unir quem acredita na democracia”, afirmou sobre o perfil do Exército de Lula.
Explicou que a eleição é feita minuto a minuto, com o ritmo do monitoramento das redes, porque programar conteúdo seria apostar em um modelo engessado. Diante das provocações de bolsonaristas durante a coletiva, apontou que essa era a postura da extrema direita devido ao desespero de ter perdido espaço. “Não existe estratégia porque eleição é momento.”
Quanto às análises sobre a inserção de Lula nesta nova forma de comunicação, o deputado foi taxativo: “Lula é o maior comunicador da história deste país. Não é que ele não sabe se comunicar nas redes sociais, ele não sabe usar as redes sociais e não tem que saber usar. Ele é um senhor de 81 anos de idade que não tem que provar mais nada para ninguém”. Para ele, “o papel do Lula é continuar sendo o que ele é: o maior líder popular deste país”, reivindicando que a militância faça o trabalho das redes por ele. “O Lula tem que ser ele, brilhar”, concluiu.
Janones afirmou que sabia que Lula perderia o primeiro turno para Flávio após uma virada em setembro, devido à sua avaliação de redes sociais, e que agora a virada aconteceu e “o lado de lá” já sabe que perdeu.
Sobre a crítica da extrema direita de que não se internou no SUS, agradeceu a pergunta e disse ter consciência de que é extremamente privilegiado pelo salário parlamentar de R$ 46 mil. “Eu não vou agir como a turma de lá, da extrema direita, pessoas de classe média alta, que tiveram a cara de pau de se inscrever para receber auxílio emergencial, tirando esse dinheiro de quem realmente precisa”, afirmou. “Eu jamais na minha vida ocuparia uma vaga no SUS ganhando um salário de 46 mil reais. Tenho consciência suficiente de que essa vaga deve ser deixada para quem não tem condições de pagar internação num hospital como este.”
Entre as pessoas que prestigiaram sua saída, esteve uma participante do Exército de Lula que declarou ser transplantada pelo SUS e beneficiária do PROUNI. Também estiveram presentes a deputada federal eleita Luna Zarattini (PT-SP), a deputada estadual eleita Duda Hidalgo (PT-SP) e a presidente da UNE, Bianca Borges, com quem Janones relembrou ter participado da manifestação pela retomada do terreno da antiga sede da UNE na Praia do Flamengo, 132, Zona Sul do Rio. O prédio original foi incendiado pela ditadura militar em 1964 e demolido em 1980. Em fevereiro de 2007, após a 5ª Bienal da UNE, estudantes ocuparam o local, que vinha sendo usado como estacionamento.
Janones deixa hospital e destaca retomada das redes sociais das mãos da extrema direita
💬 Comentários (0)
Seja o primeiro a comentar!