O clima na coordenação de campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL) é de “já ganhou” e as articulações nos bastidores políticos são abertamente em torno da composição de uma eventual futura gestão presidencial do candidato extremista. Entre as negociações por espaço que movimentam as siglas aliadas, sobressai a figura do ex-coach Pablo Marçal, que passou a tratar publicamente como altamente provável sua participação direta na Esplanada dos Ministérios em caso de triunfo das forças reacionárias nas urnas.
A eventual ascensão de Marçal ao primeiro escalão do Executivo federal carrega controvérsias jurídicas e de imagem. O ex-coach acumula em seu histórico uma condenação criminal por envolvimento com uma organização criminosa especializada em fraudes bancárias eletrônicas, esquema responsável por desviar valores de contas bancárias de vítimas por meio de golpes virtuais. O passado judicial, no entanto, não impediu que o espertalhão das redes se tornasse um dos atores mais ruidosos no arco de alianças da candidatura do PL, passando a atuar de forma ostensiva na mobilização de apoio político e digital.
“Ministério da Prosperidade2 e a disputa por espaço
Dentro da arquitetura de um eventual governo, interlocutores partidários passaram a cogitar a criação ou reformulação de uma pasta batizada de “Ministério da Prosperidade”. A viabilidade da nomeação de Marçal para o posto, contudo, dependerá do desenho institucional e do escopo de atribuições que serão concedidos à nova estrutura executiva.
De acordo com parlamentares que acompanham os entendimentos, há uma divisão clara quanto às fronteiras de atuação do órgão:
Com foco em programas sociais: Caso a pasta seja desenhada para centralizar a gestão de benefícios, transferências de renda e políticas públicas voltadas à população de baixa renda, o próprio PL já sinalizou que não abrirá mão de manter o controle direto do orçamento e da execução sob a tutela de quadros partidários tradicionais.
Com foco no empreendedorismo: Por outro lado, se a estrutura consistir precipuamente em uma alteração de nomenclatura ou ampliação do atual Ministério do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte, a indicação de Marçal passa a ser vista por lideranças do bloco como um arranjo viável para contemplar o ex-coach.
Declarações evidenciam autoestima elevada e pacto político
Questionado sobre as conversas para integrar o primeiro escalão e o papel que pretende desempenhar, Marçal adotou um tom metafórico, comparando a montagem da equipe governamental a uma seleção esportiva e atribuindo a decisão final a Flávio Bolsonaro:
“É uma Copa do Mundo o próximo governo, né, e quem fala é o treinador… Eu sou jogado… Então o treinador pode me posicionar que eu sou polímata, então ele pode me posicionar”
Ao responder diretamente sobre as chances reais de assumir um cargo de relevância na Esplanada, o influenciador assegurou que o alinhamento com o presidenciável e as bases de apoio já está consolidado há meses, fruto de um acordo político estruturado com diferentes lideranças do campo da direita:
“Total possibilidade. Eu estou ajudando o Flávio, e eu comecei a ajudar o Flávio em dezembro, e fiz um pacto com ele pelo fim da reeleição, eu, ele, Tarcísio e grandes nomes que querem servir a nação e é uma honra fazer parte de uma geração que aposentou o PT e o Lula ao mesmo tempo”
A sinalização aberta de Marçal reflete a busca de espaço por figuras do ecossistema das redes sociais em meio às cobiçadas cadeiras do Executivo. Enquanto a cúpula da campanha tenta manter o foco na reta final da disputa eleitoral e mitigar desgastes provocados por antecipações de loteamento de cargos, a movimentação expõe o apetite das forças aliadas pela divisão do poder antes mesmo do resultado das urnas.
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